Arquivo da Categoria: Críticas 1996

“Temps Perdu?” – “Terra Incognita” + Vários – “Twilight Earth”

pop rock >> quarta-feira >> 31.01.1996


Temps Perdu?
Terra Incognita (7)
Vários
Twilight Earth (8)
TIMEBASE, IMPORT. ANANANA



Mais uma editora a preencher o território “new age” para eruditos, geólogos e viajantes do “continuum” espácio-temporal, na linha dos catedráticos da Califórnia Steve Roach e Robert Rich. Os Temps Perdu? São um duo constituído por Catherine Ledit-Grützmann e Dirk Grützmann. Tocam instrumentos étnicos como flautas, ocarinas e xilofones, que juntam á parafernália digital mais requintada.
“Terra Incognita” é o seu segundo álbum, depois de “Athanor”, de 1993, onde exploraram musicalmente as terras vulcânicas de Lanzarote, nas Canárias, algo que o espanhol Ildefonso Aguilar já havia feito, nos anos 70, em “Erosión”. Agora foram buscar inspiração aos arquétipos de todas as culturas ancestrais, ao “espaço profundo” e à ficção científica. “Terra Incognita”, “lugar de luz e sombras”, sem grandes rasgos criativos, consegue prender a atenção, em parte devido à produção “estúdio igual a cosmos” de Steve Roach. Bons sons na onda do novo psicadelismo ecologista.
A colectânea “Twilight Earth” soa igualmente bem e vai até um pouco mais longe na originalidade das suas diversas propostas. Nela encontramos nomes importantes doo género, como Suspended Memories, Stephen Kent, Robert Rich, Bruno Heuzé (ex-Lightwave) e os próprios Temps Perdu? Com Anna Homler. Não há dúvida de que a Natureza está a tornar-se cada vez mais um lugar virtual.

John Hiatt – “Walk On”

pop rock >> quarta-feira >> 31.01.1996


John Hiatt
Walk On
CAPITOL, DISTRI. EMI-VC



Ao fim de 13 álbuns e de temas de sucesso na voz de Rosanne Cash (“The way we make a Broken heart”, do álbum “King’s Record Shop”, 1987, de Rosanne) e de Bonnie Raitt (“Thing called love” do álbum “Nick of Time”, de 1989, de Bonnie), John Hiatt continua à procura de um disco que lhe permita passar de excelente compositor elogiado pela crítica a cantor conhecido do grande público. Infelizmente, mais uma vez, a voz bluesy de Hiatt, a sua preferência pelo som acústico e as letras enfatizando a urgência de partir parecem demasiado subtis para atingir as rádios. É um facto que se trata de um álbum com momentos de folk-rock e country-rock belíssimos, como em “Dust down a country road”, na dylanesca “You must go” ou em “The river knows your name”, que nos faz regressar aos tempos dos Creedence Clearwater Revival. O álbum, parcialmente gravado em Nashville e em LA, não dispensa o piano eléctrico do próprio Hiatt e do ex-Heartbreaker Benmont Tench em temas mais sofisticados como “I can’t wait” ou mais roqueiros como “Shredding the document”. Se fosse radialista, não perdia de vista 2Cry love”, o tema mais comercial. (7)

Goran Bregovic – “Music Inspired And Taken From Underground”

pop rock >> quarta-feira >> 31.01.1996


Goran Bregovic
Music Inspired And Taken From Underground
MERCURY, DISTRI. POLYGRAM



Banda Sonora da mais recente produção de Emir Kusturica, premiada com a palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado. Bregovic apostou no registo étnico cigano cibernético. Parece que está na moda a ligação deste povo nómada com os computadores – vide a recente telenovela “explode Coração”. Os ritmos automáticos disparam e afogam as danças tradicionais das orquestras de metais ciganas de Slobodan Salijevic e Boban Markovic, gravadas “em casa”, na aldeia de Prekodolce. Os solistas de orquestra e um coro clássico dão o seu melhor, mas um tema como “Ya Ya (ringe ringe raja)” acaba por soar à pop imbecilóides dos Trio e, em “Cajesukarije”, a desbunda descai para o lado do “Burriquito como tu” ou lá o que era, só que cantada por vozes búlgaras. Mas esperem, não fujam já. Vale a pena deitar um ouvido para o momento mágico do álbum, “Ausência”, na voz da convidada especialíssima Cesária Évora. O resto fica para os amantes do “kitsch”. (4)