pop rock >> quarta-feira >> 03.08.1994
Dia 6
CASA DE SERRALVES
Porto
Carlos Martins Embala No Ritmo

Carlos Martins, 32 anos, saxofonista, músico de jazz. Poucos anos atrás, seria impossível para ele, como para outros músicos de jazz da sua geração, fazer carreira em Portugal. Hoje o panorama mudou, ou parece que mudou, e Carlos Martins não tem mãos a medir. O seu novo projecto é um sexteto e a estreia aconteceu no passado dia 29 no café Luso, “com uma recepção fantástica”, diz o saxofonista e líder do grupo, cuja música “não é só é para se ficar a ouvir”: “muito baseada em coisas rítmicas e estruturas harmónicas não muito complicadas”. Um caminho construído com temas originais “abertos, por um lado, a influências orientais, no ambiente ou nos compassos de cinco por quatro e, por outro, a influências do jazz mais ligadas ao ritmo africano”. A próxima oportunidade para quantos quiserem entrar na onda rítmica de Carlos Martins está marcada já para o próximo sábado no Festival de Serralves.
Os músicos que formam o actual sexteto de Carlos Martins são, além do próprio, no saxofone, autor das composições e dos arranjos, João Ferreira, nas percussões, Alexandre Frazão, bateria, Bernardo Moreira, contrabaixo, Mário Delgado, guitarra e Claus Nymark, trombone, instrumento cuja presença se faz sentir bastante nos arranjos, “com a sua pujança, o seu ‘punch’ nos ataques”. Espaço para os solistas discorrerem é algo de fundamental no grupo que funciona como “um pedal onde os músicos podem desenvolver os seus discursos. Cada instrumentista tem um, dois temas por concerto onde toca com maior liberdade”.
A médio prazo, o sexteto de Carlos Martins irá editar o seu primeiro compacto. A primeira parte será gravada já a partir do próximo dia 8, estando a segunda agendada lá mais para diante com a presença do convidado Bernardo Sassetti, companheiro de armas de Carlos Martins de longa data.
Carlos Martins assume por inteiro este seu novo projecto, procurando garantir a sua viabilidade comercial, do mesmo modo que assume a sua posição de líder: “Não se é líder impondo-se, é-se líder porque se lidera mesmo, naturalmente.” Um papel que gosta de desempenhar e que passa pela “escolha dos timbres, dos acordes” e o ouvido treinado “para se poder optar”. “Liderar é um processo muito simples”, conclui, mas que implica “uma atitude de respeito para com os músicos e vice-versa”.
Depois de Serralves, em Setembro, Carlos Martins apresentará na Festa do Avante” outro seu trabalho, com arranjos sobre temas de José Afonso, de genérico “Tocar (no) Zeca”.


