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Christoph Heeman – “Invisible Barrier” + Mo Boma – “Myths Of The Near Future, Part Two” + Pablo’s Eye – “You Love Chinese Food” + Vidna Obmana – “The Spiritual Bonding”

pop rock >> quarta-feira >> 01.11.1995
curtas


Christoph Heeman
Invisible Barrier



Mesmo no catálogo de excentricidades que é a Extreme, torna-se difícil enquadrar um disco como “Excess of Free Speech”, embora a página ao lado possa ser ocupada, na mesma editora, pelos Social Interiors. Tomando o “ambiental” e o “industrial” como referências extremas, Heeman teoriza sonicamente sobre os estratos subliminares da banda-sonora, retirando-lhe quaisquer veleidades de um discurso descritivo. Música electrónica em flutuação onde os sintetizadores, a samplagem de acontecimentos musicais distantes e gravações em fitas de sons naturais se misturam na criação de um espaço sonoro sem fronteiras ao qual se poderia chamar “música concreta ecológica”. (8)

Mo Boma
Myths Of The Near Future, Part Two



Se Heeman representa a dificuldade de leitura e a ausência de parâmetros convencionais, a segunda parte dos “mitos do futuro próximo” dos Mo Boma é, pelo contrário, imediatamente localizável em pleno território das “músicas do quarto mundo” aberto por Jon Hassell, neste caso tomando como ponto de partida duas novelas de J.G. Ballard, escritor de F.C.. Percussões líquidas e sintetizadores a murmurarem no meio da selva, se não chegam para alcançar a grandeza do mito, proporcionam contudo um passeio agradável (e seguro) pelos labirintos da imaginação. (7)

Pablo’s Eye
You Love Chinese Food



Do título às gravures e literature inclusa, passando pela própria sequência dos temas, tudo clama pelo termo “surrealismo” para carimbar este filme sem legendas realizado pelos Pablo’s Eye, quarteto de origem belga. Como no cinema de Bunuel, o que, neste caso os sons, deixam perceber é uma lógica decorrente do sonho e do inconsciente. A primeira parte sugere um cerimonial “étnico” celebrado numa noite sem lua, interrompido pelo registo declamatório da voz de Marie Mandi. A segunda passa rapidamente da pulsão industrial para as ruínas ensanguentadas outrora ocupadas pelos This Mortal Coil. Na terceira, tudo se volta a dissolver num charco de venenos e ácidos ambientais. Comida chinesa estragada. (7)

Vidna Obmana
The Spiritual Bonding



O deserto tem vindo a conquistar um número crescente de adeptos entre os praticantes da nova escola electrónica californiana, como espaço privilegiado de silêncio e, ao mesmo tempo, carregado de sugestões oníricas. Vidna Obmana, projecto de um músico só, encontrou nele a plataforma ideal de “comunicação e elevação espiritual”, bem como a fonte de inspiração de uma música tão próxima do batimento rítmico de um Steve Roach (ele e Robert Rich, dois navegantes das dunas do Arizona, participam justamente no disco) como da veia ritualista de um Jorge Reyes. Viagem astral garantida. (8)

TODOS EXTREME, DISTRI. ANANANA

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #149 – “Asmus Tietchens e Vidna Obmana p-Lestat (FM)”

#149 – “Asmus Tietchens e Vidna Obmana p-Lestat (FM)”

Fernando Magalhães
09.04.2002 150307
Em comentário ao teu “thread”:

O ASMUS TIETCHENS é um dos músicos mais importantes de sempre do panorama da música industrial.

Tem dezenas de CDs, LPs e K7 gravadas, nos registos mais díspares, desde a industrial pura e dura a coisas mais góticas e ambientais, como “Marches Funèbres”.

Aquele disco que eu te mostrei dele quando estivemos na casa de “o vendedor” é bastante bom (e variado). Acho que irias gostar bastante.

Duas curiosidades: A. TIETCHENS participa no álbum “Cluster & Eno” e na superbanda do “Kosmisch Industrial” LILIENTHAL.

FM

Tenta ouvir de VIDNA OBMANA o “Spiritual Bonding” (ed. Extreme). Também tenho dele um CD duplo, absolutamente minimal, tribal e hipnótico (já me lembro do nome – LOL)

FM
09.04.2002 15h05

pHILM #1
09.04.2002 150344
Esse disco [“Marches Funèbres”] é considerado pelo próprio AT como uma obra menor, uma piada até. Segundo o próprio conta este disco foi feito como resposta a alguém que o acusou de não saber trabalhar com computadores. Toda a peça é composta por samples retirados dos arquivos sonoros da Yamaha.

Fernando Magalhães
09.04.2002 160407
É… Na altura, quando ouvi o “Marches Funèbres”, fiquei um bocado surpreendido – não tinha nada a ver com o que eu já conhecia da obra dele…

Mas as coisas mais industriais são, em geral, excelentes. Tenho um Cd dele inspirado no som da água (?!). Sobre um tema aparentemente tão naturalista como este, consegue criar ambiências estranhíssimas e vagamente assustadoras, como se a água se tivesse metamorfoseado em óleos pesados…

FM

Steve Roach & Vidna Obmana – Well of Souls

21.05.1997
Poço Sem Fundo
Steve Roach & Vidna Obmana
Well of Souls (8)
2XCD Projekt, distri. Ananana

steveroach_vidnaobmana_wellsofsouls

LINK

Steve Roach é, actualmente, um dos músicos mais activos da cena de música electrónica que, a aprtir dos finais dos anos 70, tem vindo a desenvolver-se na Califórnia. Das primeiras obras, marcadamente planantes, que gravou na Hearts Of Space, evoluiu para o chamado “tribal ambient”, em álbuns como “World’s Edge” ou “Dreamtime Return”, a par dos trabalhos dos Suspended Memories, com o mexicano Jorge Reyes e o espanhol Suso Saiz. Com “the Magnificente Void”, editado em 1995, já no selo Fathom, subdivisão da Hearts Of Space especializada em música electrónica fora dos parâmetros vulgares da “new age”, inaugurou um novo género, designado “sombient2, ou “ambiente noir”, caracterizado por “drones” electrónicas e efeitos sombrios prolongados infefinidamente.
“Well Of Sounds”, em colaboração com o belga de pseudónimo Vidna Obmana, autor de um álbum, “The Spiritual Bonding”, com óbvias ligações À música de Roach, divide-se em dosi discos, respectivamente dedicados ao dia e à noite. O primeiro insere-se na mesma estética tribalista dos álbuns citados, nas suas lngas evocações aos deuses e forças da natureza que culminam nos 24m08s de “The gathering”. As batidas tribais desaparecem no segundo disco, um fresco iridescente de “sombient” que mergulha nas caves do inconsciente em duas extensas peças de pura suspensão sonora. “Deep hours” (29m24s9 e “Well of souls” (25m48s). Sintetizadores em contínuo “decay”, refracções fantasmagóricas, pingos de estrelas quebram a ondulação sumptuosa das coisas nocturnas, numa viagem astral pela noite que aterra ao lado de clássicos de “sombient” como “Velvet voyage”, de Klaus Schulze, do álbum “mirage”, percursor do género, e “Flight”, que ocupa todo o segundo disco do duplo “Syn”, obra maior de Pete Namlook. “Well of Souls” tem um tempo e uma dimensão próprios. Como tal, recomenda-se a reserva, antecipada, de uma semana só para a audição.