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Luís Represas – “Represas”

pop rock >> quarta-feira, 17.11.1993


Luís Represas
Represas
Edição EMI – VC



Que Luís Represas tem boa voz está fora de questão. O problema, agora que os Trovante se acabaram, é: que fazer com esta voz? Porque, por mais que Represas vá para Cuba e toque com músicos cubanos, como aconteceu nesta sua estreia discográfica a solo, o que ouvimos é sempre a voz dos Trovante e canções que poderiam pertencer aos Trovante. Represas não tem culpa. Tem a voz que tem e escolheu as canções que lhe assentam melhor. Mas, que diabo, o que poderia ser o início de uma nova aventura e o cortar de amarras definitivo com o passado fica-se por uma prestação morna e pela segurança de arranjos que não arriscam um centímetro. Está certo, Pablo Milanés canta num dos temas (“Feiticeira”) e, lá está, os escassos segundos em que tal acontece chegam para emprestar à canção uma aura de diferença e excitação. Mas o resto poderia ter sido tocado e gravado na Islândia ou na Cochichina que ninguém dava por isso. Nenhum tema se destaca dos outros o que significa que nenhum é melhor ou pior do que os outros. São na totalidade medianamente agradáveis, a produção e execução instrumentais são imaculados, Luís Represas, repete-se, canta bem com uma perna às costas. E fica-se à espera doq eu não vem. Mesmo assim, vamos lá destacar a força de “Olhos” e “Guaganco y fado”, único tema em que, na primeira parte, é visível a influência sul-americana, um “Fora de Tempo” sepulcral e “A vez mais próxima do fim” em que Luís Represas canta como Rui Veloso um tema que poderia ter sido escrito por Fausto. É caso para dizer que o excesso de represas refreou em demasia o caudal. (5)

Luís Represas + Rui Veloso + futebol – “Noite de Gala” (televisão / casino estoril / TV 2)

rádio e televisão >> segunda-feira, 01.02.1993

DESTAQUE


Noite de Gala



ESTA NOITE há visitas ilustres no Casino Estoril. Três dos melhores futebolistas mundiais, nomes famosos do desporto e da música, muitos VIP e uma multidão de convidados asseguram o cenário para a Grande Gala Internacional do Futebol. A organização pertence ao jornal “A Bola”, em colaboração com a FIFA e a RTP.
Thomas Haessler, Hristo Stoichkov e Marco van Basten estarão presentes para saber qual dos três conquistou o troféu 2World Player 92, atribuído pela FIFA ao melhor futebolista mundial no ano que passou. Mas para os caçadores de autógrafos que se desloquem ao Casino, olho vivo e uma boa dose de desembaraço poderão trazer outras recompensas inesperadas.
Se não, vejamos: Rinus Michels, o treinador que levou a Holanda ao título europeu em 1988, depois de ter estado na base da formação da célebre “laranja mecânica” de Cruyff, Rep, Krol, Neeskens, etc., vai receber o Prémio Vítor Santos. Artur Jorge, o técnico português mais conceituado além-fronteiras, receberá o Prémio RTP, que homenageia o seu contributo em prol do futebol nacional.
Mas há mais: Vítor Baía (FC Porto), João Pinto (Benfica) e Balacov (Sporting) são candidatos à “Bola de Ouro”, que premeia o melhor jogador do campeonato português na temporada 1991-92. A Bola de Prata será atribuída ao nigeriano Ricky (Boavista), o melhor marcador do Nacional da época passada. E Hélder (Benfica), Rui Costa (Benfica) e Rui Filipe (FC Porto) vão conhecer qual dos três levará para casa a Bola de Bronze, galardão para a revelação do ano.
Pela plateia estarão espalhadas muitas outras caras conhecidas, lideradas, naturalmente, pelo presidente da FIFA, o brasileiro João Havelange. Nas mesas do Casino do Estoril vão reunir-se quase todos os nomes influentes do nosso futebol, à excepção dos dirigentes do FC Porto e do Sporting, que anunciaram a sua intenção de não estarem presentes, devido ao envolvimento da RTP no “caso Futre”.
Mas para os telespectadores, em casa, as honras da “jornada” irão para o palco onde, a par das estrelas do futebol, desfilarão algumas vedetas da música.
A gala do futebol “World Player 92” inclui no seu programa uma sessão musical. Participam nomes sonantes como Pedro Malagueta e Nicole mas também benjamins como Teresa Maiuko, Luís Represas e Rui Velosos. Aliás, é curioso reparar na escolha criteriosa dos apelidos dos convidados nesta área, quase todos do tipo futebolístico: Malagueta, Maiuko, Represas e Veloso (este já com contrato assinado). Já será mais difícil encontrar um ponta de lança chamado Nicole.
Pedro Malagueta não consta no guia “Artistas & Espectáculos 1993” nem na Enciclopédia Luso-Brasileira. Sabe-se que integrou o elenco de “Viva Mozart”. O nome Nicole, assim de repente, além de evocar o Festival da Eurovisão, também não diz grande coisa. Deve ser loira, possivelmente eslovaca.
Sobre Teresa Maiuko, Luís Represas e Rui Veloso há algo importante para dizer. Teresa é uma cantora “sexy” que costuma parecer na “Nova Gente” e na “Mulher Moderna”. Gravou o êxito “Undercover lover”. Gosta de vestir José Carlos (as roupas, claro, o estilista sabe vestir-se sozinho), de saias curtas e decotes profundos, pelos quais sente uma “particular ternura”. Tem boa voz, boa cabeleira e boa presença.
Luís Represas é conhecido sobretudo como homem de negócios, ligado à gerência do bar Chafarix. Licenciado em técnicas vocais Milton Nascimento, faz parte do conjunto de música pop Trovante.
Quanto a Rui Veloso é – parece que vai deixar de ser – colaborador regular de Carlos Tê, conhecido letrista do Porto especialista nos Descobrimentos. Costuma imputar-se a Veloso a culpa de ter dado origem, há alguns anos atrás, a uma excrescência musical denominada “rock português”. “Chico Fininho” era o título da canção que, à época, bateu na cabeça de toda a gente. “Mingos & Samurais” e “Auto da Pimenta” são dois dos seus “best-sellers”, com mais de cem exemplares vendidos cada.
Será assim a gala grandiosa dos artistas da bola e de variedades. Sem esquecer a valiosa colaboração do “ballet” do Casino Estoril, coreografado na ocasião por Bruno Schiappa, em “temas alusivos ao desporto rei”, como diz a nota oficiosa da RTP. Carlos Cruz faz a apresentação do produto. Sim, que nisto de jogadores de futebol, a nossa televisão está compradora. L.F. / F.M.
TV 2, às 22h40

Luís Represas – “Ao Vivo No CCB”

Pop Rock

11 de Dezembro de 1996
portugueses

Luís Represas
Ao Vivo No CCB
2xCD, ED. EMI


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Registo dos concertos de 25 e 26 de Outubro passado, metade dos que encheram o CCB durante quatro noites, “Ao vivo no CCB” serve essencialmente para manter viva a recordação desses espectáculos, nos quais Luís Represas ofereceu ao seu público o que ele esperava: as canções conhecidas, a seriedade e o profissionalismo de sempre, mas também o que a este mesmo público não importa, a previsibilidade e a ausência de risco. Não foram o “low whistle” nem as “uillean pipes” do convidado especial Davy Spillane que fizeram dessas quatro noites, noites especiais, mas sim a cumplicidade que se estabeleceu entre o intérprete e o seu público. Tudo se passou como uma festa há muito planeada, uma revisitação de uma carreira sem sobressaltos nem grandes arrebatamentos de inspiração. Luís Represas é um valor seguro da nossa música que encontrou a sua voz própria e aí se deixou ficar, mesmo que, uma ou outra vez se experimente em sons ou companhias de outras latitudes, sejam elas Cuba ou a Irlanda. Será, porém, sempre o cantor da voz romântica, o ex-Trovante que ouvia Milton Nascimento, o trovador das emoções que podem ser compartilhadas por todos. Por isso, Luís Represas é um cantor de sucesso. Por isso, encheu o CCB por quatro noites e provavelmente encheria outras tantas mais. Por isso, o que para uns é motivo de satisfação, para outros será motivo de bocejo. (4)