Arquivo da Categoria: Chamber Rock

Vários – “The Impressionists”

pop rock >> quarta-feira, 03.02.1993

NOVOS LANÇAMENTOS


Vários
The Impressionists
CD Windham Hill, distri. BMG



O termo “impressionista” começou por ser ofensivo antes de ser arte. Os impressionistas eram artistas que nunca diziam nada de forma directa. Jogavam com a subjectividade da percepção. Pintavam e compunham a partir de pontos, manchas, luz. Em suma, não mostravam “coisas” mas sim “impressões”, como a designação deixa entender. Um grupo de músicos da editora Windham Hill, das primeiras a lançar o termo “new age”, jugou que tinha uma palavra a dizer sobre o assunto. Reuniram-se as hostes, os pianos, as guitarras acústicas e as cordas sintéticas, acenderam-se os paus de incenso e deitou-se mãos a peças de Gabriel Fauré, Claude Debussy, Maurice Ravel e Erik Satie. O resultado, semelhante ao que Waldo de Los Rios fez com Vivaldi, mas mais lento, é bastante soporífero. As “Sicilienne”, “Pavane” e “Sontine” transformaram-se em “sprays” de Brise e romances de cordel. Faz pena ver as “Gimnopédies” de Satie serem assassinadas por Tim Story e Alex de Grassi, e confusão os manos Triona e Micheál O’ Dhomhnaill (ilustres da folk irlandesa) metidos nestas andanças, com os Nightnoise. Graças à Windham Hill, “impressionista” volta a ser um insulto. (3)

David Cunningham – “Water”

Pop Rock >> Quarta-Feira, 22.07.1992


DAVID CUNNINGHAM
Water
CD Made To Measure, distri. Contraverso



O principal problema com que a Made to Measure (MTM) se confronta actualmente é a imagem que, ao longo dos anos, criou de si própria. Se a etiqueta de “músicas de circunstância” é suficientemente vasta para incluir uma variedade de estilos e abordagens musicais que garantam a diversidade, verifica-se por vezes na MTM, sobretudo em algumas das suas produções recentes, a tendência para uma certa lassidão, traduzida em bandas sonoras anódinas, que pouco mais são que uma forma sofisticada de “muzak”. “Water”, colecção de instrumentais do ex-mentor dos Flying Lizards, inclui-se nesta categoria de paisagens ambientais que não apontam para lado nenhum, repetindo até ao infinito as lições há muito enunciadas por Brian Eno. Um piano flutua no vazio. Sombras, ritmos hesitantes, esboços de melodias, um tom geral de aguarela semelhante ao dos discos gravados nesta mesma editora por Peter Principle. Há a curiosidade de Robert Fripp tocar num dos temas, se bem que não se note muito na audição. “Laissez faire, laissez passer” parece ser o lema. Não por acaso, as notas da capa, explicam tudo muito explicadinho, com as habituais teorias sobre “continuidade e espaço acústico”, aconselhando finalmente o ouvinte a um “acto de imaginação”, de modo a ter a oportunidade de “explorar um método de audição que não é baseado na natureza usual da forma clássica iu da arte musical europeia”. Quer dizer: o que o músico não faz tem de fazer o ouvinte. Não deixa de ser agradável, sobretudo para quem tem imaginação. (7)

Vasilisk – “Liberation & Ecstasy”

Pop-Rock Quarta-Feira, 02.10.1991


VASILISK
Liberation & Ecstasy
CD, Musica Maxima Magnetica, import. Ananana


Do Japão surgiram nos últimos tempos algumas das propostas mais interessantes no seio do panorama actual das músicas alternativas. Depois da “descoberta” de grupos como os After Dinner, Wha Há Há ou Guernica pela Recommended Records, chega a vez da ala ritualística emergir, desta feita no selo italiano dirigido por Luciano Dari. Ao contrário de grupos como os Current 93, Lustmord, Hafler Trio, Nocturnal Emissions ou toda a nova geração de seguidores de Lúcifer que recuperam as práticas mágicas ancestrais para as orientar numa polaridade negativa, de acordo com práticas xamânicas e tântricas, visando a obtenção de poder, os Vasilisk mantêm-se fiéis ao telurismo amoral das origens, sem o recurso às técnicas de manipulação sonora e psíquica habituais neste tipo de experiências.
Em “Liberation & Ecstasy” (que inclui novas versões de temas de anteriores trabalhos como “Whirling Dervishes”, “Mkwaju” e “Acqua”) as percussões rituais minimalistas alternam com sons naturais e fragmentos de música tradicional japonesa, na criação de texturas exóticas e de cadências hipnóticas que, nos 15 minutos do longo cerimonial “Whirling Dervishes”, atingem o clímax.
****

Legenda:
. Imperdoável
* Mau Mau
** Vá Lá
*** Simpático
**** Aprovado
***** Único