Arquivo da Categoria: Progressivo

Art Zoyd – “Faust”

Pop Rock

3 de Julho de 1996
poprock

Art Zoyd
Faust
EARATIONAL, DISTRI. ANANANA


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Este “Faust” é a componente musical do espectáculo realizado o ano passado no auditório da Culturgest, onde os Art Zoyd acompanharam ao vivo a projecto do “Fausto” de Murnau. Na altura, a música deste agrupamento francês soou bem e fez sentido, acrescentando novas sombras e novas luzes ao jogo contrastado de emoções do cineasta mestre do expressionismo alemão. Fora de contexto, porém, este objecto musical perde grande parte da sua coerência, oferecendo uma sequência de paisagens/episódios ambientais onde falta precisamente aquilo que sobra no seu complemento cinematográfico: a força expressiva e dramática, elementos até aqui omnipresentes na obra dos Art Zoyd, que marcaram obras como “Le Marriage du Ciel et de l’Enfer”, o monumental “Berlin” e até, embora com menor intensidade, o duplo “Marathonnerre”. “Faust” é assim o primeiro, e até à data, único elo fraco numa cadeia de poder. (6)



Michael Rother – “Esperanza”

Pop Rock

1 de Maio de 1996
poprock

Michael Rother
Esperanza
SPV, DISTRI. MEGAMÚSICA


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Grata surpresa o regresso discográfico do mais melódico dos robôs do “krautrock”, cuja obra a solo deverá ser encarada como precursora da actual vaga “easy listening”, na sua vertente mais experimental. Se a edição do anterior “Traumreisen”, já lá vão nove anos, marcava a rendição do ex-Neu! À “new age” e o esgotamento de fórmulas rítmicas empregues até à exaustão, “Esperanza” assume-se como o álbum mais elaborado de toda a sua carreira e o mais diversificado em termos de batidas maquinais. Permaneceram o romantismo e o gosto pelas repetições, agora envoltos num formato mais próximo de Dieter Moebius, dos Cluster, que do “punk” electrónico dos Neu! O tema final, “Spirit of ‘72”, é uma recriação – não saudosista – da sonoridade “motor em quinta velocidade”, dos Harmonia, precisamente o projecto de Rother com os Cluster. (8)



Jon Anderson – “Angels Embrace”

Pop Rock

17 de Abril de 1996
poprock

Jon Anderson
Angels Embrace
HIGHER OCTAVE MUSIC, DISTRI. STRAUSS


ja

Era fatal como o destino, o antigo vocalista dos Yes caiu como mosca na sopa numa editora de “new age”. Na verdade, Jon Anderson nunca foi verdadeiramente um “rocker” e, com Vangelis a ajudar na transição, pode agora dar livre curso à sua costela de misticismo ecológico. Uma capa com céu e nuvens em dourado e inscrições do tipo “viagem espiritual através do poder curativo da música” embrulham uma música onde o cantor tenta fazer passar intacta por uma ponte de 22 anos a magia do seu álbum de estreia, “Olias of Sunhillow”. “Angels Embrace” é “Olias” numa perspectiva “new age”, sete temas interligados por passarinhos e sinos nos intervalos, onde a voz se reduz a coros angelicais (em dois deles com a ajuda do filho e da mulher), num álbum predominantemente instrumental, em que as harpas e os sintetizadores se anelam num nevoeiro de onde nunca chega a nascer o desejado. Falta a Jon Anderson, numa área já ocupada por nomes da ala mais melosa da Hearts of Space, como Constance Demby e Raphael, o abstraccionismo e poder de análise de um Brian Eno, cujas concepções de música funcional postas em prática em “Music for Airports” impregnam a evolução ambiental dos 14 minutos de “New fire land”. Pode ser interessante, quiçá uma experiência transcendental, observar com olhar vago e coração suspirante a passagem das nuvens, na expectativa de um instante de iluminação. Eno garante que sim. Será até possível “aceder àquele lugar de visão e claridade onde o ritmo da vida se move em harmonia com uma consciência mais elevada”, de que nos fala a editora. Mas será mesmo necessário idealizar a “nova idade” como o Parque Eduardo VII numa tarde de domingo? (5)