Arquivo da Categoria: New Age

Joanie Madden – “Song Of The Irish Whistle”

pop rock >> quarta-feira >> 14.02.1996


Joanie Madden
Song Of The Irish Whistle
HEARTS OF SPACE, DISTRI. STRAUSS



Tem-se assistido, nos últimos tempos, à atracção, não raras vezes fatal, entre a new age e a folk dita “céltica”. É um ver se te avias de colectâneas “’celtic’ qualquer coisa”, onde cabem desde o velhote rabequista às orquestrações sintéticas pintalgadas do famoso verde esmeralda. Esta ventania, por vezes de mau gosto, tem assolado com particular intensidade a Irlanda. Chegou agora a vez de Joanie Madden, emigrada nos “states” mas de boa cepa irlandesa, se render aos apelos da “fusão”, indo cair nas mãos de uma das mais activas editoras de new age da actualidade, a Hearts of Space. Depois do ortodoxo “A Whistle on the Wind”, na vetusta Green Linnett, já aqui recenseado, este novo disco da “virtuose” do “tin whistle” poderá não entusiasmar alguns ouvidos mais intransigentes, mas a verdade é que Joanie não se sai mal da experiência. Até porque, de entre as várias modalidades instrumentais irlandesas, os “airs” são os que melhor se adaptam a um revestimento harmónico exterior, nomeadamente orquestrações, convencionais ou não, funcionando como campos de gravidade a suportar a fluidez melódica do “tin whistle” ou da flauta. Seja rodeada de “new agers”, como John Boswell, Paul Avgerignos e Glen Velez, ou de companheiros da cena folk, como Eileen Ivers (violino), John Whelan (acordeão) e Jerry O’Sullivan (“uillean pipes”), Joanie Madden flutua acima das vaidades do mundo, o seu “tin whistle” concentrado numa conversa aérea com as nuvens. (7)

“Temps Perdu?” – “Terra Incognita” + Vários – “Twilight Earth”

pop rock >> quarta-feira >> 31.01.1996


Temps Perdu?
Terra Incognita (7)
Vários
Twilight Earth (8)
TIMEBASE, IMPORT. ANANANA



Mais uma editora a preencher o território “new age” para eruditos, geólogos e viajantes do “continuum” espácio-temporal, na linha dos catedráticos da Califórnia Steve Roach e Robert Rich. Os Temps Perdu? São um duo constituído por Catherine Ledit-Grützmann e Dirk Grützmann. Tocam instrumentos étnicos como flautas, ocarinas e xilofones, que juntam á parafernália digital mais requintada.
“Terra Incognita” é o seu segundo álbum, depois de “Athanor”, de 1993, onde exploraram musicalmente as terras vulcânicas de Lanzarote, nas Canárias, algo que o espanhol Ildefonso Aguilar já havia feito, nos anos 70, em “Erosión”. Agora foram buscar inspiração aos arquétipos de todas as culturas ancestrais, ao “espaço profundo” e à ficção científica. “Terra Incognita”, “lugar de luz e sombras”, sem grandes rasgos criativos, consegue prender a atenção, em parte devido à produção “estúdio igual a cosmos” de Steve Roach. Bons sons na onda do novo psicadelismo ecologista.
A colectânea “Twilight Earth” soa igualmente bem e vai até um pouco mais longe na originalidade das suas diversas propostas. Nela encontramos nomes importantes doo género, como Suspended Memories, Stephen Kent, Robert Rich, Bruno Heuzé (ex-Lightwave) e os próprios Temps Perdu? Com Anna Homler. Não há dúvida de que a Natureza está a tornar-se cada vez mais um lugar virtual.

Kevin Braheny & Tim Clark – “Rain”

pop rock >> quarta-feira >> 24.01.1996


Kevin Braheny & Tim Clark
Rain
Hearts of Space, distri. Strauss



Quem quiser a melhor “new age”, que é como quem diz, com alguma substância, independentemente das suas virtudes mais ou menos sedativas, terá de procurar na Hearts of Space, editora com sede em São Francisco, na Califórnia, especializada neste tipo de música, em particular nas secções “música espacial contemporânea”, “cruzamentos culturais”, “Ambiental” e “contemplativa”. No meio da poeira de estrelas mais ou menos inócua, destacam-se nomes como Mychael Danna (autor da banda sonora do recente “Exótica”), Michael Stearns, Paul Avgerinos, Sahan Arzruni, Tim Story e, verdadeiramente dignos de audição atenta, Robert Rich, Kenneth Braheny, Lightwave e Suspended Memories. Kevin Braheny deve parte da sua fama como compositor de “música espacial” aos seus primeiros trabalhos – por sinal, os melhores – “The Way Home” e “Galaxies”, mas, sobretudo, à participação nos dois clássicos da “new age” “Western Spaces” e “Desert Solitaire”, ao lado de Steve Roach. A partir daí, a sua obra tem sido inconsequente. Neste seu novo álbum, de parceria com Tim Clark – que, nesta mesma editora, já gravara “Tales of the Sun People” -, visa recuperar a dignidade perdida, o que, em parte, consegue. “Rain” inclui-se na categoria dos “contemplativos”, com a dispensa quase total do ritmo em nome de uma dimensão cósmica e naturalista onde predominam as sonoridades de cristal e o sinfonismo sintético dos mestres nesta matéria, Robert Rich e Erik Wollo. Um álbum adequado à estação. (7)