Arquivo da Categoria: Avant-Rock

Vários (Pedro Saraiva, Dr. Sax, Guto, Black Out, Mimi, Tina & The Top Ten, Ena Pá 2000, Beto Medina, Black Company, Luís Varatojo, Despe & Siga, Manuel João Vieira, Pedro Abrunhosa, Farinha Master, Ocaso Épico, Quim Barreiros) – “Elevador Da Glória” – (dossier | fim de ano)

pop rock >> quarta-feira >> 27.12.1995


ELEVADOR DA GLÓRIA

Os miúdos. As grandes curtições e as grandes secas. As “bocas”. A dança das aulas. O universo das crianças portuguesas e os seus principais protagonistas – as crianças. Sempre na boca dos pais e dos políticos, durante as campanhas eleitorais. Este Ano Novo, porém, quisemos ser diferentes. Afastámos um pouco mais a objectiva. Pedimos licença aos filhos, assim como que um empurrão jovial – vão lá divertir-se mais um bocado e aproveitem bem as férias – e demos a palavra aos pais, aos matulões e matulonas. Pedimos-lhes para nos contarem a noite de “réveillon” das suas vidas. A festa das festas. Eles não se fizeram rogados. O Pedro Saraiva, o Guto, a Mimi, o Beto Medina, o Luís Varatojo, o Manuel João Vieira, o Pedro Abrunhosa, o Farinha Master e o Quim Barreiros, todos já crescidinhos, alguns deles já famosos, outros com esperanças de o ser, falaram das festas de passagem de ano que jamais esquecerão. E do que vão ou não fazer na próxima.
O Pedro foi apanhado em flagrante em cenas de sexo no elevador, o Guto recorda uma festa africana em grande, a Mimi ainda hoje goza quando se lembra de uma actuação dos Tina às cinco da matina na Foz do Arelho, o Beto prefere não adiantar muitos pormenores sobre uma noitada em Roterdão. O Luís tocou uma vez com um grupo de baile “hard rock” e sambinhas, para animar famílias de Sacavém. O Manuel vai a Fátima converter-se ao “islamismo fatimida”, o outro Pedro, dos Bandemónio, quer é calma e sossego, já esteve sozinho no Gerês e este ano vai estar algures entre o céu e a montanha. O Farinha está de muletas e sem grande disposição para festas, aos 21 anos tocou flauta no depósito de água do Algueirão. O Quim bebeu champanhe ouviu Rod Stewart em Copacabana.
A impressão que fica é que este ano se estão um bocado nas tintas e deixam a decisão sobre o local onde vão passar o “revillon” para a última hora.
A propósito de bandas, querem mesmo saber os seus nomes? Então lá vai: O Pedro Saraiva canta nos D. R. Sax, o Guto “rappa” nos Black Out, a Mimi canta nos Tina & The Top Tem e Ena Pá 2000, o Beto Medina compõe e toca guitarra nos Black Company, o Luís Varatojo alinha com os Despe & Siga, o Manuel João Vieira desestabiliza nos Ena Pá 2000, o Pedro Abrunhosa é o Pedro Abrunhosa, o Farina deu electrochoque nos Ocaso Épico, o Quim Barreiros é o Quim Barreiros.
Ano novo, vida nova? Boas entradas, melhores saídas? Galinha afónica afaga-se-lhe a asa? Bah! Eles é que sabem se vale a pena ou não, na manhã seguinte, cozer a bebedeira. Boas entradas e melhores ressacas!

“COISAS QUE SE CALHAR NEM DÁ PARA CONTAR…”

PEDRO SARAIVA, D. R. SAX



Passagem De Ano Memorável
“Há uma festa um bocado curiosa, que foge ao habitual. Uma vez fomos convidados para ir a casa de um amigo nosso – uma festa que começava tardíssimo. Dirigimo-nos para lá e quando chegámos fui de elevador com uma rapariga, amiga de alguém do grupo. De repente ficámos fechados no elevador. Entretanto a piada é que, quando o porteiro desengatou o elevador e abriu a porta, já estávamos numa cena sexual muito forte. Depois subimos. A festa estava uma porcaria. Saímos, de novo no elevador, e fomos a outro lado – à Indústria, talvez. Já ia completamente fora, também com a piela…”

Este Ano

“O grupo D. R. Sax decidiu que este ano seria passado em casa com as famílias. Temos tocado muito, o que é curioso, porque normalmente os grupos, nesta época, costumam estar parados. Tivemos boas propostas, mas recusámos.”

GUTO,
BLACK OUT



Passagem De Ano Memorável

“’Reveillon’ de arromba nunca tive nenhum. Também nunca tive nenhum mau. Há dois anos, estive numa festa africana que durou até às quinhentas da manhã, onde me diverti bastante e tive o prazer de conhecer novas pessoas… e novas miúdas… Foi na Zona Sul, em Vale Milhaços”.

Este Ano

“Vamos actuar na Praça do Comércio. Depois, estamos a pensar arrancar para uma festa qualquer, não interessa. Só para a diversão.”

MIMI, TINA & THE TOP TEM E ENA PÁ 2000



Passagem De Ano Memorável

“Foi precisamente na última passagem de ano, quando os Tina & The Top Tem tocaram no Dreamers Club, na Foz do Arelho. Eram três grupos, os Gasoline, os Pigs in Mud e nós. Diverti-me imenso, fomos a última banda a tocar, começámos já quase às cinco da manhã. Uma noite muito ‘cool’. Todas as pessoas estavam lá, muita gente conhecida, os concertos foram bons.”

Este Ano

“Ainda não sei o que vou fazer. Não temos nenhuns concertos marcados, por isso, em princípio, não iremos tocar em lado nenhum. Se calhar vou passar o ano naquela festa do Frágil e dos Três Pastorinhos, no Convento do Beato”.

BETO MEDINA, BLACK COMPANY



Passagem De Ano Memorável

“Lembro-me de duas ocasiões. Uma delas, em Angola, ainda na altura do recolher obrigatório, quando as festas começavam às dez e as pessoas só se podiam ir embora a partir das quatro da madrugada. Mas a melhor noite foi mesmo uma, há tr~es anos, na Holanda. Começou na casa dos meus tios, um jantar. Já sabíamos que depois iríamos para outro lado qualquer dançar. No jantar, estava muita gente, incluindo familiares que ainda não conhecia. Havia alguém que sabia fazer foguetes e bombinhas.
A partir daí, porém, é que as coisas começaram a melhorar. Saímos dali e fomos para uma discoteca, a Night Town, em Roterdão. Eu e uns primos mais chegados. Champanhe a noite toda, ficámos um bocado alegres demais. No decorrer da festa, como é que hei-de dizer, houve coisas que se calhar nem dá para contar… Coisas que uma pessoa já nem sequer se lembra muito bem… Não convém contar muitos pormenores… Foi óptimo. A minha namorada é que faz alguns comentários sobre as loiras e tal, fala sempre nisso… Mas não foi nada disso: pelo contrário, na festa em si, estavam para aí umas 2000 pessoas, a discoteca tinha sido modificada, estava cheia de luzes, cheira de cores, uma coisa extraordinária.
Conheceu-se muita gente, sabe-se como é, vêm pessoas cumprimentar-nos que nem sequer conhecemos. Estão todos vidrados, cheios de ‘ecstasy’, sem saber bem aquilo que fazem. Foi uma coisa desse género. Uma festa um bocado… não muito maluca, mas um bocado diferente das que tinha passado nos últimos anos.
Muitas vezes, quando conto isto à minha namorada, a Quica, ela faz um bicho-de-sete-cabeças: ‘Ah, e tal, contas da Holanda mas não contas os fins-de-ano passados comigo.’ Mas não é isso: passei fins de ano com ela que foram óptimos, só que este foi diferente. Nunca tinha estado na Holanda, era para aí o terceiro mês que lá estava e estava a gostar. Estive mesmo para ficar lá a viver.”

Este Ano

“Não sei, não tenho nada preparado. Sei que, na banda, não vamos passar juntos. Não vamos actuar em nenhuma festa. Pessoalmente, não gostaria. É diferente estar em cima de um palco, numa passagem de ano… Se calhar, gostaria mais de ver uma banda a actuar que ser eu a actuar. Mas, claro, vou passar o ano com a Quica. Como já não faltam muitos dias, é possível que vá ao Convento do Beato.”

LUÍS VARATOJO.
DESPE & SIGA



Passagem De Ano Memorável

“Lembro-me da primeira vez em que toquei numa passagem de ano, em 1983. Na altura, tinha um grupo de baile, mais ou menos, e tocámos na Academia Recreativa de Sacavém. Foi aí que arranjei a namorada que ainda tenho hoje. Foi giro, porque tocávamos para a chamada ‘malta da pesada’, mas a audiência era assim um bocado mista, com pais à mistura. Conseguimos animar tudo, sem qualquer problema. Tivemos que tocar ‘hard rock’ e ao mesmo tempo misturar uns sambinhas…”

Este Ano

Vamos actuar ali na Praça do Comércio. Fazemos um grupo, nós, os técnicos que trabalham connosco e um grupo de miúdas, bailarinas, que costumam também aparecer no nosso espectáculo. Ao todo, somos para aí umas 40 pessoas. Como nos damos bem e estamos o maior tempo possível juntos, vamos passar o ano juntos. Não temos é ainda sítio. Se houver alguém com uma proposta, para onde der para ir com toda a malta… Embora o programa seja agradável, lá na Praça do Comércio, apesar de ser Inverno. Deverá ser bastante animado.”

MANUEL JOÃO VIEIRA,
ENA PÁ 2000



Passagem De Ano Memorável

“Em 1962. Não aconteceu nada de especial.”

Este Ano
“Vamos em peregrinação a Fátima, passar lá o fim do ano. Porque nos vamos converter ao islamismo fatimida, com o resto dos iranianos.”

PEDRO ABRUNHOSA



Passagem De Ano Memorável

“Pensando bem, as melhores foram aquelas passadas com mais calma. As piores foram as que passei a trabalhar. As melhores foram todas as que passei no Gerês, sozinho, entre o frio e a natureza, no topo da montanha.”

Este Ano

“O que desejo para mim mesmo é exactamente o mesmo, a paz e sossego. Em concreto, estou a pensar passar o ano algures, entre o céu e a montanha.”

FARINHA MASTER,
OCASO ÉPICO



Passagem De Ano Memorável

“Devia ter uns 21 anos e fui sozinho para o depósito de água do Algueirão, um edifício circular com uma calote esférica no cimo e que fica num ponto alto, de onde se vê todo o Algueirão. Lá dentro, há uma sala cilíndrica que faz uma reverberação muito grande. Levei a minha flauta, tocava e via a menifestação da passagem de ano no exterior, os foguetes, as pessoas a passarem lá em baixo. Foi giro, não levei quaisquer produtos químicos, nem sequer champanhe ou passas. Estive ali umas duas, três horas.

Este Ano

“Não façoplanos. Na maioria das vezes as passagens de ano são convites de última hora. Neste momento, houve uma proposta de a fazer aqui em minha casa com uns amigos meus, que deixei um bocado no ar. Não estou com muita energia, uma vez que estou de muletas, devido a um acidente de motorizada..”

QUIM BARREIROS



Passagem De Ano Memorável

“Em todos os ‘reveillons’ que me lembro, desde os nove anos, trabalhei sempre, quer como músico de conjuntos musicais, quer como artista. Agora, o ano passado não trabalhei e gostei, foi bom para mim. Estava em Copacaban, estava lá o Rod Stewart a actuar. Foi uma festa muito bonita, com os amigos, a abrir champanhe francês na praia de Copacabana.”

Este Ano

“Vou trabalhar, para a discoteca Antonius, em Vila do Conde. Antes, sou capaz de pegar na família e ir jantar à estalagem Zende, em Ofir, Esposende”.

Pascal Comelade – “Pascal Comelade Hipnotiza O S. Luiz Com Música ‘Infantil’ – O Que É Que Eles Fizeram À Minha Canção, Mãe’”

cultura >> segunda-feira, 06.11.1995


Pascal Comelade Hipnotiza O S. Luiz Com Música “Infantil”
O Que É Que Eles Fizeram À Minha Canção, Mãe’


Para Pascal Comelade a música não está nas notas mas guardada na nossa memória, pronta a ser desenterrada na nossa memória, pronta a ser desenterrada, como um tesouro escondido. Na sua primeira passagem por Lisboa, o francês mandou o compasso para o lixo e a afinação às urtigas. Num passe de magia, no matraquear baixinho das teclas de um piano de brinquedo, velhas canções desceram suavemente, nuas, como neve, sobre uma plateia de crianças crescidas.



Por quatro vezes o público exigiu, no final, a presença no palco do S. Luiz, de Pascal Comelade e da sua Bel Canto Orchestra. O que justifica tamanho entusiasmo e receptividade a uma música onde as notas se atropelam, a desafinação é uma constante e nem sequer existe uma componente espectacular? A resposta só pode estar, não no que os ouvidos escutam, mas no que o coração abraça e a imaginação fabrica. A música de Comelade, o modo como desarticula os “standards” de várias épocas e estilos, vive do seu poder de sugestão, da sua faculdade de evocar recordações difusas, ressuscitando pedaços esquecidos da música popular mas também da nossa própria existência. Comelade trata a música da mesma maneira que uma criança desmonta metodicamente os seus brinquedos com um martelo. Destrói para ver como cada canção é por dentro, sem se importar depois em voltar a montá-la da maneira certa. Em seu lugar coloca na prateleira maquinismos frágeis, caixas de música partidas, de onde pingam estilhaços de som do que sobrou da forma antiga.
O aspecto lúdico sobrepõe-se a qualquer veleidade de ordem intelectual ou de rigor de execução. Pascal Comelade é um executante limitado, bem como os seus três companheiros da Bel Canto Orchestra. Se quiséssemos analisar o concerto por uma perspectiva técnica teríamos que o definir como medíocre. E, no entanto, isso não impediu que o fascínio funcionasse. Quando, a abrir e a fechar o espectáculo, um coelhinho branco de brinquedo – dos que duram uma vida inteira a tocar com pilhas Duracel – marcou no seu minúsculo tambor o ritmo de “Egypcian reggae” (um tema de Jonathan Richman), as pessoas sorriram, embevecidas, entrando de imediato no jogo de toca e foge.
Os tais pianos de brinquedo, (o piano a sério era apenas outro brinquedo, grande), os apitos, o reco-reco, a pandeireta a fazer de bateria, os sopros “de verdade” com sonoridades de plástico ou em trôpegas surdinas, não foram mais do que as tais ferramentas de desmontagem metódica com que as crianças esquartejaram os objectos da sua curiosidade. Do lado de cá ofereceu-se ainda o jogo de adivinhas com o nome das canções: “The sad skinhead”, dos Faust, “Sunny afternoon”, dos Kinks, “Like a rolling stone”, de Dylan, iríamos jurar que “Alifie”, de Robert Wyatt, até um alinhavado de “Grândola”, de José Afonso, lado a lado com um “Bolero callajero”, “4 roses pour Marie” ou um “Tango del rossello”. Em todas elas sempre o mesmo perfume a violetas mortas, a mansões abandonadas, a retratos de rostos que atormentam, a charutos mal queimados. Momentos fugazes de felicidade que, de tão intensos, fazem dor. A caixa-de-música de Pascal Comelade tem esse efeito poderoso de nos fazer recordar mesmo de coisas que nunca chegámos a viver de facto mas que, apesar de tudo, somos capazes de sentir. Num “bistrot” de Paris, numa tasca de Acapulco, num hotel de Veneza, numa fantasmagoria de ópio pintada numa lanterna de Xangai. “What have they done to my song, ma?” (“o que é que eles fizeram –á minha canção, mãe?”), cantava Melanie Safka já lá vão vinte e seis anos. O que é que este pianista com cheiro a mofo fez às nossas canções? Fê-las chorar.

Gong – “Camembert Electrique” + Daevid Allen – “Now Is The Happiest Time Of Our Life” + Xjacks – “Solid Pressure” + Kevin Braheny & Tim Clark – “Rain” + Kalahari Surfers – “Volume One; The Eighties” + Irmin Schmidt – “Soundtracks” + John Tchicai & The Archetypes – “Love Is Touching” + Die Vögel Europas – “Short Stories” + Bill Laswell, Atom Heart, Tetsu Inoue – “Second Nature” + Gregory Allan Firzpatrick – “Snorungarnas Symfoni” + Albert Marcoeur – “Sports & Percussions” + Von Zamla – “Zamlaranamma” + Vários – “CMCD”

pop rock >> quarta-feira >> 01.11.1995


Desnaturados



Por falta de espaço e oportunidade, ficam de lado, todas as semanas, dezenas de discos que, fugindo às imposições da “mainstream” e das leis do mercado, valem pela originalidade e arrojo das suas propostas estéticas. Quem tiver espírito de aventura, pode ir desde já procurando os títulos que a seguir enunciamos (assinalados com um asterisco, no caso de reedições), todos disponíveis no nosso país, já com passagem no nosso leitor de compactos e altamente recomendáveis: Gong, “Camembert Electrique”* (MC-Mundo da Canção), prefácio à famosa trilogia “Radio Gnome Invisible”; Daevid Allen, “Now Is The Happiest Time Of Our Life” (MC-Mundo da Canção), uma das mais conseguidas excentricidades do australiano que conduziu durante anos os delírios dos “Pot head pixies”, ou seja, os Gong; Xjacks, “Solid Pressure” (Symbiose), minimalismo obsessivo, pelo grupo de Victor Sol, na linha dos Cluster “industriais”, um curto-circuito no Faz de Pete Namlook; Kevin Braheny & Tim Clark, “Rain” (Strauss), para ouvir à chuva, num descampado onírico da Hearts of Space; Kalahari Surfers, “Volume One; The Eighties”* (Áudeo), colectânea do grupo sul-africano arauto da revolução (contém a totalidade do seu melhor álbum, gravado para a Recommended, “Living In The Heart Of The Beast”); Irmin Schmidt, “Soundtracks”* (Áudeo), triplo CD com a totalidade das bandas sonoras assinadas pelo teclista dos Can; John Tchicai & The Archetypes, “Love Is Touching” (B&W), “free” e música do quarto mundo, por um dos mestres do sax soprano sontemporâneo; Die Vögel Europas, “Short Stories” (Ananana), segundo trabalho deste grupo alemão que junta as linguagens do “free jazz” à música programática; Bill Laswell, Atom Heart, Tetsu Inoue, “Second Nature” (Symbiose), na Fax, o que significa uma hora, no mínimo, de “ambiente” onde a descoberta de deliciosas microscopias compensa a dose de paciência necessária; Gregory Allan Firzpatrick, “Snorungarnas Symfoni”* e “Bildcircus”* (Planeta Rock), dois trabalhos indispensáveis numa discografia alternativa dos anos 70 – “Symfoni” é interpretado pelos Sammla Mammas Manna, de Lars Hollmer; Albert Marcoeur, “Sports & Percussions” (Planeta Rock), os Henry Cow nas mãos de um “hacker” infantil; Jean-Philippe Goude, “Drones”* (Planeta Rock), electrónica analógica, danças clássicas, maquinações cibernéticas à Heldon, pelo teclista dos Weidorje, súbditos do universo “zeuhl” dos Magma; East of Eden, “Mercator Projected”* (Planeta Rock), obra seminal de 1969 (os King Crimson e os Van der Graaf Generator sorviam então a mesma cicuta alucinatória, mal refeitos da “trip” do psicadelismo); Von Zamla, “Zamlaranamma” (MC-Mundo da Canção), os Sammla Mammas Manna, com outra designação, num trabalho indispensável, como quase todos da sua lavra; Vários, “CMCD” (Áudeo), colectânea da nova música concreta, com, entre outros, Jroslav Krcek, John Oswald e, muita atenção, Steve Moore, cuja “sinfonia” de sons ambientais ocupa, na sua versão original em vinilo, a totalidade do primeiro lado da obra-prima deste compositor, “A Quiet Gathering”. Mas há mais, muitos mais…