Arquivo da Categoria: Rock

Franco Battiato – “Shadow, Light”

pop rock >> quarta-feira >> 06.03.1996


Franco Battiato
Shadow, Light
HEMISPHERE, DISTRI. EMI-VC



Veterano Da música popular italiana, Battiato é o responsável pela introdução da música minimal repetitiva, num contexto pop, no seu país, através de um álbum lançado nos anos 70 pela Island, “Clic”. Nunca mais se ouviu falar dele depois disso até aparecer há alguns anos atrás envolvido com uma cantora de variedades, em “Mondi Lontissimi”, numa operação de pop sofisticado mas sem grande criatividade. “Shadow, Light” assinala o retorno à música séria e às peças conceptuais. Neste caso uma missa composta há dois anos, uma “Messa Arcaica” dividida em seis partes, com títulos em latim, coros gregorianos e um ambiente geral que tanto evoca a liturgia tradicional como a difusão harmónica da música de Gavin Bryars. A completar esta compilação, encontramos uma cançoneta mística e mais algumas divagações de música religiosa, carregadas de instrumentos tradicionais, a fazer jus à inclusão na editora. (6)

Penguin Café Orchestra – “DOCE OU TRAVESSURA”

zap >> sexta-feira >> 01.03.1996
músicas


Penguin Café Orchestra
DOCE OU TRAVESSURA



OS PENGUIN Café Orchestra são uma mini-orquestra de música clássica sem a dose conveniente de classicismo. Ou uma “troupe” de malabaristas da música tradicional, sem a dose convincente de tradição. Não faz então sentido fazer sentido à seriedade nem bater a pala ao divertimento sem barreiras. O grupo liderado por Simon Jeffes não é uma coisa nem outra, mas algo de intermédio, a meio caminho entre a solenidade e a diabrura.
Nos seus primórdios, o Café Pinguim abrigava nas suas mesas agentes da subversão. “Music from the Penguin Café”, com produção d Brian Eno e edição original na mítica série Obscure, das capas de sombra, mostra uma avidez de transgressão das regras que separam o popular do erudito e a pop do ensaio experimental. O mesmo acontece, embora num registo já mais alinhado, com os dois álbuns seguintes, “Penguin Café Orchestra” e “Broadcasting from Home”. A partir daí, porém, as responsabilidades começaram a pesar nos ombros do pinguim-mor que progressivamente foi aprendendo a tocar piano melhor e, em consequência, a levar-se a si próprio demasiado a sério. A influência e abrangência das músicas étnicas do mundo ganharam, por seu lado, um espaço cada vez mais largo no som do grupo. Um dos temas de “Broadcasting from Home”, “Music for a found harmonium” entrou mesmo no imaginário folk contemporâneo, integrando o reportório de inúmeros grupos do género.
Nos últimos tempos, Jeffes escreveu e gravou peças para bailado, enquanto os Penguin se ficaram por uma revisitação ao vivo de material antigo, no duplo “Concert Program”, editado no ano passado. Actuaram em Lisboa, vai fazer três anos, no cinema Tivoli. Voltam pela mão da Música no Coração. Com não se sabe bem o quê na manga. Doce ou travessura?
PENGUIN CAFÉ ORCHESTRA
LISBOA Aula Magna da Universidade de Lisboa. Tel.: (01) 7967624. 4ª, 6, às 22h

Vários – “Heat”

pop rock >> quarta-feira >> 28.02.1996


Vários
Heat
WARNER BROS., DISTRI. WARNER MUSIC



É uma espécie de compilação de alguns dos filhos pródigos das chamadas vanguardas pop que responderam ao convite do realizador Michael Mann para ilustrar sonoramente o encontro explosivo de Al Pacino e DeNiro no grande ecrã. Alegrem-se os que franzem o nariz à simples menção da sigla “OST” (“Original Sound Track”), como sinónimo de cinzentismo e amputação. “Heat” sobrevive, mais ou menos incólume, à ausência das imagens. Se a partitura orquestral de base, composta por Elliot Goldenhal, não é particularmente excitante, já as frequentes interferências dos artistas convidados constituem uma boa motivação para uma escuta mais atenta. Os Kronos Quartet agasalham-se na orquestra e Michael Brook faz o número ambiental do costume. Bastante mais dura é a contribuição dos Einsturzende Neubauten, com “Armenia”, enquanto Terje Rypdal acetina a guitarra num par de temas “new age” e Moby faz o oposto, encharcando de acidez a versão “New dawn fades”, dos Joy Division. O mesmo Moby que em “God moving over the face of the waters” dá um golpe de rins de todo o tamanho, sendo mais papista que o papa, com uma orquestração convencional… Lisa Gerrard, gótica, não esqueceu os This Mortal Coil e Eno contribui com um paisagístico “Force maker”, digno de figurar num hipotético volume quatro de “Music for Films” e ao lado dos U2, no figurino Passengers, com um instrumental pop das cores de “Zooropa”. (6)