Arquivo da Categoria: New Age

Cyrille Verdeaux – “Messenger Of The Sun”

pop rock >> quarta-feira >> 28.02.1996

Cyrille Verdeaux
Messenger Of The Sun
MUSEA, DISTRI. PLANETA AZUL

O autor da “Clearlight Symphony”, manifesto do ácido sinfónico dos anos 70, que recentemente requentou numa versão número dois, coloca aqui a solo a sua assinatura em mais uma variante da sua omnipresente sinfonia. De louvar a permanência da mística original, que o Mike Oldfield francês soube guardar ao longo de duas décadas. Por vezes dado a excessos, seja na vertente mais classicista da sua música ou na cedência, como em “Energy”, a malabarismos electrónicos à Jean-Michel Jarre, o piano e a visão de Verdeaux regulam os comandos para o coração do sol nesta viagem de mais de setenta minutos pelos meandros da teosofia e dos “mestres do mundo”. Quem fixou na memória a sinfonia das pastilhas Clearlight reconhecerá aqui o retorno de alguns dos seus acordes, o borbulhar dos sintetizadores, bem como a presença da guitarra de Christian Boule. Os tempos mudaram, mas a “trip” de Verdeaux está para durar. (7)

Joanie Madden – “Song Of The Irish Whistle”

pop rock >> quarta-feira >> 14.02.1996


Joanie Madden
Song Of The Irish Whistle
HEARTS OF SPACE, DISTRI. STRAUSS



Tem-se assistido, nos últimos tempos, à atracção, não raras vezes fatal, entre a new age e a folk dita “céltica”. É um ver se te avias de colectâneas “’celtic’ qualquer coisa”, onde cabem desde o velhote rabequista às orquestrações sintéticas pintalgadas do famoso verde esmeralda. Esta ventania, por vezes de mau gosto, tem assolado com particular intensidade a Irlanda. Chegou agora a vez de Joanie Madden, emigrada nos “states” mas de boa cepa irlandesa, se render aos apelos da “fusão”, indo cair nas mãos de uma das mais activas editoras de new age da actualidade, a Hearts of Space. Depois do ortodoxo “A Whistle on the Wind”, na vetusta Green Linnett, já aqui recenseado, este novo disco da “virtuose” do “tin whistle” poderá não entusiasmar alguns ouvidos mais intransigentes, mas a verdade é que Joanie não se sai mal da experiência. Até porque, de entre as várias modalidades instrumentais irlandesas, os “airs” são os que melhor se adaptam a um revestimento harmónico exterior, nomeadamente orquestrações, convencionais ou não, funcionando como campos de gravidade a suportar a fluidez melódica do “tin whistle” ou da flauta. Seja rodeada de “new agers”, como John Boswell, Paul Avgerignos e Glen Velez, ou de companheiros da cena folk, como Eileen Ivers (violino), John Whelan (acordeão) e Jerry O’Sullivan (“uillean pipes”), Joanie Madden flutua acima das vaidades do mundo, o seu “tin whistle” concentrado numa conversa aérea com as nuvens. (7)

“Temps Perdu?” – “Terra Incognita” + Vários – “Twilight Earth”

pop rock >> quarta-feira >> 31.01.1996


Temps Perdu?
Terra Incognita (7)
Vários
Twilight Earth (8)
TIMEBASE, IMPORT. ANANANA



Mais uma editora a preencher o território “new age” para eruditos, geólogos e viajantes do “continuum” espácio-temporal, na linha dos catedráticos da Califórnia Steve Roach e Robert Rich. Os Temps Perdu? São um duo constituído por Catherine Ledit-Grützmann e Dirk Grützmann. Tocam instrumentos étnicos como flautas, ocarinas e xilofones, que juntam á parafernália digital mais requintada.
“Terra Incognita” é o seu segundo álbum, depois de “Athanor”, de 1993, onde exploraram musicalmente as terras vulcânicas de Lanzarote, nas Canárias, algo que o espanhol Ildefonso Aguilar já havia feito, nos anos 70, em “Erosión”. Agora foram buscar inspiração aos arquétipos de todas as culturas ancestrais, ao “espaço profundo” e à ficção científica. “Terra Incognita”, “lugar de luz e sombras”, sem grandes rasgos criativos, consegue prender a atenção, em parte devido à produção “estúdio igual a cosmos” de Steve Roach. Bons sons na onda do novo psicadelismo ecologista.
A colectânea “Twilight Earth” soa igualmente bem e vai até um pouco mais longe na originalidade das suas diversas propostas. Nela encontramos nomes importantes doo género, como Suspended Memories, Stephen Kent, Robert Rich, Bruno Heuzé (ex-Lightwave) e os próprios Temps Perdu? Com Anna Homler. Não há dúvida de que a Natureza está a tornar-se cada vez mais um lugar virtual.