Arquivo da Categoria: Críticas 1996

Pedra d’ Hera – “Ventos”

pop rock >> quarta-feira >> 06.03.1996
portugueses


Pedra d’ Hera
Ventos
EDIÇÃO DE AUTOR



Os ventos estão de feição para tudo o que de uma maneira ou outra se aparenta com a “folk”. Passada a vaga dos projectos maiores, chegou a altura dos Pedra d’ Hera tentarem a sua sorte, embora sem o apoio de qualquer editora. “Ventos” é um álbum simpático e sem pretensões, numa linha idêntica aos dois trabalhos anteriores da banda, “Pedra d’ Hera”, de 1982, e “Suor da Terra”, de 1984, ambos reeditados em compacto simples no ano passado. Um aroma de teclados “new age”, um toque discreto na música tradicional, outro em José Afonso, outro ainda no fado de Coimbra em temas originais que dão a conhecer bons compositores e sofríveis cantores. Duas canções, em particular, mostram que o grupo, com outro tipo de produção, mais sofisticada, pode ter aspirações a entrar na primeira divisão: “Beira Interior” e “Os malmequeres” (com o refrão entoado por um coro de crianças), duas melodias que contrastam com a redundância orientalizante de “Nagasaki… Hiroshima”, recuperada do álbum de estreia. (6)

Franco Battiato – “Shadow, Light”

pop rock >> quarta-feira >> 06.03.1996


Franco Battiato
Shadow, Light
HEMISPHERE, DISTRI. EMI-VC



Veterano Da música popular italiana, Battiato é o responsável pela introdução da música minimal repetitiva, num contexto pop, no seu país, através de um álbum lançado nos anos 70 pela Island, “Clic”. Nunca mais se ouviu falar dele depois disso até aparecer há alguns anos atrás envolvido com uma cantora de variedades, em “Mondi Lontissimi”, numa operação de pop sofisticado mas sem grande criatividade. “Shadow, Light” assinala o retorno à música séria e às peças conceptuais. Neste caso uma missa composta há dois anos, uma “Messa Arcaica” dividida em seis partes, com títulos em latim, coros gregorianos e um ambiente geral que tanto evoca a liturgia tradicional como a difusão harmónica da música de Gavin Bryars. A completar esta compilação, encontramos uma cançoneta mística e mais algumas divagações de música religiosa, carregadas de instrumentos tradicionais, a fazer jus à inclusão na editora. (6)

Vários – “Heat”

pop rock >> quarta-feira >> 28.02.1996


Vários
Heat
WARNER BROS., DISTRI. WARNER MUSIC



É uma espécie de compilação de alguns dos filhos pródigos das chamadas vanguardas pop que responderam ao convite do realizador Michael Mann para ilustrar sonoramente o encontro explosivo de Al Pacino e DeNiro no grande ecrã. Alegrem-se os que franzem o nariz à simples menção da sigla “OST” (“Original Sound Track”), como sinónimo de cinzentismo e amputação. “Heat” sobrevive, mais ou menos incólume, à ausência das imagens. Se a partitura orquestral de base, composta por Elliot Goldenhal, não é particularmente excitante, já as frequentes interferências dos artistas convidados constituem uma boa motivação para uma escuta mais atenta. Os Kronos Quartet agasalham-se na orquestra e Michael Brook faz o número ambiental do costume. Bastante mais dura é a contribuição dos Einsturzende Neubauten, com “Armenia”, enquanto Terje Rypdal acetina a guitarra num par de temas “new age” e Moby faz o oposto, encharcando de acidez a versão “New dawn fades”, dos Joy Division. O mesmo Moby que em “God moving over the face of the waters” dá um golpe de rins de todo o tamanho, sendo mais papista que o papa, com uma orquestração convencional… Lisa Gerrard, gótica, não esqueceu os This Mortal Coil e Eno contribui com um paisagístico “Force maker”, digno de figurar num hipotético volume quatro de “Music for Films” e ao lado dos U2, no figurino Passengers, com um instrumental pop das cores de “Zooropa”. (6)