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Audio Active and Laraaji – “The Way Out Is The Way In”

pop rock >> quarta-feira, 15.11.1995
álbuns
poprock


Audio Active and Laraaji
The Way Out Is The Way In
ALL SAINTS, DISTRI. MVM



A filosofia “hippy” está de volta. Só que, ao contrário do que acontecia há um quarto de século, já não são os grandes “meetings” de meditação sobre o verde mas as pistas de dança o lugar de expressão deste pôr as contas em dia com a matriz cósmica. Logo de entrada uma voz convida à abertura das portas da consciência, à boa maneira dos Moody Blues, para em seguida o cenário se dispor num território mais actual, servindo de bandeja uma protecção de “ambiente dub” com tantas cores como as da capa de um disco dos Ozric Tentacles, “Music & Cosmic”, “Think cosmically”, “Space visitors for tea” são alguns dos títulos deste advento da “nova idade” apregoado em conjunto pelo grupo japonês e um dos patriarcas da “nova consciência”, tornado papa do “hypnobeat” – Laraaji. É evidente que ressalta deste caminho de ida e volta nos meandros da “cosmic mind” uma dose de humor salutar e um gozo hedonista que fazem de “The Way Out Is The Way In” um mapa celeste desenhado para consulta nas pistas de dança às horas de sonambulismo do “chill out”. Esqueçam-se os preliminares e escute-se com máximo abandono “Booper’s dance floor” para se descobrir como dançam os ébrios do espaço do século XXI”. (6)

Virginia Astley e Kate St. John – “Bebé-Comfort”

pop rock >> quarta-feira, 15.11.1995


“BEBÉ-COMFORT”




Virginia Astley e Kate St. John estão bem uma para a outra. Têm as duas nomes renascentistas, vozes de passarinho e, na pior das hipóteses, a faculdade de fazerem adormecer até a cafeína. Não sejamos maus. Sejamos tolerantes. Virginia Astley é a mais consistente das duas. Gravou mesmo um álbum que fez alguma história, “From Gardens where we Feel Secure”, um dia no campo em forma de música, ao som de sinos de igreja, riachos, pios de passarada e balidos de ovelha. Música “new age” numa altura em que ainda não se tinham extinguido os últimos ecos da “new wave”, era uma paisagem sonora onde apetecia estar.
Antes já deixara a pairar no limbo uma colecção de canções sem peso, empacotadas com o título “Promise Nothing”. O terceiro álbum, “Hope in a Darkened Heart”, é mais cheio de carnes, por obra e graça do produtor, um senhor chamado Ryuichi Sakamoto. Mesmo assim, ainda estava mais próximo do ruído de um moinho de vento do que dos Einstürzende Neubauten. O quarto, e até à data mais recente, chama-se “All Shall be Well” e soa um pouco a música de Natal, tão picante como Julie Andrews em roupão. Mas há quem não resista aos encantos da sua voz e se deixe cair no frasco e mel.
Kate St. John tmabém não é o que se possa chamar uma “punk”. Dá mais para o sonhador. Ou não fosse ela a antiga vocalista dos Dream Academy, um grupo pop peso-mosca. Ou mosquinha-morta, para sermos mais exactos. A colaboração com Roger Eno, em “The Familiar”, fez ouvir a sua voz com um pouco mais de força, embora já tivesse cantado em discos de Van Morrison e Julian Cope.
“Indescribable Night”, o seu primeiro álbum a solo, com a colaboração de Roger e Virginia, pode mesmo considerar-se um disco atraente. Se há trinta anos Joan Baez e Judy Collins atravessavam os sonhos de muita gente sem que as enxotassem, por que não voltar a chupar o seio da tranquilidade destas duas senhoras e aninharmo-nos de olhos fechados na posição fetal? Estamos ou não no período pré-natal?

Roger Eno + Virginia Astley + Kate St. John – “Aguarela de Outono” (concerto – antevisão)

pop rock >> quarta-feira, 15.11.1995


AGUARELA DE OUTONO

Roger Eno vem tocar a Portugal. É a segunda visita que nos faz. Na primeira, já lá vai meia dúzia de anos, numa sala de tecto baixo do Fórum Picoas, alternou o toque nas teclas do piano com espirros de constipação. Então, como agora, veio integrado num pacote de três músicos. No dia da constipação, integrou um cartaz da editora Opal, juntamente com Michael Brook e Laraaji. No próximo sábado, terá a companhia de duas vozes femininas, de Virgina Astley e Kate St. John. E, para não destoar num painel maioritariamente feminino, da violoncelista portuguesa Irene Lima, da orquestra da Radiodifusão Portuguesa, como convidada especial.
Ao contrário do seu irmão Brian, uma figura de meter respeito, Roger tem uma visão bastante mais clássica da música. Chegam-lhe as melodias atraentes e a cumplicidade com o minimalismo esotérico de Erik Satie. Em comum com o mano, tem a tendência para se manter calmo e passar ao lado das correntes musicais dominantes. Chamar-lhe anacrónico seria injusto, na mesma medida em que tal adjectivo não ficari bem colado a gente como Wim Mertens, Michael Nyman ou Simon Jeffes, qualquer deles apóstolo da melodia evidente.
“Impressionista” é um termo que lhe assenta bem. Os seus álbuns são aguarelas outonais para se escutar em silêncio. Gravou, até à data, quatro, “Voices” é Satie com serpentinas, “Between the Tides”, o segundo, aquece um pouco as notas na música de câmara, em oboés e naipe de cordas. “The Familiar” encontra de passagem a voz de anjo de Kate St. John para um chá das cinco. O mais recente, “Lost In Translation”, é o mais ambicioso, tem títulos em latim e parte da interpretação de um manuscrito medieval, “The Heretical Christian Thinkers”, da autoria de um tal Waltius Van Vlaandeeren. É um bocado parecido com alguns dos maneirismos de Wim Mertens, mas bonito na mesma. Espera-se que desta vez não surjam problemas de saúde.

ROGER ENO, VIRGINIA ASTLEY E KATE ST. JOHN
Teatro S. Luiz, Lisboa, Sábado, Dia 18, 22h00