Arquivo de etiquetas: Isabel Leal

Isabel Leal – “EM PÚBLICO”

pop rock >> quarta-feira >> 14.09.1994
EM PÚBLICO


ISABEL LEAL *

Conte-nos o seu percurso musical antes de entrar para os Jig.
Talvez aos 15 anos, não sei bem, comecei a cantar em público, já integrada num grupo. Foi uma época agitada, logo após 74. Juntamente com as chamadas músicas de intervenção, aparecia o interesse pela música tradicional portuguesa. Mais tarde fiz parte do grupo Vai de Roda, até ao aparecimento dos Jig. Nessa altura tive de escolher e escolhi o Jig. Ao mesmo tempo, e sem grandes compromissos, apenas pelo prazer que me dava, tocava guitarra e cantava em cafés-concerto e em bares, percorrendo o mundo das canções.

Qual a sua relação com a música tradicional? É o género no qual se sente mais à vontade a cantar ou apenas o faz por obrigação e imposição do grupo?
Desde pequena que a música tradicional é algo que está presente nas festas, nas viagens… Cantava-se muto em família e com os amigos. A música tradicional tem força e por alguma razão resiste através dos anos. Muda de roupa mas está sempre lá. Nunca a cantei por imposição do grupo. Foi uma escolha e uma inspiração para outros voos mais originais.

Em particular, que laços existem, se é que existem, entre si e a música tradicional irlandesa?
É difícil explicar uma paixão. Foi o que aconteceu quando ouvi pela primeira vez o som da Irlanda. Apaixonei-me. Quando fui com o Vai de Roda numa minidigressão ao Canadá, tocámos com vários grupos de música tradicional celta, nomeadamente os Reel Union, com a Dolores Keane e o marido, John Faulkner, que andaram sempre em digressão connosco, além de um grupo sueco cujo nome não me recordo e grupos canadianos. Fomos bastante influenciados sobretudo pelos Reel Union. Gerou-se um convívio, conhecemo-nos, cantávamos juntos…

Uma imagem da Irlanda mítica dos seus sonhos…
Uma floresta, com fadas ruivas que dançam no ar ao som de uma harpa. À noite, claro, junto de um lago iluminado por pirilampos.

Como explica o entusiasmo que a juventude portuguesa reage à música irlandesa e, em particular, aos espectáculos dos Jig?
A música irlandesa acho que ninguém resiste. Tanto nos faz sonhar como nos desperta para a dança. O público jovem, e não só, adere com entusiasmo aos espectáculos dos Jig porque conseguimos reunir os melhores ingredientes, ou seja, algumas das músicas mais significativas e populares. Pode estar-se apenas confortavelmente a ouvir ou, então, alegremente a dançar.

Que sentido faz uma banda portuguesa (os Jig, ou qualquer outra) dedicar-se à música de uma tradição estrangeira?
Neste momento não faz muito sentido, sobretudo música irlandesa. Há oito anos, quando o Jig apareceu, a palavra “celta” aparecia apenas na História, distante da música. Hoje, temos cá, ao vivo, os melhores grupos de música celta. Os irlandeses sempre compartilharam as suas vivências musicais com outros povos, estou a lembrar-me dos Chieftains, por exemplo, na China e na Galiza. Mas se o Jig quer compartilhar, tem de ter por seu lado algo que lhe pertença. É um dos motivos aliás porque o Jig tem estado mais ou menos parado. Não sei até se está parado ou se acabou (risos), precisamente porque achámos que deixou de fazer sentido tocar só música irlandesa. Temos já alguns temas em português, falta saber se há garra suficiente para pegar neles e andar para a frente.

Nos Jig, procura imitar, na medida do possível, as técnicas tradicionais de canto irlandês, ou, pelo contrário, está-se nas tintas e procura antes adaptar essa música (a irlandesa) a um estilo pessoal de interpretação?
Não me estou nas tintas! Mas é verdade que não penso muito, quando canto, em determinadas formas de cantar para depois escolher uma. É intuitivo. Mas houve pessoas irlandesas que nos ouviram e acharam que havia muito em comum. Às vezes até pensavam que eu era irlandesa. Não era forçado, devia ser por causa do sotaque que eu às vezes exagerava. Era como me soava bem e era assim que saía.

Dos quatro instrumentos paradigmáticos da música tradicional irlandesa, cada um corresponde a um dos quatro elementos, com qual sente maiores afinidades: “Tin whistle” (ar), rabeca / “fiddle” (fogo), “uillean pipes” (terra), harpa (água)? Justifique e divague à vontade.
Harpa, para que a voz possa navegar livremente. No entanto, todos os outros elementos são bem-vindos, desde que não asfixiem, queimem ou enterrem.

Admitindo que passava a cantar só em português, que poetas escolheria para cantar? O que encontra em cada um deles?
Escolhia os poetas músicos, como Zeca Afonso ou Sérgio Godinho. Em cada um deles encontro-me muitas vezes. Quando escrevem é já com a função de musicarem. Ou o contrário, no caso do Sérgio Godinho, que, segundo creio, escreve depois. Esta relação é importante para uma canção. Podes pegar num poema do Fernando Pessoa que seja lindíssimo, mas acaba por ser difícil pegar nele e conseguir uma certa unidade. Os poemas mais bonitos se calhar já estão musicados. Andei uns tempos a ler imensos livros de poesia em casa, até de Camões – Camões já é mais fácil… – e custava-me imenso encontrar poemas que não estivessem já musicados e eu pudesse cantar. Ou seja, que aquilo que os poetas dizem pudesse ser eu a dizer.

Escolha para si um caminho musical fora dos Jig. Como gostaria que fosse? Onde quereria ou gostaria de chegar?
Nunca defini as minhas ambições. Fui-me envolvendo com a música e vou continuando enquanto gostar de ouvir a minha voz. Agora mais do que nunca, depois dos Madredeus, cantar em português não é uma barreira. Gostava de seguir o meu caminho. Sem destino. É verdade que houve alturas em que já estive mais convencida de que a música era mesmo o que eu queria. Faço muitas outras coisas, dar aulas por exemplo, que me tiram tempo e disponibilidade, mesmo mental. Sobretudo em tempo de aulas fico muito absorvida. Falta acrescentar que mesmo nas aulas que dou, no ensino primário, ensino muitas coisas através de canções que gravo e levo para as aulas. Aproveito sempre o facto de cantar.

Além desse aspecto, é-lhe então difícil conciliar a sua actividade enquanto professora com a música?
É um pouco complicado e, por vezes, tenho que optar. Quando isso acontece, a música fica para segundo plano. Preciso urgentemente de tempo.

Vai ou não aparecer um segundo disco dos Jig?
Não sei se vai aparecer, nem sei mesmo, como já disse, se o Jig ainda existe. No entanto, a vontade de criar não se perdeu e, quem sabe, a qualquer momento estamos de novo aí.
* vocalista dos Jig.

Vários (Sandra Baptista, Zé Pedro, Zé Ferrão, Ana Deus, Nuno Rebelo, Maria João, Amélia Muge, José Mário Branco, Isabel Leal, Tentúgal) – “Inquérito – Um Inquérito Para Mudar De Ano”

pop rock >> quarta-feira, 06.01.1993


INQUÉRITO
UM INQUÉRITO PARA MUDAR DE ANO


É um inquérito para gente que faz música e mais coisas sobre música e sobre o resto. Sobre um ano que passou e outro que já começou. Foi provocado mais por curiosidade epidérmica que por preocupações intrínsecas. Logo de início, convém avisar que os inquiridos não formam um conjunto homogéneo, ou representativo do que quer que seja. São músicos portugueses, foram, por uma razão ou outra, notícia em 1992, e é tudo. Depois, as respostas são como as perguntas – isto é, variam. Umas são sérias e empenhadas, outras caprichosas e triviais, algumas até são a dar para o disparate. Em qualquer caso, toda a gente, ou quase toda, parece ter opinião formada sobre os Resistência.

Sandra Baptista
Acordeonista dos Sitiados




Melhor músico / banda
Tenho várias preferências, no que diz respeito a melhores músicos. A melhor banda, talvez os Madredeus.
Promessa
Entre aspas.
Melhor disco
Não consigo ser assim tão radical e dizer qual é o melhor e o pior. Digamos que é um estado de espírito que cada disco nos dá.
Pior disco
A mesma resposta que a anterior
Acontecimento musical mais relevante
Sem dúvida alguma os Resistência
Surpresa
Ainda está para vir.
Tendência
Talvez tenha sido a festa. As pessoas precisavam de festa, de alegria.
Anedota / equívoco
Foram bastantes, mas a maior barraca, para mim, foi o trambolhão que dei dos monitores devido á chuva que estava naquela noite… Parti o acordeão. Mas as coisas lá se resolveram e o espectáculo não parou.
Loucura
Em todos os nossos espectáculos e no público
Projecto para 93
Tocar canções novas, incluídas no nosso novo espectáculo.
Sonho
Ver mais bandas portuguesas a apresentar novos trabalhos e que houvesse mais locais para espectáculo, em condições. Talvez fosse por aqui que surgissem novas bandas.
Europa
Sem racismo.

Zé Pedro
Guitarrista dos Xutos & Pontapés e apresentador do “Vira o Vídeo”




Melhor músico / banda
Nuno Bettencourt
Promessa
Rockódromo em Lisboa
Melhor disco
Mutantes S. 21
Pior disco
Muitos
Acontecimento musical mais relevante
GNR em Alvalade
Surpresa
Metallica em Paris
Tendência
Guitarras
Anedota / Equívoco
Joker
Loucura
O empréstimo monetário ao Tio Aníbal
Projecto para 93
Ter um Johnny Guitar compatível com as minhas ambições
Sonho
Académica de Coimbra na 1ª Divisão
Europa
Mandem mais papel para deixar de emprestar ao Tio Aníbal

Zé Ferrão
Guitarrista dos Repórter Estrábico




Melhor músico / banda
John Lee Hooker
Promessa
Boosty Collins / George Clinton
Melhor disco
Ronny Jordan – The Antidote
Pior disco
Resistência
Acontecimento musica mais relevante
Frank Sinatra no Estádio das Antas
Surpresa
Xanana Gusmão
Tendência
Persistência
Anedota / equívoco
Europa
Loucura
Monumento ao empresário
Projecto para 93
Repórter Estrábico
Sonho
F. C. Porto campeão europeu 92/93
Europa
Anedota-equívoco

Ana Deus




Vocalista dos Três Tristes Tigre e ex-Ban

Melhor música / banda
Talvez Red Hot Chilli Peppers ou ???varna
Promessa
A que fiz a mim mesma
Melhor disco
Não ouvi discos. Ouvi boas e más músicas. “Lithium” dos Nirvana e “Hendrix” do Seal
Pior disco
O pior já esqueci
Acontecimento musical mais relevante
Um que não vi: David Byrne em Lisboa
Surpresa
Continuarmos vivos
Tendência
Quase todas
Anedota / equívoco
Há obscenidades na informação televisiva. Broad Cast News à portuguesa
Loucura
Realidade virtual
Projecto para
Músicas, cenários, luzes, roupas, objectos, imagens / arrumar a casa
Sonho
A sã história de cantar
Europa
Europa / América

Nuno Rebelo
Compositor e multinstrumentista dos Plopoplot Pot e de outros projectos musicais alternativos. Fundador dos Street Kids. Autor do duplo álbum “Sagração do Mês de Maio”.




Melhor música / banda
Fred Frith – não será certamente o melhor, mas continua a ser o meu preferido.
Promessa
Prometo tentar de novo.
Melhor disco
Algum que provavelmente desconheço e que deve ter vendido muito pouco ou quase nada.
Pior disco
Noventa e cinco por cento de todos os discos editados durante o ano no mundo inteiro.
Acontecimento musical mais relevante
Expo 92 (concertos etnográficos), pela possibilidade de, no mesmo local, se poder assistir a concertos de todo o mundo e de ter acesso a alguns instrumentos artesanais.
Surpresa
A minha Polyp Ploc Orquestra (alunos da Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo) e as suas actuações de música ao vivo para o filme “Nosferatu” de Murnau.
Tendência
Esperar por 93.
Anedota / equívoco
Era uma vez um crítico musical que tinha uma escrita tão explosiva que as palavras explodiram e lhe rebentaram os dedos (Ah, ah, ah, ah – riem os músicos em geral, carregadinhos de humor negro.)
Loucura
De génio e de louco nem todo o mundo tem um pouco – 4m33 de silêncio pela morte de John Cage
Projecto para 93
Iniciar-me em concertos a solo e em instalações vídeo.
Sonho
Sonhos são intimidades que não quero contar a toda a gente.
Europa
1.500.000 contos por dia, não é?…

Maria João
Cantora de jazz. Ou simplesmente cantora. Colaborações regulares com o grupo Cal Viva, Mário Laginha e a pianista japonesa Aki Takase.




Melhor músico/banda
Todo aquele que cumpriu o que se propôs cumprir, seja por ter melhorado no instrumento que toca, seja por ter composto o que quis, ou por ter vendido muito, para esta ou aquela editora.
Promessa
O meu filho João que fará 3 anos em 1993.
Melhor disco
“O Sol”, de Maria João com o grupo Cal Viva. Cantei os temas de quem ais gostava, com os músicos que quis. Gravei-o num dos melhores estúdios do mundo, para a Enja. E ainda por cima está a vender bem. Porreiríssimo!
Pior disco
Todos aqueles feitos sem dedicação, a pensar apenas nas vendas, mal tocados, mal cantados, etc. Uuhhh, fora, fora!
Acontecimento musical mais relevante
Quase todos os concertos que aconteceram este ano. Muitos e bons.
Surpresa
I Festival de Jazz de Guimarães. Bem organizado, óptimas condições, sala lindíssima e sempre cheia, o que prova que, se as coisas forem bem feitas e com coração, festivais deste tipo podem fazer-se em qualquer ponto do país.
Tendência
Melhorar.
Anedota/equívoco
Várias, mas não digo nenhuma por delicadeza.
Loucura
O Festival de Jazz Lis’ 92, das Festas da Cidade, feito com boas intenções e excelentes propostas musicais, mas em que a quantidade foi tal que o público não conseguiu dar resposta a tudo. Foi um grande fiasco financeiro, uma pena. Fiquei furiosa com o desperdício.
Projecto para 93
Duo com Mário Laginha e disco já em Março, provavelmente para uma “major” internacional. Trio com Bobo Stenson e Christof Lauer, disco no final do ano. Quarteto com Lauren Newton. Cal Viva. Hipótese de quarteto com Aki Takase, Nana Vasconcelos e Dino Saluzzi.
Sonho
Que se realizem todos os meus sonhos.
Europa
Vai ser a confusão deste ano. As broncas vão continuar até haver qualquer coisa que rebente.

Amélia Muge
Compositora, intérprete de um dos discos do ano de música popular portuguesa, “Múgicas”. Actuou ao lado de José Afonso e Júlio Pereira.




Melhor músico/banda
Sh… qualidade, qualidade… Quem a tem… seja discreto (cala-te boca!).
Promessa
As “Cantigas de Maio” em disputa com a “margem de certa maneira” (que saudável que é a concorrência), este ano e sempre, por enquanto (sem revivalismos fora daqueles que fizeram estas promessas tão genuínas).
Melhor disco
“15 Anos de Recriação da Música Tradicional Portuguesa”, da Brigada Victor Jara.
Pior disco
Se me tivessem pedido a pior cassete, eu tinha uma data de gente candidatável. Seja como for, disco ou cassete, é preciso ter cá uma Resistência…
Acontecimento musical mais relevante
Até que poderiam ter sido os Encontros de Música Europeia.
Surpresa
“Ki faxiamu noi kui” – isto é que é sonoridade. [Peça que esteve em cena no espaço da Companhia Teatral do Chiado.]
Tendência
Outras músicas (as a sério e as a brincar, para não falar nas feitas à pressa, ou na sopinha de pedra).
Anedota/equívoco
Os chapelinhos alta voltagem de artifício, com ou sem ventoinha.
Loucura
Ver chegar D. Sebastião carregadinho de ecus, ecoando à brava qualquer mnemónica obsessiva.
Projecto para 93
Combinar novas formas de estar (artística-vividamente falando) com propostas de espectáculo. Com nome em primeira mão: “Mus & calidades” (ilimitadas, como comentário à parte). E com a UPAV. Sempre.
Sonho
Como ter um sonho de expulsar os vendilhões do templo sem ser logo conotada, no mínimo, com a madre Teresa de Calcutá?
Europa
Qualquer dia já não podemos ouvir falar nela. E se falássemos do Atlântico? Ou do Índico? Vá lá, do Mediterrâneo. Meter água… assumidamente.

José Mário Branco
Compositor, arranjador, intérprete. Fez parte do GAC – Grupo de Acção Cultural e do Teatro do Mundo. Sócio fundador da cooperativa cultural UPAV. Realizador do programa radiofónico Música Portuguesa, com Certeza.




Melhor músico/banda
José Afonso. Com toda a sua obra, ainda é o melhor de todos os anos.
Promessa
Amélia Muge
Melhor disco
“15 Anos de Recriação da Música Tradicional Portuguesa”, da Brigada Victor Jara.
Pior disco
Hesito entre o dos Resistência e alguns que tive a sorte de não ter que ouvir.
Acontecimento musical mais relevante
Concerto de Hermeto Pascoal, um dos melhores músicos do mundo. Tocou em Lisboa para uma sala quase vazia.
Surpresa
Surgimento de pequenas editoras alternativas, sobretudo no Norte do país.
Tendência
Como alguém escreveu recentemente (e eu concordo), o movimento do “rock português” confronta-se com o seu vazio congénito. Esgotado o internacional-parolismo, prolonga-se a agonia com o nacional-revivalismo.
Anedota/equívoco
A notícia, lida algures, de que Santana Lopes e La Féria têm como projecto, para Lisboa 94, uma ópera-rock portuguesa cujo título (e tema) será “Salazar”. Se for verdade; demissão, já!
Loucura
Haver ainda quem acredite ser possível vencer os interesses do poder e do dinheiro, e os desinteresses da ignorância e da incultura, safando a música portuguesa da asfixia que lhe impõem as multinacionais.
Projecto para 93
Música portuguesa. Com certeza. Mais e melhor.
Sonho
Música universal. Com certeza. Tão rica e multifacetada.
Europa
As fronteiras europeias da música abrem-se nos dois sentidos. Oxalá os nossos governantes aprendam alguma coisa.

Isabel Leal
Vocalista dos Jig, grupo portuense que se tem dedicado à interpretação de música tradicional de raiz celta.




Melhor músico/banda
Se me colocar apenas como observadora do impacto musical que um grupo pode ter, os GNR foram a melhor banda de 92. Se pensar realmente no que me toca, acho que ainda não surgiu nenhum grupo que me encantasse tanto como os Madredeus (principalmente aquela voz, apesar de começarem a necessitar de um novo disco de originais.
Promessa
Um grupo do Porto muito prometedor, os Frei Fado Del Rey. Tocam música portuguesa com um som acústico e dão um grande destaque às vozes femininas. Estão à espera de gravar um disco proximamente. Espero que não demorem muito, pois fazem falta grupos assim.
Melhor disco
Não houve nenhum que me agradasse ao ponto de o ouvir vezes sem conta, como aconteceu com os dos Madredeus, Trovante e Rui Veloso em anos anteriores. No entanto gostei muito de ouvir algumas músicas da Amélia Muge.
Pior disco
Pode dizer-se que o melhor disco é aquele que mais ouvimos, mas o inverso não acontece, pois se não se gosta não se ouve. E há tanta coisa que não se ouve!
Acontecimento musical mais relevante
Concerto dos GNR em Alvalade.
Surpresa
Sitiados e o impacto que conseguiram ter, goste-se ou não deles.
Tendência
Repetir fórmulas através da recuperação de temas musicais de um passado recente, vestindo-os de novas cores, por vezes enriquecendo-os, outras vezes tornando-os irreconhecíveis ou mesmo inaudíveis.
Anedota/equívoco
Concerto dos Guns’n’Roses, com todos os incidentes ridículos que ocorreram, entre eles e a postura do vocalista, que cantou deitado para se proteger dos ataques inimigos.
Loucura
Os Jig terem-se “atirado” para a produção independente de espectáculos e terem conseguido um certo êxito na apresentação no S. Luiz, em Lisboa.
Projecto para 93
Gravar finalmente o disco dos Jig com temas cantados em português.
Sonho
Espalhar pelos quatro cantos do mundo a música que me dá prazer cantar e ouvi-la cantada por outras vozes.
Europa
Uma Europa agitada por grandes mudanças a todos os níveis. No campo musical penso que haverá oportunidade para trocas e influências mútuas, apesar da manutenção das diversidades culturais existentes.
Os Jig têm aqui algo a dizer, pois, de certo modo, foram pioneiros na abertura à música celta em Portugal.

Tentúgal
Líder dos Vai de Roda




Melhor músico/banda
Carlos Zíngaro / Penguin Café Orchestra
Promessa
O projecto e trabalho do grupo U-Nu
Melhor disco
Aqua, Ficções / Pieces of Africa, Kronos Quartet
Pior disco
Moby Dick, Moby Dick
Acontecimento musical mais relevante
Sem dúvida o III Festival Intercéltico do Porto e a estreia mundial de “The Seville Suite” de Bill Whelan, pela RTE Concert Orchestra, no Teatro de La Maestranza, Sevilha.
Surpresa
Pela negativa, o “Fogo” – Sétima Legião
Tendência
La Féria e Cª – Sociedade anónima de “Chulas” e “Malhões” Ilimitada. Facilitamos o mau gosto e a mediocridade com boa digestão. Contacte-nos! Também temos sucedâneos!!
Anedota/equívoco
Sitiados, Resistência e La Férias
Loucura
Acreditar no futuro da música portuguesa, apesar das bruxas e papões que nos fazem perder, momentaneamente, o rumo, lutando contra os “altifalantes sem barriga” que nos comem a actividade de músicos, nos abafam os instrumentos… e as mentes.
Projecto para 93
Vai de Roda, sempre!! E o seu próximo trabalho fonográfico. Concertos em Inglaterra, Dinamarca, Noruega e Galiza.
Sonho
Estar vivo e tentar ter a cabecinha no lugar. Já agora, ó Sr. Serafim, quando é que edita em CD o 1º trabalho do Vai de Roda?
Europa
Quim Barreiros para presidente, já!! Livrai-nos, senhor das tetas dos Falcões e Sa(n)tánas, e não nos deixeis cair na tentação de “mamar em seus subsídios”, para bem da “Música (em) Portugal”.

Sandra Baptista, Zé Pedro, Zé Ferrão, Ana Deus, Nuno Rebelo, Maria João, Amélia Muge, José Mário Branco, Isabel Leal, Tentúgal – “Inquérito – Um Inquérito Para Mudar De Ano” (inquérito / dossier)

pop rock >> quarta-feira, 06.01.1993


INQUÉRITO
UM INQUÉRITO PARA MUDAR DE ANO


É um inquérito para gente que faz música e mais coisas sobre música e sobre o resto. Sobre um ano que passou e outro que já começou. Foi provocado mais por curiosidade epidérmica que por preocupações intrínsecas. Logo de início, convém avisar que os inquiridos não formam um conjunto homogéneo, ou representativo do que quer que seja. São músicos portugueses, foram, por uma razão ou outra, notícia em 1992, e é tudo. Depois, as respostas são como as perguntas – isto é, variam. Umas são sérias e empenhadas, outras caprichosas e triviais, algumas até são a dar para o disparate. Em qualquer caso, toda a gente, ou quase toda, parece ter opinião formada sobre os Resistência.

Sandra Baptista
Acordeonista dos Sitiados



Melhor músico / banda
Tenho várias preferências, no que diz respeito a melhores músicos. A melhor banda, talvez os Madredeus.
Promessa
Entre aspas.
Melhor disco
Não consigo ser assim tão radical e dizer qual é o melhor e o pior. Digamos que é um estado de espírito que cada disco nos dá.
Pior disco
A mesma resposta que a anterior
Acontecimento musical mais relevante
Sem dúvida alguma os Resistência
Surpresa
Ainda está para vir.
Tendência
Talvez tenha sido a festa. As pessoas precisavam de festa, de alegria.
Anedota / equívoco
Foram bastantes, mas a maior barraca, para mim, foi o trambolhão que dei dos monitores devido á chuva que estava naquela noite… Parti o acordeão. Mas as coisas lá se resolveram e o espectáculo não parou.
Loucura
Em todos os nossos espectáculos e no público
Projecto para 93
Tocar canções novas, incluídas no nosso novo espectáculo.
Sonho
Ver mais bandas portuguesas a apresentar novos trabalhos e que houvesse mais locais para espectáculo, em condições. Talvez fosse por aqui que surgissem novas bandas.
Europa
Sem racismo.

Zé Pedro
Guitarrista dos Xutos & Pontapés e apresentador do “Vira o Vídeo”



Melhor músico / banda
Nuno Bettencourt
Promessa
Rockódromo em Lisboa
Melhor disco
Mutantes S. 21
Pior disco
Muitos
Acontecimento musical mais relevante
GNR em Alvalade
Surpresa
Metallica em Paris
Tendência
Guitarras
Anedota / Equívoco
Joker
Loucura
O empréstimo monetário ao Tio Aníbal
Projecto para 93
Ter um Johnny Guitar compatível com as minhas ambições
Sonho
Académica de Coimbra na 1ª Divisão
Europa
Mandem mais papel para deixar de emprestar ao Tio Aníbal

Zé Ferrão
Guitarrista dos Repórter Estrábico



Melhor músico / banda
John Lee Hooker
Promessa
Boosty Collins / George Clinton
Melhor disco
Ronny Jordan – The Antidote
Pior disco
Resistência
Acontecimento musica mais relevante
Frank Sinatra no Estádio das Antas
Surpresa
Xanana Gusmão
Tendência
Persistência
Anedota / equívoco
Europa
Loucura
Monumento ao empresário
Projecto para 93
Repórter Estrábico
Sonho
F. C. Porto campeão europeu 92/93
Europa
Anedota-equívoco

Ana Deus
Vocalista dos Três Tristes Tigre e ex-Ban



Melhor música / banda
Talvez Red Hot Chilli Peppers ou ???varna
Promessa
A que fiz a mim mesma
Melhor disco
Não ouvi discos. Ouvi boas e más músicas. “Lithium” dos Nirvana e “Hendrix” do Seal
Pior disco
O pior já esqueci
Acontecimento musical mais relevante
Um que não vi: David Byrne em Lisboa
Surpresa
Continuarmos vivos
Tendência
Quase todas
Anedota / equívoco
Há obscenidades na informação televisiva. Broad Cast News à portuguesa
Loucura
Realidade virtual
Projecto para
Músicas, cenários, luzes, roupas, objectos, imagens / arrumar a casa
Sonho
A sã história de cantar
Europa
Europa / América

Nuno Rebelo
Compositor e multinstrumentista dos Plopoplot Pot e de outros projectos musicais alternativos. Fundador dos Street Kids. Autor do duplo álbum “Sagração do Mês de Maio”.



Melhor música / banda
Fred Frith – não será certamente o melhor, mas continua a ser o meu preferido.
Promessa
Prometo tentar de novo.
Melhor disco
Algum que provavelmente desconheço e que deve ter vendido muito pouco ou quase nada.
Pior disco
Noventa e cinco por cento de todos os discos editados durante o ano no mundo inteiro.
Acontecimento musical mais relevante
Expo 92 (concertos etnográficos), pela possibilidade de, no mesmo local, se poder assistir a concertos de todo o mundo e de ter acesso a alguns instrumentos artesanais.
Surpresa
A minha Polyp Ploc Orquestra (alunos da Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo) e as suas actuações de música ao vivo para o filme “Nosferatu” de Murnau.
Tendência
Esperar por 93.
Anedota / equívoco
Era uma vez um crítico musical que tinha uma escrita tão explosiva que as palavras explodiram e lhe rebentaram os dedos (Ah, ah, ah, ah – riem os músicos em geral, carregadinhos de humor negro.)
Loucura
De génio e de louco nem todo o mundo tem um pouco – 4m33 de silêncio pela morte de John Cage
Projecto para 93
Iniciar-me em concertos a solo e em instalações vídeo.
Sonho
Sonhos são intimidades que não quero contar a toda a gente.
Europa
1.500.000 contos por dia, não é?…

Maria João
Cantora de jazz. Ou simplesmente cantora. Colaborações regulares com o grupo Cal Viva, Mário Laginha e a pianista japonesa Aki Takase.



Melhor músico/banda
Todo aquele que cumpriu o que se propôs cumprir, seja por ter melhorado no instrumento que toca, seja por ter composto o que quis, ou por ter vendido muito, para esta ou aquela editora.
Promessa
O meu filho João que fará 3 anos em 1993.
Melhor disco
“O Sol”, de Maria João com o grupo Cal Viva. Cantei os temas de quem ais gostava, com os músicos que quis. Gravei-o num dos melhores estúdios do mundo, para a Enja. E ainda por cima está a vender bem. Porreiríssimo!
Pior disco
Todos aqueles feitos sem dedicação, a pensar apenas nas vendas, mal tocados, mal cantados, etc. Uuhhh, fora, fora!
Acontecimento musical mais relevante
Quase todos os concertos que aconteceram este ano. Muitos e bons.
Surpresa
I Festival de Jazz de Guimarães. Bem organizado, óptimas condições, sala lindíssima e sempre cheia, o que prova que, se as coisas forem bem feitas e com coração, festivais deste tipo podem fazer-se em qualquer ponto do país.
Tendência
Melhorar.
Anedota/equívoco
Várias, mas não digo nenhuma por delicadeza.
Loucura
O Festival de Jazz Lis’ 92, das Festas da Cidade, feito com boas intenções e excelentes propostas musicais, mas em que a quantidade foi tal que o público não conseguiu dar resposta a tudo. Foi um grande fiasco financeiro, uma pena. Fiquei furiosa com o desperdício.
Projecto para 93
Duo com Mário Laginha e disco já em Março, provavelmente para uma “major” internacional. Trio com Bobo Stenson e Christof Lauer, disco no final do ano. Quarteto com Lauren Newton. Cal Viva. Hipótese de quarteto com Aki Takase, Nana Vasconcelos e Dino Saluzzi.
Sonho
Que se realizem todos os meus sonhos.
Europa
Vai ser a confusão deste ano. As broncas vão continuar até haver qualquer coisa que rebente.

Amélia Muge
Compositora, intérprete de um dos discos do ano de música popular portuguesa, “Múgicas”. Actuou ao lado de José Afonso e Júlio Pereira.



Melhor músico/banda
Sh… qualidade, qualidade… Quem a tem… seja discreto (cala-te boca!).
Promessa
As “Cantigas de Maio” em disputa com a “margem de certa maneira” (que saudável que é a concorrência), este ano e sempre, por enquanto (sem revivalismos fora daqueles que fizeram estas promessas tão genuínas).
Melhor disco
“15 Anos de Recriação da Música Tradicional Portuguesa”, da Brigada Victor Jara.
Pior disco
Se me tivessem pedido a pior cassete, eu tinha uma data de gente candidatável. Seja como for, disco ou cassete, é preciso ter cá uma Resistência…
Acontecimento musical mais relevante
Até que poderiam ter sido os Encontros de Música Europeia.
Surpresa
“Ki faxiamu noi kui” – isto é que é sonoridade. [Peça que esteve em cena no espaço da Companhia Teatral do Chiado.]
Tendência
Outras músicas (as a sério e as a brincar, para não falar nas feitas à pressa, ou na sopinha de pedra).
Anedota/equívoco
Os chapelinhos alta voltagem de artifício, com ou sem ventoinha.
Loucura
Ver chegar D. Sebastião carregadinho de ecus, ecoando à brava qualquer mnemónica obsessiva.
Projecto para 93
Combinar novas formas de estar (artística-vividamente falando) com propostas de espectáculo. Com nome em primeira mão: “Mus & calidades” (ilimitadas, como comentário à parte). E com a UPAV. Sempre.
Sonho
Como ter um sonho de expulsar os vendilhões do templo sem ser logo conotada, no mínimo, com a madre Teresa de Calcutá?
Europa
Qualquer dia já não podemos ouvir falar nela. E se falássemos do Atlântico? Ou do Índico? Vá lá, do Mediterrâneo. Meter água… assumidamente.

José Mário Branco
Compositor, arranjador, intérprete. Fez parte do GAC – Grupo de Acção Cultural e do Teatro do Mundo. Sócio fundador da cooperativa cultural UPAV. Realizador do programa radiofónico Música Portuguesa, com Certeza.



Melhor músico/banda
José Afonso. Com toda a sua obra, ainda é o melhor de todos os anos.
Promessa
Amélia Muge
Melhor disco
“15 Anos de Recriação da Música Tradicional Portuguesa”, da Brigada Victor Jara.
Pior disco
Hesito entre o dos Resistência e alguns que tive a sorte de não ter que ouvir.
Acontecimento musical mais relevante
Concerto de Hermeto Pascoal, um dos melhores músicos do mundo. Tocou em Lisboa para uma sala quase vazia.
Surpresa
Surgimento de pequenas editoras alternativas, sobretudo no Norte do país.
Tendência
Como alguém escreveu recentemente (e eu concordo), o movimento do “rock português” confronta-se com o seu vazio congénito. Esgotado o internacional-parolismo, prolonga-se a agonia com o nacional-revivalismo.
Anedota/equívoco
A notícia, lida algures, de que Santana Lopes e La Féria têm como projecto, para Lisboa 94, uma ópera-rock portuguesa cujo título (e tema) será “Salazar”. Se for verdade; demissão, já!
Loucura
Haver ainda quem acredite ser possível vencer os interesses do poder e do dinheiro, e os desinteresses da ignorância e da incultura, safando a música portuguesa da asfixia que lhe impõem as multinacionais.
Projecto para 93
Música portuguesa. Com certeza. Mais e melhor.
Sonho
Música universal. Com certeza. Tão rica e multifacetada.
Europa
As fronteiras europeias da música abrem-se nos dois sentidos. Oxalá os nossos governantes aprendam alguma coisa.

Isabel Leal
Vocalista dos Jig, grupo portuense que se tem dedicado à interpretação de música tradicional de raiz celta.



Melhor músico/banda
Se me colocar apenas como observadora do impacto musical que um grupo pode ter, os GNR foram a melhor banda de 92. Se pensar realmente no que me toca, acho que ainda não surgiu nenhum grupo que me encantasse tanto como os Madredeus (principalmente aquela voz, apesar de começarem a necessitar de um novo disco de originais.
Promessa
Um grupo do Porto muito prometedor, os Frei Fado Del Rey. Tocam música portuguesa com um som acústico e dão um grande destaque às vozes femininas. Estão à espera de gravar um disco proximamente. Espero que não demorem muito, pois fazem falta grupos assim.
Melhor disco
Não houve nenhum que me agradasse ao ponto de o ouvir vezes sem conta, como aconteceu com os dos Madredeus, Trovante e Rui Veloso em anos anteriores. No entanto gostei muito de ouvir algumas músicas da Amélia Muge.
Pior disco
Pode dizer-se que o melhor disco é aquele que mais ouvimos, mas o inverso não acontece, pois se não se gosta não se ouve. E há tanta coisa que não se ouve!
Acontecimento musical mais relevante
Concerto dos GNR em Alvalade.
Surpresa
Sitiados e o impacto que conseguiram ter, goste-se ou não deles.
Tendência
Repetir fórmulas através da recuperação de temas musicais de um passado recente, vestindo-os de novas cores, por vezes enriquecendo-os, outras vezes tornando-os irreconhecíveis ou mesmo inaudíveis.
Anedota/equívoco
Concerto dos Guns’n’Roses, com todos os incidentes ridículos que ocorreram, entre eles e a postura do vocalista, que cantou deitado para se proteger dos ataques inimigos.
Loucura
Os Jig terem-se “atirado” para a produção independente de espectáculos e terem conseguido um certo êxito na apresentação no S. Luiz, em Lisboa.
Projecto para 93
Gravar finalmente o disco dos Jig com temas cantados em português.
Sonho
Espalhar pelos quatro cantos do mundo a música que me dá prazer cantar e ouvi-la cantada por outras vozes.
Europa
Uma Europa agitada por grandes mudanças a todos os níveis. No campo musical penso que haverá oportunidade para trocas e influências mútuas, apesar da manutenção das diversidades culturais existentes.
Os Jig têm aqui algo a dizer, pois, de certo modo, foram pioneiros na abertura à música celta em Portugal.

Tentúgal
Líder dos Vai de Roda



Melhor músico/banda
Carlos Zíngaro / Penguin Café Orchestra
Promessa
O projecto e trabalho do grupo U-Nu
Melhor disco
Aqua, Ficções / Pieces of Africa, Kronos Quartet
Pior disco
Moby Dick, Moby Dick
Acontecimento musical mais relevante
Sem dúvida o III Festival Intercéltico do Porto e a estreia mundial de “The Seville Suite” de Bill Whelan, pela RTE Concert Orchestra, no Teatro de La Maestranza, Sevilha.
Surpresa
Pela negativa, o “Fogo” – Sétima Legião
Tendência
La Féria e Cª – Sociedade anónima de “Chulas” e “Malhões” Ilimitada. Facilitamos o mau gosto e a mediocridade com boa digestão. Contacte-nos! Também temos sucedâneos!!
Anedota/equívoco
Sitiados, Resistência e La Férias
Loucura
Acreditar no futuro da música portuguesa, apesar das bruxas e papões que nos fazem perder, momentaneamente, o rumo, lutando contra os “altifalantes sem barriga” que nos comem a actividade de músicos, nos abafam os instrumentos… e as mentes.
Projecto para 93
Vai de Roda, sempre!! E o seu próximo trabalho fonográfico. Concertos em Inglaterra, Dinamarca, Noruega e Galiza.
Sonho
Estar vivo e tentar ter a cabecinha no lugar. Já agora, ó Sr. Serafim, quando é que edita em CD o 1º trabalho do Vai de Roda?
Europa
Quim Barreiros para presidente, já!! Livrai-nos, senhor das tetas dos Falcões e Sa(n)tánas, e não nos deixeis cair na tentação de “mamar em seus subsídios”, para bem da “Música (em) Portugal”.