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Pedro Abrunhosa – “Lisboa-94 – Que Fazer Com Abrunhosa?”

ZAP >> sábado >> 17.12.1994


Lisboa-94
Que Fazer Com Abrunhosa?



Em terra de cegos, quem tem um olho, barbicha e óculos escuros é rei. O cidadão chama-se Pedro Abrunhosa e o seu reio é a juventude portuguesa. Quase toda… Sempre que o rei abre a boca para lançar uma das suas tiradas bombásticas, os (e sobretudo as) fãs abrem também a boca, mas de histerismo. O que Pedro Abrunhosa fez no álbum “Viagens” e faz em cima de um palco, como irá acontecer hoje no Terreiro do Paço, em Lisboa, às 22h, com os Bandemónio e Tito Paris juntos, é coisa simples, quase banha da cobra: juntar à música de dança uma mensagem, o mais directa possível, de conteúdo político e sociológico relativo à sociedade portuguesa. Há quem acuse Abrunhosa de fazer demagogia, quando se ergue apelando ao não pagamento da portagem ou invectiva Cavaco, mas os jovens bebem cada palavra sua como se fosse uma revelação. O que é que podemos fazer?…

Os Sons Da Fala + Pedro Abrunhosa – “9 de Junho, Praça Velha de Coimbra, 21h00”

pop rock >> quarta-feira >> 08.06.1994


FUSÕES LUSÓFONAS

OS SONS DA FALA + PEDRO ABRUNHOSA
9 de Junho, Praça Velha de Coimbra, 21h00



Coimbra vai ser palco, dia 9 de Junho, das Comemorações do dia de Portugal, que por acaso até é o dia 10. Vai ser na praça velha da cidade, Às 21h, e Vitorino será o director musical de um espectáculo de genérico “Os sons da fala”, baseado na música dos vários países de língua portuguesa (incluindo a Galiza e o português antigo) e com uma série de convidados especiais. De África virá um quarteto constituído por Manuel Paris, no baixo eléctrico, João Ferreira, na percussão, Zezé Barbosa, na guitarra eléctrica, e Toy Paris, na bateria, que fará o suporte musical da representação portuguesa, formada por Vasco Gil, no sintetizador, Jacinto Ramos, tuba, Jorge Reis, saxofones alto e soprano, Carlos Salomé, adufes e cavaquinho, Edgar Caramelo, saxofone tenor, e Tomás Pimentel, arranjos de metais, trompete e filiscórnio. A lista de convidados é apelativa. Bana e Tito Paris representam Cabo Verde. O primeiro interpretará a morna “Ondas sagradas do Tejo” e uma canção do seu reportório. Uxia, a cantora galega mais portuguesa de todas, virá cantar uma canção de José Afono, “Se voaras mais perto”, acompanhada por Filipa Pais, a tocadora de gaita galega Maria José, dos Muxicas, e os três irmãos Salomé, em adufes.
Waldemar Bastos vem de Angola para interpretar o fado “Foi Deus” e André Cabaço, de Moçambique, fará o mesmo em “Diana”, um tema com letra de António Lobo Antunes. Ambos vão cantar mais duas canções dos respectivos reportórios. O Brasil faz-se representar por Carlos Lyra e os portugueses convidados são Janita Salomé, com mais duas mornas, “Saudade de Cabo Verde” e “Maria Bárbara”, e Filipa Pais de novo a fazer os apoios vocais. Sérgio Godinho completa o lote dos portugueses presentes em “Os sons da fala”.
Vitorino explica as razões de escolha do local – “Coimbra era a capital cultural do Império” – e o sentido geral do espectáculo: “Vão estar presentes em grande força cantores da lusofonia portuguesa dos PALOP a cantar nas suas línguas e nos seus dialectos, nos seus crioulos. Vai ser um som luso-africano, até porque a banda principal é mista. Uma verdadeira fusão. Fala-se hoje muito em fusão, mas a gente não só fala como a vai tornar real.”
Das funções entregues a Vitorino fazem parte “a coordenação de todo o projecto”, incluindo a organização, a sequência do espectáculo, o endereço de convites, enfim, o pôr em prática todas as ideias e sugestões. Em colaboração com Paulo Pulido Valente. Vitorino apenas lamenta a não participação de um convidado que estava nas suas intenções trazer a Portugal: “Convidei um indiano de Calecute que não pode vir porque tem um trabalho em Toulouse. É pena, porque Calecute foi o primeiro ponto tocado por Vasco da Gama na sua viagem à Índia. Vamos ter dificuldades em arranjar indianos. Ainda só não temos músicos da Ásia.”
Uma curiosidade relativa a “Os sons da fala” é que, segundo Vitorino, “será tudo ao contrário. O Janita vai cantar em crioulo, todos os cantores vão cantar depois uma canção do Zeca Afonso, em português, mas a norma vai ser os portugueses cantarem em crioulo”.
Antes de “Os sons da fala” outros sons soarão em Coimbra, dos actualmente muito falados Pedro Abrunhosa e Bandemónio.

David Fonseca + Cabeças No Ar + Sérgio Godinho + Pedro Abrunhosa + Caetano Veloso + Xutos & Pontapés + Sloppy Joe + Mesa + Zedisaneonlight + Toranja + Yellow W Van – “A Vida Num Só Dia Em Alvalade” (artigos de opinião / concertos / festivais)

(público >> y >> portugueses >> concertos / festivais)
27 Junho 2003


a vida num só dia em alvalade



Foi provavelmente (e infelizmente) maior o número de concertos ao vivo do que o dos campeonatos conquistados pelo Sporting, durante o tempo em que permaneceu de pé o Estádio José de Alvalade, agora já meio demolido. A despedida das grandes concentrações rockeiras neste recinto coincide com a realização, amanhã, dia 28, do Festival Galp Energia Ao Vivo. Vão jogar, no palco grande: David Fonseca (17h30), Cabeças no Ar (18h30), Sérgio Godinho (19h30), Pedro Abrunhosa (20h35), Caetano Veloso (21h40) e Xutos & Pontapés (23h).
Num palco mais maneirinho, designado Quinta dos Portugueses, deambularão, durante os intervalos das atuações dos cabeças de cartaz, os Micro, Sloppy Joe, Mesa, Zedisaneonlight, Toranja e Yellow W Van. 20 minutos cada intervenção.
Vão acontecer coisas importantes. Pelo menos uma. Que até nem é original, mas… Sérgio Godinho, ainda às voltas com a grande família da pop nacional que se lhe juntou para celebrar “O Irmão do Meio”, vai cantar com Caetano o tema “Lisboa que Amanhece”, à semelhança do que acontece no disco. Será a vida num só dia em alvalade durante a atuação de Caetano Veloso. Atravessa um momento alto da sua carreira.
David Fonseca, o homem dos Silence 4, também está numa fase alta. Lançou o seu álbum de estreia a solo, “Give me Something New”, e, como tal, a vida corre-lhe bem. Os Cabeças no Ar, supergrupo composto por João Gil, Jorge Palma, Rui Veloso e Tim, estão numa fase boa. Lançaram recentemente o seu álbum de estreia, “Cabeças no Ar”, cujas vendas já renderam platina. A vida corre-lhes de feição.
Sérgio Godinho, nunca é de mais repeti-lo, atravessa uma fase exaltante. Tem motivos para isso, já que lançou recentemente o tal álbum de família, “O Irmão do Meio”, uma espécie de “quem é quem” do meio VIP da pop nacional que está a vender exorbitantemente. Vida boa para Sérgio. Já de Pedro Abrunhosa se pode dizer que passa por um período glorioso. O seu novo álbum, “Momento”, há mais do que um momento que circula pelo top de vendas, o que significa que, de momento, a vida, “la vie en rose”, é um mar de rosas.
Caetano Veloso. Foi nomeado para o Óscar em 2003 por “Burn It Blue”, do filme “Frida”, Que quer isto dizer? Que a vida, ao fim de 40 anos de carreira, não está a ser madrasta para este homem que criou nos anos 60 o Movimento Tropicália e não é capaz de fazer maus álbuns, fazendo, inclusive, coisas geniais. Como os discos recentes, “Estrangeiro”, “Circuladô” e “Livro”. É cantor, compositor, ator, poeta, escritor e realizador. Tem razões para se sentir feliz.
Os Xutos e Pontapés estão de bem com a vida. Que, diga-se de passagem, nos últimos tempos, lhes tem corrido bem. Ao fim de 25 anos de carreira o seu rock não dá mostras de esmorecer e as sucessivas gerações de putos, mas também os pais dos putos, continuam a trautear os seus hinos. Depois do álbum “XIII”, que não lhes trouxe azar, já lançaram o CD “Nesta Cidade”. Estão bem.
Quanto aos outros todos, que irão preencher os tempos mortos entre as atuações das “trutas”, têm a vida inteira à frente para poderem dizer um dia que a vida lhes corre bem. Por enquanto arriscam e tiram prazer máximo do que fazem, independentemente do estatuto alcançado ou a alcançar. A música, a energia, é disso que se fazem – é também disso que se trata. Divirtam-se.

FESTIVAL GALP ENERGIA AO VIVO
Lisboa. Estádio José de Alvalade. A partir das 17h. Tel. 213561190; Bilhetes: €20 (Bancada Norte e relva), €25 (Bancada Nascente) e €27,5 (Bancada Poente)