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Alexander Balanescu – “Angels & Insects”

pop rock >> quarta-feira >> 24.01.1996


Alexander Balanescu
Angels & Insects
MUTE, DISTRI. BMG



Longe vão os tempos em que o quarteto do violinista romeno Alexander Balanescu armava ratoeiras aos clássicos do fraque e da borboleta. Para trás, esquecidos, ficaram a aventura em torno da música dos Kraftwerk, em “Possessed”, ou o manifesto político “Luminitza”. “Angels & Insects”, banda sonora do filme de Philip Haas, com o quarteto abraçado, ou a braços, À Luminitza Chamber Orchestra, regressa à formatura e marca pontos em bom comportamento. É o bonitinho, vá lá, o bonito, a sobrepor-se ao risco e à provocação. Provavelmente o realizador não quis. O compositor, no interior do folheto, começa por dizer que fazer música para filmes é fácil, para depois chegar à conclusão final de que afinal é difícil. Após a audição, fica-se no entanto com a ideia de que é fácil. Basta ter aprendido com o mega-sucesso de “O Piano”, de Michael Nyman, com quem, aliás, Alexander Balanescu trabalhou durante vários anos. Ou seja, bonito significa neste caso redondo, romântico e previsível. Para a consagração nos “tops” falta a “Angels & Insects” uma melodia como “The heart ask pleasure first”, de “O Piano”. Terá alguma importância? (6)

Tommy Makem – “From The Archives”

pop rock >> quarta-feira >> 17.01.1996


Tommy Makem
From The Archives
SHANACHIE, DISTRI. MC – MUNDO DA CANÇÃO



Novo reencontro com a primeira geração de cantores irlandeses, sem os quais o aparecimento das bandas urbanas, nos anos 70, não teria sido possível. Tommy Makem é uma das vozes pioneiras do canto tradicional e um dos poucos tocadores de banjo irlandeses que permaneceram deste lado do Atlântico, deixando a sua obra gravada em discos como “Na Evening with Tommy Makem”, “Lonesome Waters”, “Rolling Home” e “Songbag”, os quais serviram de material de base para a presente colectânea. Para se apreciar em pleno estas baladas, reduzidas à sua expressão e beleza essenciais, poderá começar-se por ouvir Christy Moore e a partir daí ir recuando, até deparar com a luminosidade sobrenatural de um tema como “The bard of Armagh”. Já devem os leitores ter notado, aliás, uma certa tendência recente deste vosso servidor em chamar a atenção para alguns dos principais pilares da música folk das Ilhas Britânicas. Discos que por vezes se fazem difíceis ao ouvido, pouco dados a que lhes afaguem a pele sem lhes tocar nas entranhas. O tempo é de triagem. Entre quem procura na “folk” nada mais que o exotismo – esses já terão a sua dose e andarão a procurar sustento noutros lados – e quem nesta música encontra um rumo e uma razão de ser. Estes últimos têm à sua disposição o Infinito. Mas sosseguem os espíritos mais impacientes e “speedados”. Em breve retomaremos o fio à meada, abrindo as mandíbulas aos “jovens leões” que seguiram a Tradição como uma espada. Ou uma presa. (8)

pop rock >> quarta-feira >> 17.01.1996


Squeeze
Ridiculous
A & M, DISTRI. POLYGRAM



Há algo de nostálgico na música dos Squeeze e na persistência com que a banda de Glen Tilbrook e Chris Difford insiste em trazer o espírito da “power pop” dos idos de 80 para os dias de hoje. “Ridiculous” não é melhor nem pior que os outros discos, nomeadamente o anterior, “Some Fantastic Place”. É com prazer que reencontramos as mesmas melodias, cuja estrutura não poderia ser mais simples, embelezadas embora por uma iconografia adolescente, já algo desbotada e deslocada, inspirada nos Beatles. Precisamente, o que faz o encanto da música dos Squeeze é essa discrepância temporal entre o apego à memória e a recusa em evoluir para modelos mais actuais. Os Squeeze nunca vão mudar, nem ninguém há-de querer isso. “Walk away” é o exemplo máximo de anacronismo enquanto “This Summer” recua até aos quatro de Liverpool e à ingenuidade mágica de uma qualquer “Michèle”… Deixemos passar “Ridiculous” sem lhe fazer mal. Seria ridículo destruir uma estufa. Ou desprezar um oásis. (6)