Arquivo da Categoria: Experimental

Carlos Zíngaro + José Mário Branco + Luís Cília + Nuno Rebelo + U-NU + Júlio Pereira + Vai de Roda + Realejo – “O Que Está Para Acontecer”

pop rock >> quarta-feira >> 04.01.1995


O QUE ESTÁ PARA ACONTECER

CARLOS ZÍNGARO



MÚSICO DE GRANDE PROJECÇÃO ALÉM-FRONTEIRAS, CARLOS Zíngaro nunca teve em Portugal o reconhecimento merecido. 1995 será mais um ano em que o violinista se desdobrará por várias actividades no âmbito da nova música europeia. A reedição, no início deste ano, do compacto “Solo”, gravado no Mosteiro dos Jerónimos com o selo In-Situ, cuja primeira edição se esgotou, será acompanhada, na mesma editora, pelo lançamento de um álbum de genérico “Periferia”, por um quarteto do qual fazem parte, além de Zíngaro, o saxofonista Daunik Lazro, o contrabaixista Jean Bolcato e o pianista Sakis Papadimitriou.
Ainda em matéria de novos discos, sairá este ano, na Avant, editora de John Zorn, a ópera interactiva “Golem”, do teclista Richard Teitelbaum, na qual participam o violinista português, a cantora Shelley Hirsch, o guitarrista David Moss e o trombonista George Lewis.
Em termos de espectáculos, Carlos Zíngaro tem programado um concerto em Colónia, realizada pela WVDR (Rádio Televisão da Vestefália), integrado num festival de nova música, ao lado de outros dois violinistas, Mark Feldman e Malcolm Goldstein – todos em actuações a solo. No Festival de Artes de Seul, na Coreia, Zíngaro apresentará nos finais de Setembro um projecto duplo, com actuações com músicos locais e, em paralelo, espectáculos de bailado com música ao vivo e a participação dos bailarinos João Natividade e Margarida Bettencourt.
O mesmo formato, apresentado pela primeira vez em Macau no passado mês de Dezembro, será seguido em Tóquio, onde o músico português tocará com executantes japoneses. “A editora de Hong-Kong, Sound Factory, mostrou-se por seu lado interessada em editar, caso as ‘masters’ estejam em condições, a banda sonora deste projecto, que foi apresentado me Macau”, acrescenta Carlos Zíngaro.
Em Portugal, está agendado um concerto ao ar livre, em Idanha-A-Nova, com o compositor e percussionista espanhol Llorenç Barber, a realizar em Agosto numa ponte romana que liga Portugal a Espanha. Neste projecto, Barber tocará os sinos de vários campanários de igrejas da região.

JOSÉ MÁRIO BRANCO




AINDA NÃO SE ESGOTARAM OS ECOS DO espectáculo “Maio Maduro Maio”, realizado recentemente no S. Luiz, em Lisboa, e José Mário Branco não tem mãos a medir. O novo ano tem uma agenda carregada à sua espera. 1995 será o ano de edição em compacto da obra integral deste autor, numa editora que deverá ser a Edisom. Serão sete CD, os três que já saíram – o duplo “Mudam-se os Tempos” e “Margem de Certa Maneira”, e “Correspondências” – aos quais se irão juntar “A Mãe”, “A Noite”, “Ser Solidário / FMI” e um sétimo disco, que “terá coisas dispersas, anteriores, como ‘O soldadinho’, ‘Cantigas de amigo’, temas do GAC e alguns inéditos”. Os discos serão vendidos separadamente mas, ao mesmo tempo, será editado um pacote com os sete, contendo um livro autobiográfico e com a análise da obra e iconografia de José Mário Branco. Também para este ano está prevista a saída do disco, na Sony Music, com a gravação ao vivo do espectáculo “Maio Maduro Maio”. Outro dos projectos de José Mário Branco é a produção, em Janeiro, de um disco de fados, ao vivo, de Camané: “Vai ser gravado em condições relativamente inéditas em termos de fado, ou seja, vamos recriar, durante quatro noites, o ambiente pré-preparado de uma casa de fados, com pessoas escolhidas, vinho tinto e chouriço assado, um bocado como na televisão, com possibilidade de repetir”. Logo a seguir, será a gravação de um projecto de José Peixoto, José Salgueiro, Paulo Curado e João Paulo, um disco de canções infantis cantadas por Maria João. José Mário Branco terá a seu cargo os arranjos e a direcção musical. O disco chamar-se-á “Bom Dia, Benjamim” e é “a história de um dia da vida de um miúdo de cinco anos de idade” – após o que será a entrada em estúdio dos Gaiteiros de Lisboa, para a gravação do seu álbum de estreia, com edição prevista para o meio do ano, coincidindo com um concerto misto de José Mário Branco com o grupo, inicialmente agendado para este mês mas que acabou por ser adiado e substituído pelo espectáculo “Maio Maduro Maio”.

JÚLIO PEREIRA
JÚLIO PEREIRA ESTÁ ZANGADO COM A EDITORA, A SONY MUSIC. O ALBUM “ACUSTICO”, EDITADO no final do ano passado, foi bem recebido pela crítica, o que, segundo o músico, justificaria da parte da editora uma aposta maior em termos de promoção: “Eu, projectos para este ano, tenho vários, mas não me apetece divulga-los agora. Os projectos passam muito pela resposta aos trabalhos que a gente faz. Neste momento, ainda estou à espera que a minha editora, que é a Sony, avise e informe as pessoas do meu país, e, inclusive, do estrangeiro, que o meu disco saiu. Não quero entrar numa má, mas neste momento não me apetece ficar calado.” Está dado o recado.

LUÍS CÍLIA




“A ÚNICA CERTEZA É QUE NO FINAL DE JANEIRO sairá um disco meu”, diz Luís Cília, em relação a projectos para 1995. O disco, instrumental, será editado sob a etiqueta Strauss e conterá extractos de bailados, para a Gulbenkian, que o artista foi compondo ao longo dos últimos anos, em vários locais, como a Holanda e a Suíça. O saxofonista Edgar Caramelo será o único convidado presente. Para além deste álbum, Luís Cília não arrisca outros prognósticos. “Em Portugal não se pode fazer grandes projectos”, diz. “Sobretudo depois do que se gastou com Lisboa 94, com a Lisboa ‘gutural’, como eu lhe chamo. Não sei se restou algum dinheiro para os artistas portugueses. Projectos, em Portugal, só se forem a curto prazo.” Luís Cília conta também escrever a música para a peça “A Morte de Um Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller, que será levada à cena pela companhia de teatro Malaposta.

NUNO REBELO




NÃO APARECE MUITO NA IMPRENSA, GOSTA DE participar em projectos multimédia, de experimentar campos musicais alternativos e gravou um disco lapidar: “Sagrações do mês de Maio”. Este ano Nuno Rebelo, ex- Street Kids, ex-Mler Ife Dada e ex-Plopoplot Pot, vai dar um concerto à hora de almoço no Acarte, no dia 2 de Fevereiro. “Com música ao vivo sobre um vídeo do Edgar Pêra, ‘Um Mundo sobre o Outro, Desbotado’ baseado numa novela de Maria Isabel Barreno.” O vídeo, gravado para o ISPA, tinha 20 minutos de duração e música composta por Rebelo. No espectáculo ao vivo será, porém, apresentada uma versão diferente, intitulada “As alucinações estão aí”. No palco vai estar, ao lado de Nuno Rebelo, o guitarrista Jean-Marc Montera, que já tinha tocado este ano no S. Luiz, em Lisboa, com Paul Lovens e Carlos Zíngaro. Além deste concerto, Nuno Rebelo refere que apenas tem na agenda compor música para “umas peças de teatro à espera de subsídio, aquelas coisas…”.

REALEJO
OS REALEJO SÃO UM GRUPO DE MÚSICA DE RAIZ TRADICIONAL DO QUAL MUITO SE ESPERA PARA este ano. Fernando Meireles, construtor e tocador de sanfona, anunciou que a banda vai estar em estúdio em Janeiro e Fevereiro para gravar o álbum de estreia que em princípio deverá sair no início da Primavera. “Quem vai produzir o disco é o Luís Pedro Fonseca, que trabalhou no álbum da Né Ladeiras. Penso que ele irá vender o disco à EMI”. “Tudo surgiu”, explica Fernando Meireles, “por causa da nossa participação no disco do Fausto”. O álbum dos Realejo esteve para ser feito no Nova Estúdio, o que não aconteceu porque entretanto “surgiram umas complicações”. “Eles não tinham dinheiro para investir, tivemos que ser nós a fazê-lo”, diz Fernando Meireles. Depois da apresentação do disco, este músico é de opinião que para os Realejo “as coisas irão tomar um novo rumo” em 1995, embora reconheça que o ano que passou foi aquele em que os Realejo fizeram mais espectáculo – “tem vindo a melhorar de ano para ano!”

U-NU




OS U-NU SÃO UMA NOVA BANDA DO PORTO CUJA estreia discográfica, “A Nova Portugalidade”, o POPROCK inclui na lista dos dez melhores discos portugueses do ano. Para já, segundo o letrista do grupo, José João Cochofel, ex-membro dos Clã, os U-Nu “vão aguardar pelo tipo de aceitação que o disco terá e ver até onde poderá chegar”. A intenção é fazer espectáculos, “muitos espectáculos”. Para já, a apresentação em Lisboa de “A Nova Portugalidade” está marcada para o próximo dia 9, ao fim da tarde, no Chapitô. À noite, a banda fará uma actuação ao vivo no novo bar deste recinto. Dia 12, no Johnny Guitar, haverá nova oportunidade para o público lisboeta escutar a música inovadora dos U-Nu.
Num ano que para este grupo se poderá considerar muito positivo, José João Cochofel faz o balanço e acha que “houve espaço para os novos projectos”, embora considere que 1994 foi um ano “um bocado confuso”. “Houve coisas”, diz, “que surgiram de repente e de que ninguém estava à espera, como é o caso do Abrunhosa. Ninguém pensaria que o fenómeno tomasse as proporções que tomou. Por outro lado, so grupos mais consagrados andaram um bocado mais apagados”. Quanto aos U-Nu, não têm grandes razões de queixa, embora reconheçam que a época escolhida para a apresentação à editora do projecto “A Nova Portugalidade”, há cerca de dois anos, não tenha sido muito propícia – “o trabalho talvez estivesse ainda um pouco verde ara editar”. Certo é que os U-Nu apresentaram então uma maqueta “praticamente igual ao que seria o disco” e pouco tempo depois a editora, a Numérica, aceitou fazer a edição de um trabalho que o próprio José João Cochofel considera ser “um bocado difícil”. Até agora “A Nova Portugalidade” tem já vendida cerca de meia edição, o que não é mau para um disco com as suas características e acabado de editar. Apesar de “alguma confusão em certas lojas, que não têm o disco”, como acentua José João Cochofel, para quem a explicação para isto talvez seja “o facto de ser Natal…”.

VAI DE RODA
“VAI DE RODA” E “TERREIRO DAS BRUXAS” SÃO dois álbuns, distantes um do outro no tempo, que vieram recolucionar o conceito de música de raiz tradicional feita em Portugal. É pois com enorme expectativa que se aguarda o terceiro capítulo da obra deste grupo liderado pelo tocador de sanfona, e outros instrumentos, Tentúgal. O final da gravação deverá acontecer, segundo Tentúgal, no final de Janeiro, estando a edição do álbum apontada para a Primavera. O disco será, em princípio, editado pelos próprios músicos do grupo, não estando posta de parte a hipótese de uma editora o comprar. “Tivemos cinco propostas de editoras, mas nenhuma delas nos agradou, portanto resolvemos tomar nós a peito todo o processo”. Sobre os actuais Vai de Roda, Tentúgal diz que a sua formação “está mais madura” e sobre o terceiro disco da banda apenas adianta que “vai ter a inclusão de novos instrumentos, como a gaita-de-foles a ganhar uma maior predominância”. Neste momento, além do próprio Tentúgal, o grupo tem como gaiteiro principal Jorge Lira. Quanto a espectáculos, na altura em que os Vai de Roda deixaram de ter a Mundo da Canção como empresária – “estamos autónomos” -, incluindo o de apresentação do novo disco, irão ter lugar sobretudo na Galiza, à semelhança do que aconteceu em 1993.
Este ano será ainda, para Tentúgal, um ano de “animação”. O músico é produtor da Filmógrafo, com actividade no cinema de animação, tendo composto a banda sonora de “Os Salteadores”, uma curta-metragem realizada por Abi Feijó, que ganhou um prémio em Aix-la-Provence, obteve a Espiga de Ouro em Valladolid e agora está proposta para os Óscares. Tentúgal encontra-se neste momento a fazer música para os próximos projectos de Feijó.

Kronos Quartet – “Kronos Quartet Em Lisboa – O Violino De Elvis”

cultura >> sábado >> 17.12.2022


Kronos Quartet Em Lisboa
O Violino De Elvis


OS QUARTETOS de corda já não são o que eram. Andam doidos. Embora nem tanto como seria de desejar. Os Kronos Quartet, ilustres intépretes de peças contemporâneas que toda a gente com nome faz questão de lhes oferecer, apresentaram-se em boa forma quinta à noite no Grande Auditório do edifício sede da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa.
Uma assistência chique, constituída em grande número pelos titulares das cadernetas para a temporada inteira, encheu de elegância o Grande Auditório. Alguns aproveitaram mesmo essa titularidade para retemperarem forças de um estafante dia de trabalho, ressonando alto e bom som durante o espectáculo, numa tónica de experimentalismo e manifestação óbvia de apreço pela boa música dos Kronos Quartet. Menos felizes, alguns apreciadores de facto da música do grupo ficaram à porta a chuchar no dedo. Lotação esgotada.
“Mugam sayagi”, de Franghiz Ali-Zadeh deu início ao concerto. Peça clássica na sua estrutura – em comparação com algumas das loucuras que se seguiram – teve a grande virtude de nos deliciar, na exposição inicial, com uma extraordinária prestação a solo da violoncelista Joan Jeanrenaud. Intimista, nos limites do silêncio, a intérprete loura de calças prateadas fez brotar do violoncelo um jardim de harmónicos de cores e tempos de grande nitidez. “Dinner music for a pack of hungry cannibals”, de Raymond Scott, introduziu uma nota de humor burlesco, nas suas cadências sincopadas e piscadelas de olho ao jazz. “Mach”, de John Oswald, construiu-se no embate das cordas contra uma orgia de elctrónica agressiva em fira pré-gravada, pondo em evidência as técnicas de justaposição e colagem típicas do criador do “Mystery laboratory”. Os músicos correram atrás dos “bits” e, pelo meio, houve uma pausa em que apeas mimaram os gestos de execução, sem extraírem qualquer som dos instrumentos. Teatro puro da imaginação. Cage, claro, ou Maurice Kagel, sorriram da primeira fila.
Seguiu-se um tema naturalista, “Mtukwekok naxkomao” (“os bosques que cantam”), de Brent Michael Davis, com os dois violinistas, John Sherba e David Harrington, o violista Hank Dutt e a já citada Joan Jeanrenaud a substituírem os arcos por barras de metal e a agitarem no ar, em movimentos circulares, cordéis cuja vibração imitava sons de pássaros. Utilizaram ainda um toro de madeira, por sinal bem afinado. O bosque cantou. A primeira parte fechou com o “Quarteto nº 4” de Sofia Gubaidolina, dez minutos de “pizzicatos” insistentes e alguns exercícios de ginástica que puxaram ao bocejo.
A segunda parte foi ocupada na íntegra por mais de meia hora de “The book of alleged dances”, dividida em dez partes, de John Adams. Música de câmara minimalista, com esporádicos suportes de “loops” rítmicos samplados. A correcção formal não fez esquecer a ausência de emoção.
O melhor, porque mais vibrante, ficou guardado para o fim. No primeiro “encore”, “A roda de água”, retirado do álbum do grupo “Pieces of Africa”, o pano de fundo do palco abriu, de maneira a poder ver-se por detrás dos músicos um dos repuxos de água do jardim do auditório. As inflexões arabizantes da música afinaram com as águas no mesmo ritmo de hipnose. Depois, a loucura final, no segundo e último “encore”, em “Elvis everywhere”, uma paródia sobre samplagens de canções de Elvis Presley e excertos de vozes gravadas das múltiplas convenções que nos Estados Unidos procuram manter vivo o mito de “The King”. O “rock ‘n’ roll” derrotou uma vez mais o academismo. Ou teria sido o contrário?

Andy Partridge & Harold Budd – “Through The Hill” + Michael Nyman – “Michael Nyman Live”

pop rock >> quarta-feira >> 30.11.1994


Pianos E Outros Instrumentos

Andy Partridge & Harold Budd
Through The Hill (7)
All Saints, distri. Megamúsica
Michael Nyman
Michael Nyman Live (6)
Ventura, distri. EMI – VC



Coisa triste o que aconteceu a Michael Nyman, obrigado a carregar nas costas o peso de uma maldição, de um piano bolorento chorando à beira-mar. Ou seja, Nyman transformou-se num carregador de pianos. Depois do filme de Jane Campion, depois da banda sonora original, depois da versão completa em “suite”, chegou avez de “The Piano” se mostrar ao vivo, em concertos realizados em Espanha. É muito piano para um homem só. Acompanhado pela habitual “ensemble”, a “suite” onde figura o tema de maior sucesso, “The heart asks for pleasure first”, surge aqu mais lenta e presa de movimentos, não deixando por isso de constituir nova oportunidade para os recém-convertidos à música de Nyman se lambuzarem com mais um prato de pós-modernismo, a ementa com mais saída de momento. Depois há música de “The Draughtsman’s Contract” e a excelente (no original em estúdio, “The Kiss and Other Movements”) “suite” “Water dances”. Inédita e mais curiosa que verdadeiramente interessante é “The upside-down violin”, um “apanhado” de música da tradição árabe-andaluzcada pela Orchestra Andalusi de Tetuoanque e posteriormente trabalhada, com mão um pouco rígida, eplo “ensemble”.
“Through the Hill”, ao contrário do carregador de pianos, não aborrece, o que desde logo faz marcar pontos a seu favor. Budd e Andy Partridge (excêntrico dos XTC, embora aqui não se note) entregam-se à onda de “relaxe” do costume. Dividiram-na em três núcleos temáticos, “Geografia”, “Estruturas” e “Artefactos”, separados por pequenos interlúdios designados “mãos”, e ilustraram-nos graficamente com gravuras alusivas. Partridge recria ocasionalmente a “infinite guitar” de Michael Brook e, com maiores ou menores sobressaltos (a música não é neste caso tão planante como costuma acontecer quando Budd está sozinho), deslizamos com um sorriso de beatitude nos lábios para o interior do universo poético-abstracto de “Through the Hill”. Budd não se dispensa de ler alguns poemas, dando rédea livre à sua faceta recentemente descoberta de declamador sonambúlico, e a presença de Partridge corta, quando menos se espera, a serenidade reinante com badaladas de metal ou zumbidos de insecto convertido ao romantismo. Música ambiental que não deixa adormecer, mesmo quando o factor novidade, em discos deste tipo, seja algo que se faz notar somente de dez em dez álbuns, pelo menos.