Arquivo da Categoria: Críticas 1995

Ildefonso Aguilar – “Erosión”

pop rock >> quarta-feira >> 03.05.1995
reedições


Ildefonso Aguilar
Erosión
NO-CD, DISTRI. ÁUDEO



Editado originalmente em 1978, “Erosión” foi agora reeditado pela primeira vez na sua versão integral de mais de 70 minutos. Sendo, para nós, até à data, um completo desconhecido, Ildegardo Afonso faz parte dawuelas descobertas tardias que nunca fizeram parte da história da música popular mas que tantas vezes transportam consigo um segredo bem guardado de mais-valia musical. Sobre ele apenas ficamos agora a saber que é mexicano e sobre esta obra apenas que foi inspirada na paisagem da ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias (José Saramago tem lá uma casa…). Música electrónica ambiental, telúrica, esmagadora nas suas arquitecturas à escala do Cosmos, “Erosión”, dividido em quatro partes conceptuais, tem a beleza de um jardim de estátuas esculpidas em magma, cujas formas somente os sintetizadores analógicos são capazes de criar. Poderia ter sido um clássico do género, se alguém tivesse tomado conhecimento da sua existência. 1978: o “punk” divertia-se na sua tarefa destruidora de curto alcance, os “industriais” ensaiavam as primeiras engrenagens, Klaus Schulze experimentava o último grito em sintetizadores para repetir pela enésima vez as suas variações de Wagner cibernético, Brian Eno deambulava pelos aeroportos, a pop procurava a dignidade perdida nas pistas de “disco-sound”. Retirado em Lanzarote, Ildefonso descia às entranhas da terra, banhando-se na lava de um vulcão. Subliminal, por vezes aterrador, “Erosión” é o negativo da “Kosmisch Muzik” – embora uma sequência como “El vuelo del ‘bu’ ácromo y el despertar del ‘bú’ rojo” recorde tanto o Klaus Schulze de “Cyborg” como os Tangerine Dream de “Zeit” – antecipando, com meios artesanais, a vaga de fundo que a meio da década de 80 viria a brotar das profundezas, através dos sulcos abertos por Jeff Greinke, Peter Frohmader ou Paul Schütze, entre outros mineiros e espeleólogos do som. (8)

Vários Artistas – “Musical Traditions Of Portugal”

pop rock >> quarta-feira >> 26.04.1995


Vários Artistas
Musical Traditions Of Portugal
SMITHSONIAN / FOLKWAYS



Em primeiro lugar, uma rectificação relative à notícia publicada no dia 8 de Março neste suplemento. Ao contrário do que então foi escrito, as letras em português dos vários temas incluídos estão de facto impressas no livrete que acompanha o CD. Pelo lapso aqui ficam publicamente as nossas desculpas a Salwa Castelo Branco, responsável pela elaboração do citado livrete. “Musical Traditions of Portugal” reúne gravações de campo efectuadas em 1988 por uma equipa de elementos do International Institute for Traditional Music, de Berlim, orientados por Salwa Castelo Branco. Subdividido em cinco unidades temáticas, “Danças e um romance do Nordeste”, “Canto Ritual do Centro Leste”, “Modas profanas e religiosas do Baixo Alentejo”, “Guitarradas de Coimbra” e “Canções e danças de grupos folclóricos do vale do Tejo e do Noroeste”, este compacto reflecte a quase impossível (aos olhos dos estrangeiros) diversidade de músicas que cabem numa porção mínima de território. Dos “Laços” transmontanos ao corridinho algarvio, passando pelo “cante” alentejano, a viagem é curta em quilómetros, mas rica de músicas e sentimentos. O capítulo de maior estranheza está talvez nas “Guitarradas de Coimbra”, com os nomes de Artur Paredes, António Brojo e António Portugal a contrstarem com as vozes e sons rudes dos temas étnicos. Um importante elemento de estudo e alguma fruição numa colecção bem organizada e estruturada, com a vantagem de a qualidade técnica, em oposição ao que acontece com alguma frequência neste campo, ser bastante boa. Sons familiares ou talvez não, “Musical Traditions of Portugal” oferece uma visão coerente do nosso legado popular. Aproveitemos enquanto temos. (7)

The Band – “Live At The Watkins Glen”

pop rock >> quarta-feira >> 26.04.1995
curtas


THE BAND
Live At The Watkins Glen
Capitol, distri. EMI-VC



Finalmente disponível a gravação de uma das míticas aparições ao vivo dos The Band, em Nova Iorque, 1973, para uma assistência de perto de 300 mil pessoas. Na altura em que o grupo se aprestava para gravar o álbum de versões “Moondog Matinee” e alguns dos seus membros enveredavam pela má vida, o ambiente de festa ganha contornos de pura magia no solo improvisado no órgão Lowrey, debaixo de trovões e uma forte chuvada, que Garth Hudson ofereceu a uma multidão em êxtase. (5)