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Bob Dylan + Sérgio Godinho + Laurie Anderson – “Três Maneiras De Escrever Uma Canção”

cultura >> quarta-feira, 23.06.1993


Três Maneiras De Escrever Uma Canção

LAURIE ANDERSON e Sérgio Godinho asseguram a primeira parte do espectáculo de Bob Dylan a 10 de Julho no Coliseu do Porto e a 13 no Estádio do Restelo, em Lisboa. O concerto de Dylan no Coliseu do Porto contará apenas com a presença do autor do álbum “Tinta Permanente”. Uma dupla de “escritores de canções”, diferentes no estilo, juntos pela primeira vez para contarem as suas histórias de hoje e de sempre. Dylan, o mítico “cantor de protesto” dos anos 60, cuja mensagem cabou por ser “levada pelo vento” e que recentemente regressou às origens da música rural americana, no álbum “Good as I Been to You”; Sérgio Godinho, o cronista do quotidiano e dos sonhos da pequena e média burguesia portuguesas.
Mais amplo é o uso que Laurie Anderson faz das palavras. Servindo-se da electrónica como filtro transformador da voz e dos sons produzidos pelo próprio corpo, a poetisa, compositora, violinista e “performer” esculpiu os sinais e paisagens interiores das grandes metrópoles norte-americanas em álbuns como “Big Science”, “Home of the Brave”, “Strange Angels” ou a mega-antologia “United States”.

Vários (McLaughlin, Al Di Meola, Paco de Lucia, Luís Fernando) – “Lendas Das Guitarras” (concerto)

pop rock >> quarta-feira >> 26.05.1993


LENDAS DAS GUITARRAS

“Friday Night in San Francisco” registou nos finais dos anos 70 o conjunto de guitarras de John McLaughlin, Al Di Meola e Paco de Lucia. Os três actuaram em espectáculos separados no festival “Lendas da Guitarra”, realizado no ano passado em Sevilha, onde também participou outro guitarrista de nomeada, Vicente Amigo. É este quarteto de “virtuoses” que se vai apresentar no nosso país, aos quais se juntará ainda, na qualidade de convidado, o português Luís Fernando, actual “axeman” da banda de Adelaide Ferreira.
Pioneiro dos cruzamentos jazz-rock, com os Mahavishnu Orchestra, e do jazz com a música indiana, nos Shakti, John McLaughlin é um dos guitarristas que marcaram a música popular deste século. Possuidor de uma técnica espantosa, tanto na guitarra eléctrica como na acústica, fez parte de bandas lendárias dos anos 70 – Graham Bond Organization, Brian Auger’s Trinity, Tony Williams Lifetime – e tocou, entre outros, com Gunter Hampel, John Surman, Jimi Hendrix, Dave Holland, Wayne Shorter, Charlie Haden, Larry Shankar e Carlos Santana. E com Mils Davis, nos clássicos “In s Silent Way” e “Bitches Brew” que ajudaram a inventar uma nova voz para a guitarra. “Extrapolations”, a solo, “The Inner Mounting Time Flame” e “Birds of Fire”, na Mahavishnu Orchestra, perduram como bons exemplos dos tempos em que o jazz buscava alento noutras músicas.
Paco de Lucia e Vivente Amigo representam duas gerações diferentes da guitarra de flamenco. “Monstro sagrado” e autor de obras como “Fantasia Flamenca”, “Fuente e Caldal”, “Almoraine”, o “Concerto de Aranjuez”, de Joaquin Rodrigo, e “Zyriab”, o primeiro, benjamim mas já senhor de muitos dos segredos do “duende flamenco”, o segundo. Os dois já actuaram em Portugal em concertos memoráveis que deram a escutar a vibração e o fogo da alma cigana no contacto com o jazz e com as surpresas da improvisação. Completa este quarteto de luxo Al Di Meola, outrora membro de outra grande banda de jazz-rock, os Return to Forever, de Chick Corea e Stanley Clarke, e argonauta das experimentações electrónicas com o Synclavier.
DIA 25, CAMPO PEQUENO, 22H00

Jimi Hendrix – “Jimi Hendrix recordado – De Novo A Revolução”

pop rock >> quarta-feira >> 26.05.1993


Jimi Hendrix recordado
DE NOVO A REVOLUÇÃO


Jimi Hendrix e a sua música continuam a ser objecto inesgotável de inspiração. A “nova música” presta-lhe homenagem, através do quarteto de Christy Doran, em concerto que se prevê fértil em surpresas.
Estreado a 23 de Abril último na Suiça, o espectáculo “Hendrix Tribute” chega a Portugal para nos relembrar a importância que continua a ter a estética revolucionária do guitarrista negro que chocou a América na década de 60. Outro guitarrista, o irlandês Chrusty Doran, traduziu e recuperou as experiências do mestre para o contexto do seu próprio trabalho experimental, num projecto que conta ainda com a colaboração e presença em palco de Phil Minton, voz e trompete, Amin Ali, baixo, e Freddy Studer, bateria.
Christy Doran, devem conhecê-lo alguns melómanos do álbum que gravou para a ECM com outro dos músicos que vai estar presente em Portugal, Freddy Studer, além de Stephen Wittwer: “Red Twist and Tuned Arrow”. Outros, mais embrenhados na floresta das novas músicas europeias, já terão travado conhecimento com ele nas obras que editou na editora austríaca Hat Hut: a solo em “What a Band” – onde explora uma panóplia de efeitos como o “digital delay”, os “loops” e sobreposições múltiplas, numa aproximação tecnológica ao universo de Hendrix -, com Ray Anderson, Martin Ehrilch e Urs Leimgruber em “Phoenix”.
Membro fundador, nos anos 70, da banda de jazz de fusão OM, Christy Doran tem vindo a explorar novas linguagens para a guitarra eléctrica, complementares das de Fred Frith, Sonny Sharrock, Henry Kaiser, James Blood Ulmer ou Arto Lindsay, entre outros.
Freddy Studer, baterista suíço que já havia trabalhado com Doran no grupo OM, além de no citado álbum da ECM, é outro explorador nato cujo estilo abarca áreas tão díspares como o rock psicadélico, o jazz rock, os rhythm ‘n’ blues, o be-bop, o free jazz e as músicas étnicas. Fezx parte dos Hand in Hand, ao lado de Pierre Favre, Paul Motian e Nana Vasconcelos. Entre os vários músicos com quem tocou, contam-se John Zorn, Chick Corea, Joe Henderson, Dave Holland, Billy Cobham, Evan Parker, Arte Lande, Andrew Cyrille, Kenny Wheeler, Albert Mangelsdorff, Joachim Kühn, Enrico Rava e John Abercrombie. Partilha presentemente o projecto Drum Orchestra com Pierre Favre.
Embora pouco conhecido entre nós, Phil Minton já actuou em Portugal num importante ciclo de música improvisada inglesa realizado há alguns anos no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian (onde também estiveram presentes – quem se lembra? – Steve Beresford, Lol Coxhil, Max Eastley, British Summertime Ends…). Tocou e cantou na grande banda de Mike Westbrook, com Julie Tippetts e Maggie Nichols nos Voice e, mais recentemente, com Lindsay Cooper, nos Oh Moscow.
Phil Minton merecem que o ouçam e, alguns, porventura se escandalizem, em álbuns que fazem do “mainstream” pouco mais que lixo: “Welfare State” (com Lol Coxhill), “A Doughnut in both Hands” (solo), álbum homónimo com Fred Frith e Bob Ostertag, “Land of Stone” (com os Talisker de Ken Hyder(, “Full House” (com David Moss), “AMMO” (com Roger Turner, que actuou a seu lado em Portugal), “Ways” (com Veryan Weston), “Rags” (com Lindsay Cooper), bem como dois outros projectos de fôlego: “Songs from a Prison Diary”, para 22 vozes, e “Spirits Rejoice”, pela Dedication Orchestra.
Em não menos prestigiosas companhias tem andado o baixista norte-americano Amin Ali: George Adams, David Murray, Ronald Shannon Jackson e James Blood Ulmer, este um dos guitarristas que melhor conseguiu personificar a estética de ruptura herdada de Jimi Hendrix.
“Hey Joe”, “Foxy Lady” e “Electric Ladyland” são alguns dos temas de Hendrix que o quarteto vai interpretar e que o seu autor decerto aprovaria.
AULA MAGNA DA REITORIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA,
27 DE MAIO, 22H00