pop rock >> quarta-feira >> 09.11.1994
Mathilde Santing
Under A Blue Roof
Columbia, distri. Sony Music

Sempre que sai um novo disco desta holandesa de cabelo curto e voz longa como uma noite de Verão, nasce a promessa de canções que pedem a intimidade do coração para se darem a conhecer até ao fundo. Um fundo e um céu que nunca foram tão longe como em “Water under the Bridge”, um álbum literalmente do outro mundo, saído da pena de Rolf Hermsen, agora activo como arranjador de “Under a Blue Roof”. Depois desta incursão no “outro lado”, já distante de alguns anos, Mathilde resolveu cantar canções de outras latitudes e sensibilidades musicais e dar-lhes o brilho da sua própria personalidade.
No álbum anterior interpretou de forma superior as de Randy Newman. Neste é sensível uma mudança de orientação significativa. Ao nível do som, mais directo, resolvendo-se maioritariamente pelos Whole Band na clássica combinação guitarra/baixo, bateria/órgão, com sublinhados do violoncelo e do acordeão, mas também da própria escolha de canções, mais propícias a leituras imediatas e onde a voz denota a firma intenção de se voltar para emoções mais tangíveis.
A “soul music”, pois claro, ganha pontos nas preferências da holandesa, através de “Bad Weather, de Stevie Wonder, e “”Choosy beggar” e “I don’t blame you at all”, de Smokey Robinson. Tod Rundgren prova mais uma vez ser dos autores que Mathilde não dispensa, estando presente com “Lost Horizon” e “Tiny Demons”. Menos óbvias, mas de resultados surpreendentes, são as revisitações de “Gold”, escrito por Peter Blegvad, mestres da excentricidade, alguém que andou pelos Faust, Henry Cow, Slapp Happy e Golden Palominos, e de “Hey Joan”, transformação radical de “Hey Joe” que lança novas sombras sobre a imortal canção de Jimi Hendrix. Uma grande senhora, em tempo de descompressão. (7)















