Arquivo mensal: Julho 2026

Júlio Pereira e Kepa Junkera – “A QUATRO MÃOS E UMA VOZ”

pop rock >> quarta-feira >> 10.01.1996


A QUATRO MÃOS E UMA VOZ



“Lau Eskutara” (”A quatro mãos”, em basco) é o título da colaboração discográfica entre Júlio Pereira e o acordeonista basco Kepa Junkera. Editado em Espanha no selo Elkar, o álbum tem já assegurada distribuição nacional pela Sony Music.
Na base deste encontro entre os dois “virtuoses” está um convite do mestre da “trikitixa” (como chamam no País Basco ao acordeão diatónico) ao mago português do bandolim, cavaquinho e outras cordas. “O Kepa viu alguns concertos meus em Espanha e telefonou a convidar-me. Da primeira vez, eu não estava muito para aí virado. Hoje em dia estou virado para um outro tipo de música que não propriamente uma música que tenha referências muito concretas a uma música popular de um sítio específico”, explica Júlio Pereira. “Mas o Kepa, de facto, insistiu muito. Houve uma vez que foi ainda mais insistente. Foi ter comigo a Madrid, quando eu estava a dirigir o disco da Uxia [“Estou Vivindo no Ceu”]. Foi tão teimoso que cedi. A partir daí encontrámo-nos uma única vez, uma tarde, aqui em Lisboa, e depois reunimo-nos, estivemos 12 dias fechados num estúdio em San Sebastian.”
Na ficha técnica pode ler-se Júlio Pereira mais Kepa Junkera. O músico português responsabilizou-se pela concepção geral do som e pelos arranjos, além de contribuir com dois temas seus e de tocar bandolim – como principal interlocutor do acordeão -, braguesa, guitarras, “bouzouki”, cavaquinho e outros instrumentos de corda. “Saudade”, um tema de Cabo Verde, conta com a participação vocal de Minela.
Encerrado, em termos de trabalho, o episódio basco, Júlio Pereira encontra-se presentemente a produzir e a fazer a direcção musical do álbum de estreia de João Afonso, ainda sem título nem editora. O primeiro a sair do novo estúdio do autor de “Acústico”. “Um disco que me está a dar um prazer infinito”, afirma Júlio Pereira, para quem este projecto, já em fase final de produção, significará, sem querer adiantar mais pormenores, “uma pedrada no charco”.