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Sierra Maestra – “Maestros Do Ritmo” (concertos)

pop rock >> quarta-feira >> 03.08.1994


Maestros Do Ritmo



O grupo cubano Sierra Maestra actua hoje em Melgaço, na Alameda Inês Negra, às 22h30, e amanhã em Moledo, no Ínsua Clube, às 23h. É o fecho de uma mini-digressão pelo país que teve início no passado dia 29, em Vila Nova de Cerveira, e passou pelo Porto e por Melgaço.
Os Sierra Maestra são um dos agrupamentos cubanos mais prestigiados da actualidade. Originários de Havana, cultivam e actualizam o antigo estilo “son” – em que os instrumentos utilizados são o “três”, guitarra, trompete, bongo, “guiro” e voz – praticado nos anos 20 e 30 em Cuba. O “son” surgiu na região oriental de Cuba, onde se situa a serra que dá o nome `banda.
O estudo, a prática e a modernização do “son” ancestral, praticamente esquecido pelas gerações mais jovens, é de resto a principal preocupação dos nove elementos que compõe a actual formação dos Sierra Maestra. À instrumentação característica do “son” atrás mencionada, o grupo acrescentou mais percussões, congas e maracas, ao mesmo tempo que substituiu a antiga “marimbula” pela guitarra baixo. Além disso, os Sierra Maestra aceleraram os tradicionais ritmos “guaracha” de maneira a proporcionar a dança colectiva, em vez dos tradicionais “slows”, que nos anos 20 eram dançados apenas aos pares. A resposta positiva dos mais novos não se fez esperar e eme pouco tempo os Sierra Maestra tornaram-se grupo-sensação em Cuba e presença assídua em festivais anuais nas universidades, tendo ganho o primeiro prémio em três anos consecutivos: 1976, 77 e 78. Em 1978 a banda representou Cuba no Festival Mundial de la Juventud y los Estudiantes, realizado em Havana. No ano seguinte alcançaram o quarto lugar na competição Carifesta, transmitida pela televisão, dedicada à música e aos artistas das Caraíbas.
A discografia dos Sierra Maestra inclui oito álbuns, desde a estreia em 1981 com “Sierra Maestra Llegó com el Guanajo Relleno”, disco de prata, a “Y Son Asi” e “Las Impuras” (banda sonora da série televisiva cubana do mesmo nome; recentemente, a sua canção “A los rumberos de Belen” foi aproveitada para o filme de Robert Redford, “The Milagro Beanfield War”), entre outros.
Entre os géneros tocados pelos Sierra Maestra – uma festa para os amantes da dança – estão, além do “son” (basicamente com a mesma estrutura da “salsa2), a rumba cubana, o bolero, o chachachá, a guaracha, o mambo e a salsa, nas suas diversas variedades: a “plena”, a “cumbia” ou o “tamborito”.
Os Sierra Maestra são Juan de Marcos González Cárdenas (“Tres”, voz, líder da banda), Jésus Amenany (trompete), Carlos González (bongós), Carlos Pisseaux (guiro), Alberto Valdés (maraccas e voz), Luís Bárgaza (voz), José António Rodríguez (guitarra e voz), Eduardo Himely (baixo e tumbadora) e Alejandro Suárez (clave e voz).

Carlos Martins – “Dia 6 – Casa De Serralves – Porto – Carlos Martins Embala No Ritmo”

pop rock >> quarta-feira >> 03.08.1994


Dia 6
CASA DE SERRALVES
Porto
Carlos Martins Embala No Ritmo



Carlos Martins, 32 anos, saxofonista, músico de jazz. Poucos anos atrás, seria impossível para ele, como para outros músicos de jazz da sua geração, fazer carreira em Portugal. Hoje o panorama mudou, ou parece que mudou, e Carlos Martins não tem mãos a medir. O seu novo projecto é um sexteto e a estreia aconteceu no passado dia 29 no café Luso, “com uma recepção fantástica”, diz o saxofonista e líder do grupo, cuja música “não é só é para se ficar a ouvir”: “muito baseada em coisas rítmicas e estruturas harmónicas não muito complicadas”. Um caminho construído com temas originais “abertos, por um lado, a influências orientais, no ambiente ou nos compassos de cinco por quatro e, por outro, a influências do jazz mais ligadas ao ritmo africano”. A próxima oportunidade para quantos quiserem entrar na onda rítmica de Carlos Martins está marcada já para o próximo sábado no Festival de Serralves.
Os músicos que formam o actual sexteto de Carlos Martins são, além do próprio, no saxofone, autor das composições e dos arranjos, João Ferreira, nas percussões, Alexandre Frazão, bateria, Bernardo Moreira, contrabaixo, Mário Delgado, guitarra e Claus Nymark, trombone, instrumento cuja presença se faz sentir bastante nos arranjos, “com a sua pujança, o seu ‘punch’ nos ataques”. Espaço para os solistas discorrerem é algo de fundamental no grupo que funciona como “um pedal onde os músicos podem desenvolver os seus discursos. Cada instrumentista tem um, dois temas por concerto onde toca com maior liberdade”.
A médio prazo, o sexteto de Carlos Martins irá editar o seu primeiro compacto. A primeira parte será gravada já a partir do próximo dia 8, estando a segunda agendada lá mais para diante com a presença do convidado Bernardo Sassetti, companheiro de armas de Carlos Martins de longa data.
Carlos Martins assume por inteiro este seu novo projecto, procurando garantir a sua viabilidade comercial, do mesmo modo que assume a sua posição de líder: “Não se é líder impondo-se, é-se líder porque se lidera mesmo, naturalmente.” Um papel que gosta de desempenhar e que passa pela “escolha dos timbres, dos acordes” e o ouvido treinado “para se poder optar”. “Liderar é um processo muito simples”, conclui, mas que implica “uma atitude de respeito para com os músicos e vice-versa”.
Depois de Serralves, em Setembro, Carlos Martins apresentará na Festa do Avante” outro seu trabalho, com arranjos sobre temas de José Afonso, de genérico “Tocar (no) Zeca”.

Vários – “Quinta Da Atalaia Recebe 18ª Edição – Festa Do ‘Avante!’ Mais Verde”

cultura >> quarta-feira >> 27.07.1994


Quinta Da Atalaia Recebe 18ª Edição
Festa Do “Avante!” Mais Verde


A FESTA do “Avante!”, na sua 18ª edição, nos próximos dias 2, 3 e 4 de Setembro na Atalaia, Seixal, está mais verde e relvada do que nunca. Esta é, de resto, conforme foi declarado em conferência de imprensa realizada ontem na Quinta da Atalaia, uma das principais preocupações da organização: acabar com a poeirada. Outro dos problemas que tem afectado anteriores edições é o barulho proveniente do palco principal que prejudica a audição de música noutros locais. A solução encontrada, posta de parte a hipótese de voltar o Palco 25 de Abril ao contrário, foi a insonorização de vários pontos do recinto, de forma a impedir a propagação sonora disparada pelo PA, com uma potência nunca inferior a 85 mil watts.
Palco 25 de Abril por onde passarão as atracções principais da festa: Johnny Clegg com os Savuka, da África do Sul, os norte-americanos Hollmes Brothers, estrelas da editora Real World, a superbanda folk inglesa Band of Hope, com Roy Bailey, John Kirkpatrick, Martin Carthy e Dave Swarbrick, e o Guajira Habanera, de Cuba. Maria Alice, cantora de mornas cabo-verdiana, e o saxofonista brasileiro Geová Nascimento representam os PALOP, sendo a delegação portuguesa formada por Carlos do Carmo, UHF – dois regressos -, Sétima Legião com os Gaiteiros de Lisboa, Ala dos Namorados, Peste & Sida, Jorge Palma com Flak, João C. Bom, um grupo de guitarras de antigos estudantes de Coimbra e o projecto “Tocar (no) Zeca”, do saxofonista Carlos Martins, sobre canções de José Afonso. A par dos habituais “stands” nacionais e internacionais, desporto, teatro e gastronomia, estão previstas uma exposição documental, “Sementes de Abril – Os Prelos da Liberdade”, e outra, de artes plásticas, de genérico “Que Viva Abril”, onde estarão representados 44 artistas, portugueses e estrangeiros, ambas no âmbito das comemorações dos 20 anos do 25 de Abril. Cuba será objecto de especial atenção, com a realização de vários debates sobre o mais recente bloqueio económico, além de uma campanha de solidariedade com o objectivo de angariar fundos destinados à aquisição de matérias-primas para o fabrico de medicamentos nos laboratórios cubanos.
Postas de parte estão, garante a organização, quaisquer iniciativas que visem o aproveitamento político da nova portagem, anunciada publicamente no passado domingo, na ponte sobre o Tejo, ponto de acesso privilegiado `Festa do “Avante!”. Mesmo assim, o PCP classificou o anúncio do Governo como um “recuo coxo”, ao mesmo tempo que manifestou o seu “total desacordo” com a nova taxa de solidariedade com os protestos dos utentes.