Arquivo da Categoria: R&B

Joan Armatrading – “What’s Inside”

pop rock >> quarta-feira >> 07.06.1995


Joan Armatrading
What’s Inside
ARISTA, DISTRI. BMG



Ninguém pode negar que Joan Armatrading, uma veterana com vinte anos de carreira às costas, tem uma bela voz e uma dose considerável de talento. Também não é de menosprezar o facto de, passado tanto tempo, ainda conseguir gravar um álbum com a frescura e o interesse deste “What’s Inside”, que a própria considera o seu mais pessoal de sempre. Neste seu primeiro trabalho para a BMG, Joan recrutou os serviços do rpodutor David Tickes (Prince, Debbie Harry, 4 Non Blondes), abandonando deste modo as autoproduções dos seus quatro anteriores discos. Os “blues” e a “soul” tocam num afago de veludo as canções a que Joan empresta o seu cunho pessoal. Há aqui classe, muito “savoir faire” e a prova de que é possível fazer música comercial de qualidade – um chavão que, neste caso, faz todo o sentido. “What’s Inside” prende a atenção à custa das suas calorosas volutas, obriga a acompanhar as mudanças de registo emocionais da cantora e, quando lhe apetece, deixa-se escorregar com gosto para os territótios da dança a puxar ao sentimento. Para a pista ao lado daquela onde flutua, devagar, Des’ Ree. Agradável, elaborado com mil cuidados, por uma voz que continua a dar prazer escutar. (6)

Cream – “The Very Best Of Cream”

pop rock >> quarta-feira >> 08.03.1995


Cream
The Very Best Of Cream
POLYDOR, DISTRI. POLYGRAM



Máximo bom gosto na apresentação de uma das bandas da frente dos anos 60, das primeiras que verdadeiramente puderam reivindicar o epíteto de “supergrupo”.
A presente colectânea começa por mostrar a vertente mais pop, sobretudo de “Fresh Cream”. Seriam contudo os dois álbuns seguintes, “Disraeli Gears” e “Wheels of Fire” – aqueles em que o psicadelismo se alia a uma rítmica ao mesmo tempo implacável e swingante, pioneira do hard rock -, os que tornaram os Cream num dos grupos importantes da época. Destes álbuns foram incluídos clássicos como “Sunshine of your love”, um dos hinos do “flower power” e “White room”, concluindo a colectânea com o “single” “Anyone for tennis” e “Badge”, um tema do derradeiro álbum contendo gravações em estúdio, “Goodbye”. (8)

Traffic – “Mr. Fantasy”

pop rock >> quarta-feira >> 26.10.1994


Traffic
Mr. Fantasy
Island, distri. BMG



Mais vale tarde do que nunca. Tardaram mas por fim chegaram as reedições dos discos importantes correspondentes aos anos 60 e 70 da banda liderada por Steve Winwood, entre os quais “John Barleycorn Must Die”, “The Low Spark of High Heeled Boys” ou o duplo ao vivo “On The Road”. Mas “Mr. Fantasy”, estreia do grupo editada em 1968, continua a ser considerado por muitos o seu melhor trabalho.
Se nos álbuns seguintes os Traffic enveredaram por longos desenvolvimentos instrumentais equidistantes do jazz e do rock, embora Steve Winwood não descurasse a importância de uma boa canção, em “Mr. Fantasy” a banda estava completamente mergulhada no psicadelismo que marcava a época. Uma delícia escutar à distância de um quarto de século um Steve Winwood completamente “stoned” a entregar a voz às alucinações, e uma produção que, como não podia deixar de ser num disco psicadélico digno desse nome, valorizava o pormenor e o exotismo dos sons. A “sitar”, uma “tampura” e o “mellotron” de Dave Mason, as flautas e o saxofone delirante de Chris Wood, os teclados “em viagem” de Winwood, campainhas de telefone, melodias em constante mudança de velocidade, métricas absurdas e canções como “Heaven is in your mind”, “House for everyone”, “Utterly simple”, “Coloured rain” ou os psicoblues de “Giving to You” – que não se deixam apanhar na rede dos primeiros instantes – fazem de “Mr. Fantasy” uma fantasia caleidoscópica que a passagem do tempo não desvalorizou. (8)