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Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #55 – “E.NEUBATEN ‘Babylon Berlin’ (FM)”

#55 – “E.NEUBATEN ‘Babylon Berlin’ (FM)”

Fernando Magalhães
20.12.2001 160410

“Babylon Berlin”, nova BSO assinada pelos Einstürzende Neubauten é um digno sucessor de “Silence is Sexy”. Ao contrário do que acontece com grande parte das bandas sonoras, a música de “Babylon Berlin” é auto-suficiente. Electrónica, batidas de metal, e uma grande canção a fechar o disco. Por vezes, os ambientes lembram os de “Halber Mensch”.

FM

Vários – “Bandes Originales du Journal ‘Spirou'”

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 25 ABRIL 1990 >> Videodiscos >> Pop


VÁRIOS ARTISTAS
Bandes Originales du Journal “Spirou”
CD duplo Nato, distri. VGM


Jean Rochard, patrão da editora francesa Nato, é um fanático da banda desenhada, como o demonstram, aliás, a quase totalidade das capas dos discos editados neste selo. “Spirou” constitui o remate lógico desta paixão. Para o efeito Rochard reuniu o grosso dos “seus” artistas, convidando-os para compor música para diversos álbuns daquela revista. O resultado dos trabalhos é esplendoroso. De resto, não espanta que assim seja, se perspetivarmos corretamente a linha estética predominante na casa. Tony Hymas, Steve Beresford, Mike Cooper, Lol Coxhill ou Clive Bell não escondem a sua admiração pelo universo das imagens, sejam elas cinematográficas ou, como neste caso, da banda desenhada. Recordem-se aqui os estranhos objetos musicais da Chabada Records, subsidiária da Nato, dedicados a Brigitte Bardot ou aos irmãos Marx. Em “Spirou” foi-lhes dada rédea solta, e quem ganha é a música, aqui estruturada numa longa “fita” de múltiplos argumentos e inspirados narradores. Mais descritivas e menos abstratas do que certas obras mais radicais da editora, das “bandas sonoras” de “Spirou” entrecruzam feericamente os “clichés” mais evidentes (como os do “Film Noir” ou do “Western”) com incursões por um experimentalismo bem-humorado. Para além dos já citados, participam nesta aventura, entre outros, nomes como John Zorn e os seus amigos Blind Idiot God, Max Eastley, Tony Coe e David Weinstein, entretidos e divertidos com os seus heróis Spirou & Fantásio, Attila, Chaminou ou Natasha. As manobras da NATO voltam a dar que falar.

Mahabharata (The) – “Banda Sonora Original”

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 4 ABRIL 1990 >> Videodiscos >> Pop


THE MAHABHARATA
Banda Sonora Original
LP e CD Real World, import. Edisom


O título refere-se ao longo poema, originalmente escrito em sânscrito, narrando a história da humanidade em geral ou da civilização indiana em particular, se considerarmos a dupla aceção do vocábulo “bharata” (“homem” e “hindu”). Alguns estudiosos inclinam-se ainda para uma terceira hipótese, definindo o termo como uma espécie de inseto rastejante. O cineasta Peter Brook parece ter-se cingido às duas primeiras no filme com o mesmo nome que a RTP recentemente transmitiu em vários episódios. A música é representativa de várias culturas e tradições orientais e é belíssima. Os participantes, oriundos de regiões tão diversas como o Japão, Irão, Turquia, Índia, Dinamarca e França, não recearam aliar os sons tradicionais às técnicas e eletrónica atuais, criando um exemplar de “world music” na linha de uma outra banda sonora, “Passion”, de Peter Gabriel, gravada, aliás, para a mesmo editora. Com a vantagem de, ao contrário da música do filme de Scorsese, saber evitar habilmente qualquer concessão ao mau gosto. Uma chamada de atenção para o canto de Sarmila Roy, e em particular para as suas interpretações das peças escritas e compostas pelo poeta Rabindranath Tagore.