Arquivo da Categoria: Céltica

Tommy Makem – “From The Archives”

pop rock >> quarta-feira >> 17.01.1996


Tommy Makem
From The Archives
SHANACHIE, DISTRI. MC – MUNDO DA CANÇÃO



Novo reencontro com a primeira geração de cantores irlandeses, sem os quais o aparecimento das bandas urbanas, nos anos 70, não teria sido possível. Tommy Makem é uma das vozes pioneiras do canto tradicional e um dos poucos tocadores de banjo irlandeses que permaneceram deste lado do Atlântico, deixando a sua obra gravada em discos como “Na Evening with Tommy Makem”, “Lonesome Waters”, “Rolling Home” e “Songbag”, os quais serviram de material de base para a presente colectânea. Para se apreciar em pleno estas baladas, reduzidas à sua expressão e beleza essenciais, poderá começar-se por ouvir Christy Moore e a partir daí ir recuando, até deparar com a luminosidade sobrenatural de um tema como “The bard of Armagh”. Já devem os leitores ter notado, aliás, uma certa tendência recente deste vosso servidor em chamar a atenção para alguns dos principais pilares da música folk das Ilhas Britânicas. Discos que por vezes se fazem difíceis ao ouvido, pouco dados a que lhes afaguem a pele sem lhes tocar nas entranhas. O tempo é de triagem. Entre quem procura na “folk” nada mais que o exotismo – esses já terão a sua dose e andarão a procurar sustento noutros lados – e quem nesta música encontra um rumo e uma razão de ser. Estes últimos têm à sua disposição o Infinito. Mas sosseguem os espíritos mais impacientes e “speedados”. Em breve retomaremos o fio à meada, abrindo as mandíbulas aos “jovens leões” que seguiram a Tradição como uma espada. Ou uma presa. (8)

Kemia – “Kemia” + Ti Jaz – “Musiques De Basse-Bretagne”

pop rock >> quarta-feira >> 27.12.1995


Kemia
Kemia (8)
ESCALIBUR, DISTRI. MC – MUNDO DA CANÇÃO


Ti Jaz
Musiques De Basse-Bretagne (7)
MUSIC & WORDS, DISTRI. MC – MUNDO DA CANÇÃO



Pólos complementares de uma mesma realidade, os Kemia e os Ti Jaz mantêm viva, cada qual à sua maneira, a cultura e a música da Bretanha, enquanto exteriorizações de um modo de vida e de uma sensibilidade específicos de uma rgião que teima em preservar a sua identidade. Os Kemia – uma das várias ramificações dos Gwerz, aqui representados por Soig Siberil e Jacky Molard – não receiam avançar novas propostas que passam pelo jazz e por uma relativa aproximação a modelos britânicos. O tipo de combinação e arranjos para guitarra, violino e “bouzouki” encontra correspondência no outro lado da Mancha nos Whipersnapper ou nos seus antepassados Dando Shaft, nomeadamente na sequência de “reels”. Satie e Keith Jarrett cumprimentam-se em “Une nuit sur la lande”, lugar de eleição, como “A trip to Flagstaff” ou “La pluie”, para os teclados e, em particular, o piano envolto em nostalgia de Alain Rouquette. Soig Siberil é simplesmente brilhante, tanto nas ressonâncias barrocas de uma “gavotte” como nos desenvolvimentos em contraponto e na agilidade melódica que confere a uma “suite plinn” ou a uma “Zagreb” balcanizada à maneira de um bretão.
Quem não tem cão caça com gato, e é isso que fazem os Ti Jaz, ao compensar uma dose menor de virtuosismo, em comparação com os seus compatriotas Kemia, com uma maior fidelidade aos cânones dos “hanter dro”, “en dro” e “laridés”, as três principais modalidades de música de dança da Bretanha, servidas pelos tradicionais acordeão e bombarda, desta feita sem a companhia do “biniou”. No álbum seguinte, “Rêves Sauvages”, os Ti Jaz fariam a fuga para a frente, estabilizando numa proposta declaradamente de fusão que os levaria, montados no saxofone e no clarinete baixo “jazzy” de Camille Olivier, a entrar sem cerimónias no mesmo clube dos Gwendal, Barzaz ou Bleizi Ruz. Mas aqui eram ainda o respeito pelas regras e a reverência ao legado escrito deixado por Maurice Duhamel e Polig Monjarret.

Joanie Madden – “A Whistle On The Wind”

pop rock >> quarta-feira >> 27.12.1995
world


Joanie Madden
A Whistle On The Wind
GREEN LINNET, DISTRI, MC-MUNDO DA CANÇÃO



A senhora anafada e de bochechas coradas que aparece a sorrir na contracapa faz parte do grupo feminino Cherish the Ladies e é considerada uma das mais reputadas intérpretes – não diremos irlandesa, porque nasceu no Bronx, nos Estados Unidos, embora filha de pais irlandeses – de “tin whistle” e flauta da actualidade. “A Whistle on the Wind” faz jus a esse estatuto. Ao contrário do álbum de Ann Heymann, também recenseado nestas páginas, não se confina ao cacifo, pouco requisitado, dos instrumentos solistas. Possuidora de um controlo de respiração notável, aspecto mais pertinente na técnica do “tin whistle”, Joanie aproveita da melhor maneira todas as potencialidades desse pequeno tubo de lata que tão bem canta a jovialidade da alma irlandesa. Tocando ora num estilo pessoal, ora adequando a prática instrumental às restrições do estilo tradicional de Galway, Joanie Madden tanto reproduz a atmosfera de uma sessão num “pub” em Tipperary, onde conheceu os violinistas Liz Carroll e Sean Ryan, como a de um outro encontro, em Sligo, com outra violinista da Green Linnet, Eileen Ivers, e o acordeonista de Chicago John Williams. No final dá a palavra ao seu amigo e figura lendária da folk irlandesa Liam Clancy, para este recitar um poema de Mary Hynes adaptado do gaélico por Raftery. Obrigatório, para os que já têm o vício da Irlanda no corpo. (8)