Arquivo mensal: Setembro 2016

Art Zoyd – “Faust”

Pop Rock

3 de Julho de 1996
poprock

Art Zoyd
Faust
EARATIONAL, DISTRI. ANANANA


az

Este “Faust” é a componente musical do espectáculo realizado o ano passado no auditório da Culturgest, onde os Art Zoyd acompanharam ao vivo a projecto do “Fausto” de Murnau. Na altura, a música deste agrupamento francês soou bem e fez sentido, acrescentando novas sombras e novas luzes ao jogo contrastado de emoções do cineasta mestre do expressionismo alemão. Fora de contexto, porém, este objecto musical perde grande parte da sua coerência, oferecendo uma sequência de paisagens/episódios ambientais onde falta precisamente aquilo que sobra no seu complemento cinematográfico: a força expressiva e dramática, elementos até aqui omnipresentes na obra dos Art Zoyd, que marcaram obras como “Le Marriage du Ciel et de l’Enfer”, o monumental “Berlin” e até, embora com menor intensidade, o duplo “Marathonnerre”. “Faust” é assim o primeiro, e até à data, único elo fraco numa cadeia de poder. (6)



Rhys Chatham & Martin Wheeler – “Neon”

Pop Rock

26 de Junho de 1996
poprock

Rhys Chatham & Martin Wheeler
Neon
NTONE, DISTRI. MVM


rc

Mini compacto com 22 minutos exploratórios provenientes do departamento ambiental da Ninja. Rhys Chatham, pioneiro das manipulações perigosas na guitarra, traduz aqui para trompete traficado as mesmas teorias herdadas do “hip hop”, do “acid jazz” e dos passeios pelo quarto mundo de Jon Hassell. O seu parceiro de ocasião junta-lhe as inevitáveis samplagens e programações rítmicas. Agreste e ácido em “Charm”, qual Jimi Hendrix dos sopros, tribal em “Ramatek”, analítico em “Hornithology”, contemplativo em “Neon”, Rhys Chatham cola os universos de Ornette Coleman, Sonny Sharrock e Jon Hassell num híbrido que deixa patente ao mesmo tempo as potencialidades e limitações deste género de fusões. (7)



Tom Verlaine – “The Miller’s Tale”

Pop Rock

12 de Junho de 1996
reedições poprock

Tom Verlaine
The Miller’s Tale
2XCD VIRGIN, DISTRI. EMI – VC


tv

Tudo o que você sempre quis ouvir de Tom Verlaine mas não sabia como nem onde, ou seja, andava à toa. A presente antologia reúne num primeiro compacto gravações inéditas ao vivo realizadas pelo músico nova-iorquino a 3 de Junho de 1982 no The Venue, em Londres, enquanto o segundo passa em revista a carreira do ex-Television em sessões de estúdio compreendidas entre os tempos com a banda e o mais recente trabalho a solo. Como é habitual neste tipo de edições, o pacote inclui temas e versões inéditos, neste caso uma sessão de 1986 com Dave Bascombe, para um álbum inicialmente previsto para sair na Polygram mas até à data nunca editado, “singles” e “maxis” em vinilo e um CD promocional da edição francesa da EMI. Óptimo pretexto para saborear de novo as descargas de energia da “new wave” norte-americana e aqui, em particular, da guitarra com sonoridade de cutelo de um dos seus líderes. Tanto nos Television, grupo que chegou a rivalizar em importância, com os Talking Heads e os Feelies, como na sua obra solitária, onde um formalismo mais cerebral substituiu um fulgor mas também a menor elaboração do colectivo. Pessoalmente, preferimos o álbum de estúdio, onde o desenho tem outro rigor e a imagem da televisão se fixa com maior nitidez. (7)