Arquivo da Categoria: Neo-Clássico

Cyrille Verdeaux – “Messenger Of The Sun”

pop rock >> quarta-feira >> 28.02.1996

Cyrille Verdeaux
Messenger Of The Sun
MUSEA, DISTRI. PLANETA AZUL

O autor da “Clearlight Symphony”, manifesto do ácido sinfónico dos anos 70, que recentemente requentou numa versão número dois, coloca aqui a solo a sua assinatura em mais uma variante da sua omnipresente sinfonia. De louvar a permanência da mística original, que o Mike Oldfield francês soube guardar ao longo de duas décadas. Por vezes dado a excessos, seja na vertente mais classicista da sua música ou na cedência, como em “Energy”, a malabarismos electrónicos à Jean-Michel Jarre, o piano e a visão de Verdeaux regulam os comandos para o coração do sol nesta viagem de mais de setenta minutos pelos meandros da teosofia e dos “mestres do mundo”. Quem fixou na memória a sinfonia das pastilhas Clearlight reconhecerá aqui o retorno de alguns dos seus acordes, o borbulhar dos sintetizadores, bem como a presença da guitarra de Christian Boule. Os tempos mudaram, mas a “trip” de Verdeaux está para durar. (7)

Alexander Balanescu – “Angels & Insects”

pop rock >> quarta-feira >> 24.01.1996


Alexander Balanescu
Angels & Insects
MUTE, DISTRI. BMG



Longe vão os tempos em que o quarteto do violinista romeno Alexander Balanescu armava ratoeiras aos clássicos do fraque e da borboleta. Para trás, esquecidos, ficaram a aventura em torno da música dos Kraftwerk, em “Possessed”, ou o manifesto político “Luminitza”. “Angels & Insects”, banda sonora do filme de Philip Haas, com o quarteto abraçado, ou a braços, À Luminitza Chamber Orchestra, regressa à formatura e marca pontos em bom comportamento. É o bonitinho, vá lá, o bonito, a sobrepor-se ao risco e à provocação. Provavelmente o realizador não quis. O compositor, no interior do folheto, começa por dizer que fazer música para filmes é fácil, para depois chegar à conclusão final de que afinal é difícil. Após a audição, fica-se no entanto com a ideia de que é fácil. Basta ter aprendido com o mega-sucesso de “O Piano”, de Michael Nyman, com quem, aliás, Alexander Balanescu trabalhou durante vários anos. Ou seja, bonito significa neste caso redondo, romântico e previsível. Para a consagração nos “tops” falta a “Angels & Insects” uma melodia como “The heart ask pleasure first”, de “O Piano”. Terá alguma importância? (6)

JPP – “Devil’s Polska”

pop rock >> quarta-feira >> 17.01.1996


JPP
Devil’s Polska
GREEN LINNETT, DISTRI. MC-MUNDO DA CANÇÃO



Os Jarvellan Pikkupelimannit, ou JPP, como se autodesignaram a partir de 1988, quando alcançaram a consagração no seu país de origem, a Finlândia, com o duplo álbum “Kaustinen Rhapsody” (considerado o “melhor do ano” pelo diário “Helsingin Sanomat”) e a atribuição do prémio Tonnustus, pela Corporação de Rádio Finlandesa, dedicam-se ao reportório de violino. “Devil’s Polska” (no original “Pirun Polska”) não esconde o currículo clássico e de conservatório dos seus el, mesmo se nos seus primórdios, no início dos anos 80, o grupo se reivindicasse como descendente directo de uma linhagem de músicos populares que elementos populares que já no final do século passado animavam as aldeias de Kaustinen e Jarvela. O seu nome significa, de resto, “os pequenos músicos de folclore de Jarvela”. Por serem na altura ainda muito jovens e, quiçá, de baixa estatura. Os elementos do actual septeto já dispersaram os seus talentos pelos Niekkutallari, Koinurit, Salamakannel ou Maria Kalaniemi, entre outros. Em contrapartida ao seu passado regional, a música deste quarto álbum da banda é de iluminados. O reportório incide sobre polskas, polkas, “schottisches”, quadrilhas, valsas, marchas, um 2Tango bonito” e até um “Irish coffeee”, servido, evidentemente, com natas muito geladas. Das tradições finlandesa, mas também sueca, da região de Carélia, mais uma polka alemã e a tal polska do diabo. Experimentem começar, sem aviso prévio, pelo tema n 4, “Ellun sotiisi”, e deixem-se cair para o lado. É das melodias mais envolventes que tenho escutado nos últimos anos. Ou então, lá mais para a frente, “Kulkan kakkospolska”. E há muitas mais do estilo. Música tradicional com a complexidade, a riqueza harmónica e a sumptuosidade do Barroco. Cinco violinos, um baixo acústico e um órgão de pedais. “New finnish folk fiddling”, apregoa o subtítulo. Parece pouco? É mais do que suficiente para pôr qualquer um em órbita. Obrigatório. (9)