Arquivo mensal: Setembro 2022

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #81 – “Roxy Music (Pedrotaos)”

#81 – “Roxy Music (Pedrotaos)”

Fernando Magalhães
22.02.2002 140208
Os cinco primeiros álbuns são essenciais.

ROXY MUSIC (9/10)
FOR YOUR PLEASURE (10/10)
STRANDED (9,5/10)
COUNTRY LIFE (8/10)
SIREN (8,5/10)

Da segunda fase, já não gosto tanto…

Ah, sim, e o álbum ao vivo dos anos 70, vale pela fenomenal (repito, FENOMENAL, superior à versão de estúdio contida no “For your Pleasure”) versão de “In every dream home, a heartache” – história de um homem apaixonado pela sua boneca insuflável…espantosa declaração sobre o vazio de uma certa vivência burguesa (Hollywood, Hollywood…) servida por uma tema musicalmente obsessivo (na versão ao vivo, ainda mais) que culmina na frase: “I blow up your body, but you blew my mind!”

FM

Annette Peacock – “A Voz Da Liberdade” (concertos | antevisão | artigo de opinião | entrevista | discografia)

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 19 DEZEMBRO 1990 >> Pop Rock


A VOZ DA LIBERDADE

Não quer ser estrela nem que a considerem um objeto. Recusou tocar com David Bowie e Brian Eno – o sucesso não lhe diz nada. Prefere o prazer de um percurso solitário, sem perder o controlo da sua arte. Pôs os sintetizadores a cantar quando estes não tinham ainda sequer voz. Ao fim de 25 anos de carreira, acha que as pessoas estão aptas a compreendê-la. É o que veremos em Lisboa, onde atua na Aula Magna, na próxima sexta-feira.



PÚBLICO – Cresceu entre músicos de jazz, como Mingus ou Albert Ayler. A sua música, no entanto, parece afastar-se constantemente dessa linguagem. Ainda se considera uma intérprete de jazz?
Annette Peacock – Só em relação às minhas raízes, na altura em que escrevia música instrumental para ser tocada por improvisadores. Havia a responsabilidade de compor uma base musical que eles pudessem desenvolver. Preocupo-me sempre com a liberdade que os músicos têm, num contexto jazzístico. No meu caso pessoal, interessa-me a liberdade de que disponho para trabalhar elementos como a harmonia ou o ritmo, enfim os próprios elementos estruturais da música. Tudo isto está presente no idioma do jazz e só nesta medida é que fui por ele influenciada.
P. – As palavras desempenham um papel importante nas suas canções, em termos de significado e musicalidade. Escreve poemas, à maneira tradicional ou, pelo contrário, estes surgem a partir da voz e das técnicas vocais.
R. – Dou prioridade à música. O que surge em primeiro lugar é o ambiente musical. Às vezes parto de uma atitude ou de uma visão particular daquilo que quero dizer. A última coisa que me preocupa é o que vou fazer com a minha voz. Defino primeiro o que quero fazer e só depois como o irei fazer.
P. – Gravou há anos um disco com o seu ex-marido Gary Peacock e com Paul Bley, para a editora de Manfred Eischer. O denominado “som ECM” exerceu alguma influência no seu estilo?
R. – Pelo contrário. Paul Bley acha que fui eu que influenciei o tal “som ECM”. Nessa altura escrevia sobretudo baladas, tocadas por pequenos grupos de duas ou três pessoas. Ele acredita que a audição da minha música, por parte de Manfred Eischer, foi determinante para a orientação estética da editora. Antes não havia música lenta, era o “free jazz”, tudo muito rápido e agressivo. Faltava “espaço” à música. Faltava doçura.


Ironia

P. – Nas suas canções cruzam-se palavras por vezes violentas com uma maneira extremamente suave de as cantar. O tom dominante parece ser a ironia…
R. – Ironia, sim. Gosto de lidar com opostos. Procuro alcançar o equilíbrio estético entre extremos. As ideias mais agressivas têm sempre um maior impacte quando são cantadas de modo não agressivo.

P. – Por falar em ironia, o que a levou a criar uma editora própria, a Ironic Records?
R. – Na altura estava a escrever um tipo de música sem qualquer hipótese de ser aceite por uma grande companhia, pois não era de molde a agradar às massas. Atualmente é diferente, as pessoas têm uma maior abertura de espírito, foram educadas num leque de experiências musicais mais alargado. Mas no início dos anos 80, quando formei a minha editora, a minha música destinava-se somente às audiências mais esclarecidas.
P. – A Ironic Records possui mais alguns artistas, para além de si?
R. – Apenas formei a editora para poder fazer e editar a minha música. Muitos músicos já me pediram para incluir trabalhos seus na etiqueta, mas esquecem-se de uma coisa: não quero transformar-me numa editora de discos, mas simplesmente editar os meus trabalhos sem problemas e torná-los acessíveis a qualquer pessoa que os queira ouvir.


“Não quero ser um objeto”

P. – Porque recusou a proposta de David Bowie para tocar com ele, na época de “Alladin Sane”?
R. – Não quis fazer esse tipo de música. O que eu pretendia era andar em “tournée” pela Europa, utilizando sintetizadores numa base de improvisação sobre novas estruturas musicais. Disse-lhe que, na sua qualidade de músico, devia arranjar os seus próprios sintetizadores, fechar-se num quarto e aprender a tocá-los…
P. – Também se recusou a trabalhar com Brian Eno…
R. – Sim, recusei o convite de Brian Eno porque ele queria separar a música da voz. Era como cortar-me ao meio. Eu preferia que a minha música aparecesse como um todo, com a voz indissociada dos poemas.
P. – Por outro lado, colaborou com Andrew Poppy, no álbum “Alphabed (a mystery dance)”…
R. – Dessa vez aceitei. Gosto de colaborar nos projetos de outras pessoas quando elas respeitam aquilo que eu faço. No caso de Andrew Poppy não me vi confrontada com ter de aceitar um certo estilo de vida, como decerto teria acontecido se tivesse aceitado os convites de Bowie ou Eno, em que seria tratada como se fosse um objeto. É difícil ser-se real e verdadeiro quando se entra nessa grande mentira que é o estatuto de estrela pop.
P. – O que quer dizer com “ser-se real e verdadeiro”?
R. – Nessa altura eu e David Bowie, que era fã da minha música, partilhávamos o mesmo “manager”. Deste modo pude observar de perto a ascensão de Bowie, quando os seus discos começaram a tornar-se êxito na América. As pessoas tratavam-no como se fosse um objeto. Claro que era essa a imagem que ele gostava de dar aos outros, mas eu não me teria sentido bem nesse papel. Para mim, a música é a maneira de expressar a minha visão pessoal, a minha arte, o meu trabalho. Não a faço para obter resultados, sejam eles ganhar dinheiro ou tornar-me famosa. Faço música porque tenho de a fazer.
P. – Tem medo do sucesso?
R. – Sim, de certo modo. Não gosto de ser obrigada a fazer as coisas, penso que isso não me traria grande satisfação. O sucesso acarreta a perda de controlo. O controlo da qualidade do meu trabalho é imprescidível para poder continuar. Mantenho-me fiel a estes princípios e é graças a eles que garanto a minha sanidade mental. O sucesso só me interessa se obedecer às condições que eu própria imponho. Se o sucesso acontecer, não será concerteza nos tempos mais próximos… Preocupo-me apenas com a satisfação que retiro do meu trabalho. Não vou modificar esta maneira de proceder para obter resultados que não me trarão qualquer felicidade.
P. – Os seus textos tratam, por vezes, temas incómodos como a masturbação, o incesto ou o sadomasoquismo. Não acha que é a maneira mais difícil de alcançar o reconhecimento público?
R. – Não gosto que me considerem uma rebelde, mas não tenho outra escolha: esses temas fazem parte da essência da vida que todos vivemos e se não falarmos deles estamos a incorrer numa mentira. Para se conseguir um trabalho continuado e prolífico, há que evitar duas coisas: uma é não fazer nada, outra é mentir. É necessária a sinceridade. Decidi fazer música durante toda a vida. Esta decisão torna-me capaz de ver as coisas a longo prazo e dá-me liberdade para as fazer, sem as pressões de uma editora convencional que não seria capaz de assumir riscos. Sem correr riscos, não consigo descobrir nada. Sem risco, não há prazer…
P. – Nos seus até agora quatro álbuns, gravados para a Ironic – “Sky Skating”, “Been in the Streets too long”, “I Have no Feelings” e “Abstract Contact” –, utiliza praticamente apenas o piano e os sintetizadores…
R. – Basicamente, a música que gravo destina-se posteriormente a ser tocada ao vivo. Penso sempre nestes termos: “Como vou tocar isto ao vivo?”. Gosto de manter apenas um pequeno grupo de pessoas porque, em palco, há deste modo uma maior liberdade e a sensação constante de que “tudo pode acontecer”, o que, para mim, se torna extremamente estimulante…
P. – É verdade que foi um dos primeiros intérpretes a utilizar o sintetizador Moog em palco?
R. – Sim, com um dos primeiros protótipos do instrumento que me foi oferecido pelo seu inventor (Robert Moog). Há três anos, alguém me entregou uma revista técnica de computadores, em que se afirmava serem impossíveis as proezas técnicas que então me eram atribuídas… Pensei inicialmente em fazer passar todos os outros instrumentos pelo sintetizador, transformar-lhes o som e controlá-los como se fosse um dirigente de orquestra. Mas acabei por achar mais interessante filtrar antes a minha voz. Nessa altura o Vocoder (mais tarde largamente utilizado por Laurie Anderson, por exemplo) ainda não tinha sido inventado. O sintetizador que eu utilizava nem sequer tinha sido concebido para receber o som doutros instrumentos… Era uma coisa enorme e pesada. Músicos como Tony Williams e John McLaughlin, costumavam então assistir aos meus concertos. Para eles, era uma novidade. Tinham de esperar 20 minutos entre cada canção, que era o tempo necessário para mudar as ligações…

“Rap” longo e profundo

P. – O que a levou a escrever o quase manifesto que é “Elect yourself”, incluído no seu mais recente disco, “Abstract Contact”?
R. – Tem tudo a ver com a nova geração de putos que acreditam que a música pode mudar o mundo. É um “rap” escrito à minha maneira (como “Loss of Consciousness”, de “The Perfect Release”); longo e profundo, que não tem nada a ver com os habituais egotismos do género, do tipo “Olhem para mim, sou o melhor compositor do mundo”…
P. – Tem planos para um próximo álbum?
R. – De facto, preparo atualmente um novo disco que será qualquer coisa de muito perfeito. É uma obra em que trabalho já há alguns anos e que não será editada na minha editora. Desta vez a música será menos elitista e qualquer pessoa está apta a compreendê-la…
P. – Em Lisboa, como será? Quais os músicos que a acompanham e qual o reportório escolhido?
R. – Venho acompanhada de um trio de músicos muito jovens: Simon Price, na bateria, que participou na gravação de “Abstract Contact”, Michael Mondesir, no baixo, durante três anos acompanhante do saxofonista Courtney Pine, e Amit Mukherjee, na guitarra. Cantarei canções de todos os meus álbuns, a partir de “X-Dreams”. Tenho muito por onde escolher, entre 25 anos de canções. Organizei uma sequência estruturada de forma “dramática”, para o impacte ser maior. Espero que as pessoas percam a cabeça, do estilo de saírem da sala sem saber onde moram…

DISCOGRAFIA

1968 – REVENGE
Polydor
Estreia de quase impossível acesso. Inclui o “punk rap” “I Belong to a World that’s Destroying Itself”. Prováveis delírios eletrónicos, suavizados pelas carícias da voz aveludada. Vingança contra os habitantes do mundo, na época entretidos a brincar às cores nas traseiras da realidade.

1971 – I’M THE ONE
RCA
Foi quando Bowie a descobriu. Na altura até o NME dizia maravilhas. Também é difícil encontrá-lo. Adivinham-se paraísos a que a inacessibilidade acrescenta o sabor do desconhecido.

1978 – X-DREAMS
Aura
Apareceu por cá na altura e foi um estouro. Com que cara se escuta alguém cantar “My Mama Never Taught me How to Cook” como se fosse a atividade mais erótica do mundo? Em “Too Much in the Skies”, ficamos a saber como cantam os anjos nos ardores da primavera.

1979 – THE PERFECT RELEASE
Aura
Menos aparatoso que o anterior. “O amor saiu para almoçar”, “Perda de Consciência”. Os extremos tocam-se, a violência e a sensualidade da voz. Destaque para “Survival”, longo tema, discretamente “jazzy”, em que as palavras se transformam em mantra hipnótica.

1982 – SKY SKATING
Ironic
Obra máxima. Voz, piano e sintetizador bastam para fazer da balada um género maior. Cada canção arranha céus. A bailarina dança no topo dos edifícios e flutua mais para cima. A vertigem é nossa.

1983 – BEEN IN THE STREETS TOO LONG
Ironic
Talvez, mas para nós não. É a continuação musical do álbum anterior. Seduz irremediavelmente, como todos. A mesma instrumentação, a altura de sempre das palavras. A voz. A voz que parece ter corpo e tocar-nos diretamente onde somos mais sensíveis.

1986 – I HAVE NO FEELINGS
Ironic
Mais eletrónico que os anteriores. Às vezes lembramo-nos de Robert Wyatt, no som, na desolação, no tom intimista e sombrio das palavras. Ainda e sempre a ironia…

1988 – ABSTRACT CONTACT
Ironic
O mais acessível de todos. “Funky” à maneira da senhora. Os mais despreocupados podem pois dançar. “Elect Yourself” – 15 minutos, os suficientes para tocar em todas as feridas da América e mesmo nas nossas. Mesmo assim, queremos mais. Annette canta todas as coisas como se fizesse amor.

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #80 – “Os meus discos de jazz (FM)”

#80 – “Os meus discos de jazz (FM)”

Fernando Magalhães
22.02.2002 140250
Isto nos últimos tempos mais tem parecido um FORUM JAZZ! :). Assim, eis a lista dos meus CDs de jazz ou de música que anda lá (bastante) perto.
Devo dizer que, por norma (há exceções, claro) gosto mais dos discos que, por uma razão ou por outra, são “híbridos”, em que o jazz é contaminado/pervertido/desviado/miscigenado, escapando amiúde à lógica mais típica do seu autor.

Assim, temos (ou melhor, tenho):

JAZZ/JAZZ ROCK/FUSÃO

ABDULLAH IBRAHIM

1568 – Ekaya (Black Hawk, 1987) 8/10
0148 – Mantra Mode (Tiptoe, 1991) 8/10

AL DI MEOLA

0516 – Land of the Midnight Sun (Sony, 1976) 7,5/10

ALICE COLTRANE

3166 – Ptah, The El Daoud (Impulse, 1970) 8/10

APARIS

1783 – Aparis (ECM, 1990) 7,5/10
0344 – Despite the Fire-Fighters’ Efforts (ECM, 1993) 8/10

ARCHIE SHEPP

0836 – On this Night (Impulse, 1966) 8/10
1493 – The Way Ahead (Impulse, 1968) 9/10
0776 – Things have got to Change (Impulse, 1971) Não deixem de ouvir este, apreciadores de A. Shepp! 9,5/10
0977 – Little Red Moon (Soul Note, 1986) 8/10

BEAU HUNKS (THE)

1169 – Celebration on the Planet Mars, A Tribute to Raymond Scott (Basta, 1994) 9/10
1108 – Manhattan Minuet (Basta, 1996) 9/10
2507 – The Beau Hunks Saxophone Soctette (Basta, 1999) 8,5/10

BILL BRUFORD’S EARTHWORKS

0366 – Earthworks (Editions EG, 1987) 7,5/10

BILLIE HOLIDAY

1541 – Lady Sings the Blues (Verve, 1956) 7,5/10

BILLY COBHAM

3320 – Spectrum (Atlantic, 1973) 8,5/10
0046 – Crosswinds (Atlantic, 1974) 9/10

BOBBY HUTCHERSON, CRAIG HANDY, LENNY WHITE, JERRY GONZALEZ

1434 – Acoustic Masters II (Atlantic, 1994) 8/10

BOBBY PREVITE

1152 – Music of the Moscow Circus (Gramavision, 1990) 8/10
1232 – Hue and Cry (Enja, 1994) 8/10

CARLA BLEY

0720 – Escalator over the Hill (c/Paul Haines) 2xCD (JCOA, 1971) 8,5/10
0630 – Tropic Appetites (Watt, 1974) 9,5/10
0474 – Dinner Music (Watt, 1977) 8/10
0453 – Musique Mecanique (Watt, 1979) 10/10
0601 – Social Studies (Watt, 1981) 9/10
1773 – The very Big Carla Bley Band (Watt, 1991) 8/10

CENTIPEDE

2917 – Septober Energy 2xCD (BGO, 1971) 8/10

CHICAGO UNDERGROUND TRIO

0186 – Possible Cube (Delmark, 1999) 7/10

CHICK COREA

0306 – Return to Forever (ECM, 1972) 7/10
3242 – The Leprechaun (Verve, 1975) 7/10
0973 – Again and again (The Joburg Sessions) (Elektra, 1983) 7,5/10

CHRIS McGREGOR’S BROTHERHOOD OF BREATH

2326 – Chris McGregor’s Brotherhood of Breath (Repertoire, 1971) 9/10

COLIN WALCOTT, DON CHERRY, NANA VASCONCELOS

1353 – Codona (ECM, 1981) 7,5/10
1457 – Codona 2 (ECM, 1981) 7/10
1366 – Codona 3 (ECM, 1983) 7,5/10

COLOSSEUM

0458 – Those who are about to Die Salute you (Essential, 1969) 8/10
2446 – Valentyne Suite (Essential, 1969) 8,5/10
2452 – Daughter ot Time (Essential, 1970) 7/10

DAVE HOLLAND QUARTET

3322 – Dream of the Eldest (ECM, 1996) 7,5/10

DAVID MURRAY TRIO

3286 – The Hill (Black Saint, 1988) 8/10
0717 – Ballads (DIW, 1990) 8/10 Dizem que o DM é o sucessor de Coltrane…

DEDALUS

1630 – Dedalus (Vinyl Magic, 1973) 8/10

DIANE LABROSSE

1985 – Face Cachée des Choses (Ambiances Magnétiques, 1995) 8/10

DUKE ELLINGTON

2118 – The Afro-Eurasian Eclipse (Fantasy/Original Jazz Classics, 1975) 8/10

EBERHARD WEBER

1221 – The Colours of Chloe (ECM, 1974) 8,5/10

EDWARD VESALA

1465 – Nan Madol (ECM, 1976) 8,5/10
1329 – Invisible Storm (ECM, 1992) 9/10

EMBRYO

1993 – We Keep on (Disconforme, 1973) 8/10

FELA ANIKULAPO KUTI

0981 – Beasts of no Nation (Shanachie, 1989) 8/10

GARY BURTON

1934 – Dreams so Real (ECM, 1976) 8/10

GRAHAM BOND

3098 – Holy Magick (BGO, 1970) 7/10
– We Put our Magick on you (1971) 7,5/10

HENRY COW

0017 – The Henry Cow Leg End (Recommended, 1973) 10/10
0605 – Western Culture (Broadcast, 1979) 8,5/10

HERBE ROUGE

3278 – Herbe Rouge (Legend Music, 1978) 7,5/10

HERBIE HANCOCK

3161 – Sextant (Columbia Legacy, 1973) 8/10
3258 – Head Hunters (Columbia Legacy, 1973) 8/10

HERMETO PASCOAL

1374 – A Música Livre de Hermeto Paschoal (Philips, 1973) 8/10
0569 – The Legendary Improviser (West Wind, 2001) 7,5/10

HUGH HOPPER BAND

2143 – Carousel (Cuneiform, 1995) 7/10

ISOTOPE

3215 – Isotope (See for Miles, 1974) 7/10
– Illusion (1974) 7/10
3216 – Deep End (Line, 1976) 7,5/10

ISOTOPE 217º

2268 – The Unstable Molecule (Thrill Jockey, 1997) 8/10
2392 – Utonian Automatic (Thrill Jockey, 1999) 7,5/10
2973 – Who Stole the I Walkman? (Thrill Jockey, 2000) 8/10

JACK BRUCE

3276 – Things We Like (Polydor, 1970) 7,5/10

JACK DeJOHNETTE’S SPECIAL EDITION

3321 – Special Edition (ECM, 1980) 8,5/10
3318 – Tin Can Alley (ECM, 1981) 8/10

JAN GARBAREK, BOBO STENSON, TERJE RYPDAL, ARILD ANDERSEN, JON CHRISTENSEN

0320 – Sart (ECM, 1971) 7,5/10

JAZZ PASSENGERS (THE)

1107 – Implement Yourself (New World, 1990) 8/10

JEAN DEROME

1996 – Carnets de Voyage (Ambiances Magnétiques, 1994) 8/10
1907 – Navré (Ambiances Magnétiques, 1995) 8,5/10
2596 – La Bête, the Beast within (Ambiances Magnétiques, 1996) 7,5/10

JEAN – LUC PONTY

2769 – King Kong (Blue Note, 1970) 8/10

JOE HENDERSON

1717 – Multiple (Original Jazz Classics, 1973) 8/10
0310 – The Elements (Original Jazz Classics, 1974) 8,5/10

JOHN ABERCROMBIE

3298 – Timeless (ECM, 1975) 7/10

JOHN COLTRANE

0954 – Giant Steps (Atlantic, 1956) 8,5/10
3172 – Blue Train (Blue Note, 1957) 8,5/10
3171 – A Love Supreme (Castle Pie, 1965) 8,5/10
3306 – Sun Ship (Impulse, 1965) 8,5/10

JOHN LURIE

0392 – Down by Law/Variety (Made to Measure, 1987) 7/10

JOHN McLAUGHLIN

1002 – Extrapolation (Polydor, 1969) 8/10
3270 – Where Fortune Smiles (BGO, 1971) 8,5/10
1775 – Inner Worlds (Columbia, 1976) 7,5/10

JOHN SURMAN

1551 – How many Clouds can you See? (Deram, 1970) 8/10
3261 – Tales of the Algonquin (Deram, 1971) 9/10
3227 – Westering Home (Future Music Legacy, 1972) 8,5/10
1431 – Upon Reflection (ECM, 1979) 8/10
1003 – The Amazing Adventures of Simon Simon (ECM, 1981) 8,5/10
3266 – Such Winters of Memory (ECM, 1983) 8,5/10
0995 – Witholding Pattern (ECM, 1985) 8/10
0682 – Private City (ECM, 1988) 7,5/10
0963 – Road to Saint Ives (ECM, 1990) 7,5/10

JOHN TAYLOR

2102 – Pause, and Think again (FMR, 1971) 7,5/10

JON HASSELL

2679 – Fascinoma (Water Lily Acoustics, 1999) 8/10

KEITH TIPPETT GROUP (THE)

0643 – You are here…I am there (Disconforme, 1970) 8/10
2918 – Dedicated to you, but you weren’t Listening (Repertoire, 1971) 8,5/10

LARS HOLLMER

1492 – XII Sibiriska Cyklar (Resource, 1981) 8/10
– Vill du Höra Mer (1982) 8/10
3102 – Tonöga (Resource, 1985) 8/10
– Fran Natt Idag (1985) 8/10
– Vendeltid (1987) 8,5/10
1487 – Live 1992 – 1993 (Victo, 1993) 8,5/10
1618 – Vandelmassa (Ayaa, 1994) 8/10

LOUIS SCLAVIS

2117 – Chine (IDA, 1987) 9/10
0734 – L’Affrontement des Prétendants (ECM, 2001) 7,5/10

LOUNGE LIZARDS (THE)

0422 – The Lounge Lizards (Editions EG, 1981) 7,5/10
0722 – Voice of Chunk (Milan, 1989) 8/10

MAHAVISHNU ORCHESTRA

0073 – Birds of Fire (Columbia, 1973) 9/10
0988 – The Lost Trident Sessions (Columbia Legacy, 1973) 8/10
0544 – Apocalypse (CBS, 1974) 7,5/10

MARC MOULIN

3175 – Sam Suffy (Counterpoint, 1975) 7/10

MARKUS STOCKAUSEN

1352 – Possible Worlds (CMP, 1995) 7/10

MARKUS STOCKAUSEN & GARY PEACOCK

1797 – Cosi Lontano Quasi Dentro (ECM, 1989) 7,5/10

McCOY TYNER

0170 – Sahara (Original Jazz Classics, 1972) 8,5/10
1349 – Atlantis (Milestone, 1975) 9/10

METROPOLE ORCHESTRA (THE)

2606 – Raymond Scott: The Chesterfield Arrangements, 1937-38 (Basta, 1999) 8,5/10

MICHAEL MANTLER

3027 – Movies (Watt, 1978) 8/10
– More Movies (1980) 8/10
3028 – Something there (Watt, 1983) 7,5/10
2052 – Alien (ECM, 1985) 7,5/10

MIKE GIBBS

3181 – Michael Gibbs (Deram, 1970) 9/10
2735 – Tanglewood 63 (Deram, 1971) 8,5/10
2458 – The only Chrome-Waterfall Orchestra (BGO, 1975) 9/10

MIKE WESTBROOK CONCERT BAND (THE)

1407 – Release (Deram, 1968) 8,5/10
2632 – Metropolis (BGO, 1971) 9/10

MILES DAVIS

0889 – In a Silent Way (Sony, 1969) 8,5/10

MILT JACKSON

1542 – Sunflower (CTI, 1973) 8/10

MUFFINS (THE)

0296 – Chronometers (Cuneiform, 1976) 8,6/10
3239 – Manna/Mirage (Wayside Music Archive Series, 1991) 8/10

MYRA MELFORD

1381 – Even the Sounds Shine (Hat Hut, 1995) 8,5/10
2612 – The same River twice (Gramavision, 1996) 8,5/10

NUCLEUS

1874 – Elastic Rock (BGO, 1970) 9/10
– We’ll Talk about it Later (1971) 8/10

PASSPORT

3231 – Cross-Collateral (Atlantic, 1975) 7,5/10

PAT METHENY & LYLE MAYS

0860 – As Falls Wichita, so Falls Wichita Falls (ECM, 1981)
8/10

PAT METHENY (GROUP)

0639 – 80/81 2xCD (ECM, 1980) 7,5/10
0940 – Offramp (ECM, 1982) 8/10

PERIGEO

3178 – Azimut (RCA, 1972) 8/10
3174 – La Valle dei Templi (RCA, 1975) 8/10
0680 – Non è Poi Così Lontano (RCA, 1976) 6,5/10

PETER APFELBAUM

1125 – Jodoji Brightness (Antilles, 1992) 8/10
1894 – Luminous Charms (Gramavision, 1996) 8/10

PHAROAH SANDERS

1481 – Karma (Impulse, 1969) 8,5/10

PIERRE FAVRE ENSEMBLE

1264 – Singing Drums (ECM, 1984) 8/10

RABIH ABOU-KHALIL

1024 – Al-Jadida (Enja, 1991) 8,5/10
3323 – Blue Camel (Enja, 1992) 8/10

RANDY WESTON

0871 – Tanjah (Verve, 1973) 8/10
1909 – Self Portraits (Verve, 1990) 8/10
2034 – The Spirits of our Ancestors 2xCD (Antilles, 1992) 8,5/10
0998 – Khepera (Verve, 1998) 8/10

RAYMOND SCOTT

0496 – Reckless Nights and Turkish Twilights (Basta, 1949) 8/10

RETURN TO FOREVER

1953 – Light as a Feather 2xCD (Verve, 1973) 7/10
2162 – No Mystery (Polydor, 1975) 6/10
3264 – Romantic Warrior (Columbia, 1976) 7,5/10

SERGEY KURYOKIN

0402 – Some Combinations of Passion and Fingers (Leo, 1991) 8/10

SOFT HEAP

2642 – Soft Heap (Spalax, 1979) 7,5/10

SOFT MACHINE (THE)

0904 – Third (Columbia, 1970) 10/10
1634 – Fourth (Columbia, 1971) 8,5/10
1337 – Fifth (Columbia, 1972) 8/10
1338 – Six (Columbia Rewind, 1973) 8/10
0023 – Seven (Columbia, 1973) 7,5/10

SOLUTION

3251 – Solution (EMI-Bovema, 1971/1972) 7,5/10

SONNY ROLLINS

0770 – Next Album (Original Jazz Classics, 1972) 8,5/10

STAN GETZ & LIONEL HAMPTON

0844 – Hamp & Stan (Verve, 1955) 8/10

STAN GETZ & JOÃO GILBERTO

0716 – Stan Getz/João Gilberto (Verve, 1964) 8/10

STANLEY CLARKE

3160 – Stanley Clarke (Epic, 1974) 7/10

STEVE BERESFORD, DAVID TOOP, JOHN ZORN, TONIE MARSHALL

0353 – Deadly Weapons (NATO, 1986) 9,5/10

SUN RA

0663 – Black Myth/Out in Space 2xCD (MPS, 1971) 7,5/10

SUPERSILENT

2469 – Supersilent 4 (Rune Grammofon, 1998) 7/10

TAMIA & PIERRE FAVRE

1176 – Solitudes (ECM, 1992) 8/10

TERJE RYPDAL

1720 – Terje Rypdal (ECM, 1971) 8/10
3304 – Whenever I Seem to be Far away (ECM, 1974) 7,5/10
3267 – Odyssey (ECM, 1975) 8/10
0706 – Waves (ECM, 1978) 8,5/10
0573 – Chaser (ECM, 1985) 7,5/10
3324 – Blue (ECM, 1987) 7,5/10
3315 – Skywards (ECM, 1997) 7,5/10

TERJE RYPDAL, MIROSLAV VITOUS, JACK DeJOHNETTE

2816 – Terje Rypdal, Miroslav Vitous, Jack DeJohnette (ECM, 1979) 7,5/10

TONY WILLIAMS LIFETIME

3294 – (Turn it over) (Verve, 1970) 9/10

TRIO

2698 – Conflagration (BGO, 1971) 7,5/10

VANDERMARK FIVE (THE)

0399 – Target or Flag (Atavistic, 1998) 8/10

VLADIMIR ESTRAGON

1086 – Three Quarks for Muster Mark (Tip Toe, 1989) 8/10

WEATHER REPORT

2863 – I Sing the Body Electric (Sony, 1972) 8,5/10
3300 – Sweetnighter (Columbia Legacy, 1973) 8/10
3140 – Mysterious Traveller (Sony, 1974) 8/10
3289 – Procession (Columbia, 1983) 7,5/10

YOCHKO SEFFER

1727 – Ghilgoul (Musea, 1978) 7,5/10

ZAO

0768 – Z=7L (Musea, 1973) 7,5/10
3208 – Osiris (Musea, 1974) 7,5/10
1475 – Shekina (Musea, 1975) 8/10
1682 – Kawana (Musea, 1976) 8/10

FM
As classificações são, nalguns casos, intuitivas, uma vez que alguns destes discos já não os ouço há bastante tempo, enquanto outros ainda não os terei assimilado totalmente.