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Mathilde Santing – “Choosy Live!”

pop rock >> quarta-feira >> 21.02.1996


Mathilde Santing
Choosy Live!
EPIC, DISTRI. SONY MUSIC



A holandesa está mais gorda e com corte de cabelo à rapaz. Mas que isso não constitua obstáculo para apreciar uma das mais elegantes cantoras da actualidade. Tapem-se as fotografias da capa, para não desviar a atenção, e fique-se (quase) a sós com a voz, cada vez mais quente e solta, da menina que se lançou amparada em muletas de pop electrónica, no mini-álbum de estreia, “Behind a Painted Smile”, assinou a sua obra-prima de canções sobrenaturais em “Water under the Bridge” e, a partir daí, se dedicou a cantar as canções de outros autores, assumindo por inteiro a condição de intérprete. Esta gravação ao vivo, efectuada num teatro ao ar livre de Valkenburg, dá-lhe inteira razão. Afastada de vez uma certa rigidez formal perceptível em trabalhos anteriores, manifesta-se em seu lugar o balanço orgânico e os ditados da emoção do momento. É uma Mathilde , “waltzing Mathilde”, por fim livre que faz flutuar, dançar e arder a escrita de alguns dos seus compositores preferidos, como Tim Finn, Joni Mitchell, Todd Rundgren e Randy Newman. Uma voz que transfigura. (7)

Mathilde Santing – “Tudo De Novo Por Baixo Do Sol” (concertos | antevisão)

pop rock >> quarta-feira >> 30.11.1994


Tudo De Novo Por Baixo Do Sol

Mathilde Santing
Dia 2, Teatro Sá da Bandeira, Porto, 22h
Dia 3, Convento do Beato, Lisboa, 22h


A linhagem nobre das grandes vozes femininas actuais passa por Mathilde Santing, cantora holandesa que pela primeira vez vem cantar a Portugal, acompanhada pelo seu novo grupo de apoio instrumental, Whole Band. Gerindo até à data da melhor forma a sua carreira e discografia, introduzindo em cada novo álbum diferenças de registo que tornam irrelevante o facto de não ser compositora, Mathilde Santing tem ainda a preocupação de conferir uma unidade forte a todos os seus trabalhos.
No início era a Pop electrónica, num mini-álbum intitulado “Behind a Painted Smile”. Seguiu-se aquele que muitos consideram ser a sua obra fundamental, “Water under the Bridge”, com canções de tonalidades surreais, Pop de câmara, como alguém lhe chamou, nascida em grande parte da inspiração do compositor e arranjador Dennis Duchhart. Com “Out of this Dream” teve início a faceta de cantora-intérprete sofisticada, na interpretação de canções de autores como Todd Rundgren, Tom Waits, os Squeeze ou a dupla Bacharah & David, quebrada em certa medida no álbum seguinte, “Breast & Brow”, pela presença da personalidade musical forte da pianista japonesa Mimi Izumi Kobayashi. John Cale, Henry Nilsson e Roddy Frame são alguns dos compositores aos quais a holandesa emprestou neste disco a sua voz.
Em “Carried Away” Mathilde Santing interpreta por sua vez um naipe de autores que inclui Robert Cray, Jules Shears e os Doors, para no álbum seguinte, “Texas Girl & Pretty Boy” se concentrar exclusivamente nas canções de Randy Newman.
“Under a Blue Roof”, o seu disco mais recente, onde além da presença assídua de Todd Rundgren, se estreiam canções de Joan Armatrading e Peter Blegvad, mostra nova inflexão na escolha de reportório, revelando as múltiplas matizes de uma sensibilidade capaz de se fazer entender por caminhos onde uma sensualidade subtil se alia à inteligência e a um grande rigor formal. Caminhos até há pouco tempo percorridos em primeira escolha nas rotas do intimismo mas que agora se abrem, num sobressalto de sol, para a luz do dia, ao colo dos ritmos “funky” e da energia do rock’n’roll.

Mathilde Santing – “Under A Blue Roof”

pop rock >> quarta-feira >> 09.11.1994


Mathilde Santing
Under A Blue Roof
Columbia, distri. Sony Music



Sempre que sai um novo disco desta holandesa de cabelo curto e voz longa como uma noite de Verão, nasce a promessa de canções que pedem a intimidade do coração para se darem a conhecer até ao fundo. Um fundo e um céu que nunca foram tão longe como em “Water under the Bridge”, um álbum literalmente do outro mundo, saído da pena de Rolf Hermsen, agora activo como arranjador de “Under a Blue Roof”. Depois desta incursão no “outro lado”, já distante de alguns anos, Mathilde resolveu cantar canções de outras latitudes e sensibilidades musicais e dar-lhes o brilho da sua própria personalidade.
No álbum anterior interpretou de forma superior as de Randy Newman. Neste é sensível uma mudança de orientação significativa. Ao nível do som, mais directo, resolvendo-se maioritariamente pelos Whole Band na clássica combinação guitarra/baixo, bateria/órgão, com sublinhados do violoncelo e do acordeão, mas também da própria escolha de canções, mais propícias a leituras imediatas e onde a voz denota a firma intenção de se voltar para emoções mais tangíveis.
A “soul music”, pois claro, ganha pontos nas preferências da holandesa, através de “Bad Weather, de Stevie Wonder, e “”Choosy beggar” e “I don’t blame you at all”, de Smokey Robinson. Tod Rundgren prova mais uma vez ser dos autores que Mathilde não dispensa, estando presente com “Lost Horizon” e “Tiny Demons”. Menos óbvias, mas de resultados surpreendentes, são as revisitações de “Gold”, escrito por Peter Blegvad, mestres da excentricidade, alguém que andou pelos Faust, Henry Cow, Slapp Happy e Golden Palominos, e de “Hey Joan”, transformação radical de “Hey Joe” que lança novas sombras sobre a imortal canção de Jimi Hendrix. Uma grande senhora, em tempo de descompressão. (7)