Arquivo mensal: Novembro 2016

Rão Kyao – “Viva o Fado”

Pop Rock

11 de Dezembro de 1996
portugueses

Rão Kyao
Viva o Fado
ED. POLYGRAM


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Consumada a iniciação da flauta de bambu no fado, em “Fado Bailado”, Rão Kyao mergulha agora mais fundo as suas raízes musicais da infância, neste género de música. A escolha de fados tradicionais, de estrutura o mais aberta possível, permite ao flautista a improvisação e a depuração da essência do fado. Rão toca flauta como se cantasse interiormente e é essa interiorização do fluir interior da alma fadista que torna cada tema numa outra forma de ouvir o fado. Gravado ao vivo, em dois dias de espetáculo realizados no Amália-Clube de Fado, com acompanhamento de Carlos Gonçalves e José Luis Nobre Costa, à guitarra portuguesa, e Francisco Gonçalves, à viola, “Viva o Fado” é também a justaposição do fado com as músicas indiana e árabe, em modalidades e temas clássicas como o “Fado menor”, o “Fado Mouraria” e o “Fado Vitória”, “Lágrima”, “Biografia do Fado” e “Fado dos Sonhos”. Fadistas como Manuel de Almeida, a quem o disco é dedicado, Amália, Marceneiro, Carlos Ramos ou António dos Santos, e autores como Alberto Janes, Joaquim Campos, Alberto Costa e Frederico de Brito têm aqui a melhor homenagem que lhes poderia ser feita – erguer o fado a uma voz universal. (7)



Osso Exótico – “Osso Exótico V”

Pop Rock

11 de Dezembro de 1996
portugueses

Osso Exótico
Osso Exótico V
ED. ANANANA


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Bzgdbzbblblmnmpqdzzzzz… Silêncio. Cric. Silêncio. Bruuooomm. Música experimental. Chiu. O quinto volume do Osso, ou o quinto osso do esqueleto, é sombras e silêncios. A sombra da música. A anulação e o niilismo conceptuais. Começa com “9 esteiras para um acorde de piano” compostos por David Maranha, nove segmentos com apenas alguns segundos de duração cada, onde um acorde de piano é deixado a reverberar – exercício de “delay” suportado por barulhos sortidos. Seguem-se dois “Ciclos”, de treze e seis minutos, de Patrícia Machão. Piano tocado com arcos. Soa a uma serra elétrica a dormir, metal a desfazer-se, música para ouvir na cave. O 2º ciclo é completamente diferente: uma serra elétrica a desfazer-se, metal a dormir, música para ouvir na subcave. “Fuga doméstica”, de David Maranha, dura mais de 27 minutos. Piano percutido, plink, plonk, ruídos de água processados, cordas transtornadas. É a peça mais interessante do Osso, algures entre os Miso Ensemble, PGR e Jocelyn Robert (de “Folie/Culture” e “La Théorie des Nerfs Creux”) e seria ainda mais interessante se fosse cortada para um décimo da duração que tem. Finalmente, desossa-se com quatro peças intituladas “Corrimão/Comunidade das Mãos”, da autoria de André Maranha. No primeiro não se ouve nada. Silêncio subliminar. Excelente. No segundo, idem. No terceiro é possível ouvir espectros a arrastarem-se num lamaçal de escuridão. O terceiro mete umas restolhadas de metal e ruído de fábrica “à la” Asmus Tietchens. A embalagem reúne imagens engraçadas das partituras e uma frase escrita para se ler ao espelho. O experimentalismo dispensa o ouvinte? A vanguarda deve ser inacessível até perder de vista? Este é, então, um ótimo trabalho para ser apreciado pelos três elementos que compõem o Osso Exótico. (4)



Luís Represas – “Ao Vivo No CCB”

Pop Rock

11 de Dezembro de 1996
portugueses

Luís Represas
Ao Vivo No CCB
2xCD, ED. EMI


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Registo dos concertos de 25 e 26 de Outubro passado, metade dos que encheram o CCB durante quatro noites, “Ao vivo no CCB” serve essencialmente para manter viva a recordação desses espectáculos, nos quais Luís Represas ofereceu ao seu público o que ele esperava: as canções conhecidas, a seriedade e o profissionalismo de sempre, mas também o que a este mesmo público não importa, a previsibilidade e a ausência de risco. Não foram o “low whistle” nem as “uillean pipes” do convidado especial Davy Spillane que fizeram dessas quatro noites, noites especiais, mas sim a cumplicidade que se estabeleceu entre o intérprete e o seu público. Tudo se passou como uma festa há muito planeada, uma revisitação de uma carreira sem sobressaltos nem grandes arrebatamentos de inspiração. Luís Represas é um valor seguro da nossa música que encontrou a sua voz própria e aí se deixou ficar, mesmo que, uma ou outra vez se experimente em sons ou companhias de outras latitudes, sejam elas Cuba ou a Irlanda. Será, porém, sempre o cantor da voz romântica, o ex-Trovante que ouvia Milton Nascimento, o trovador das emoções que podem ser compartilhadas por todos. Por isso, Luís Represas é um cantor de sucesso. Por isso, encheu o CCB por quatro noites e provavelmente encheria outras tantas mais. Por isso, o que para uns é motivo de satisfação, para outros será motivo de bocejo. (4)