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Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #94 – “Morreu FAD GADGET-FRANK TOVEY! (FM)”

#94 – “Morreu FAD GADGET-FRANK TOVEY! (FM)”

Fernando Magalhães
04.04.2002 160438
Recebemos agora mesmo a notícia aqui na Redação.

FRANK TOVEY, conhecido no início de carreira por FAD GADGET morreu ontem, em circunstâncias ainda por apurar.

Os quatro primeiros álbuns que gravou são muito bons, sobretudo o 2º, “Incontinent” – experimental, pop, humorístico e algo assustador (inclui uma valsa “industrial” que…).
“Fireside Favourites” (disco de estreia), mais rude e metálico, e os posteriores “Under the Flag” (muito bom, talvez o álbum mais sólido e rock) e “Gag” (com um dos temas dedicados aos Einstuerzende Neubauten) também valem a pena.

FAD GADGET era a versão pop da música industrial dos anos 80, ao lado dos CABARET VOLTAIRE, HUMAN LEAGUE, CLOCK DVA, THE NORMAL, THOMAS LEER, etc
Foi, quanto a mim, a grande influência de Matt Johnson/THE THE. Comparem, se puderem, os discos…

Era, além disso, um showman com características muito especiais. Num dos concertos, apareceu com o corpo coberto de alcatrão e penas (imagem que aparece na capa de “Gag”)…

Na fase mais recente (e inferior) da sua carreira, gravou discos em nome de FRANK AND THE WALTERS.

Uma notícia triste.

FM

João Gonçalves
04.04.2002 160444
Sim, e… ?

Fernando Magalhães
04.04.2002 160447
E…não deve poder voltar a cantar tão cedo!

FM
com um humor muito negro mas vocês puxam por mim e depois é isto: piadas de gosto duvidoso!

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #89 – “SUPERSISTER (FM)”

#89 – “SUPERSISTER (FM)”

Fernando Magalhães
15.03.2002 190742
Não quero entrar no fim-de-semana sem deixar de falar de uma audição (ontem) que me deixou absolutamente extasiado.

Encontrei o CD em questão, em saldo (8,95 euros na Roma Megastore). pertence a uma banda de que apenas tinha ouvido falar (de facto, há muitos anos), sem que verdadeiramente me tivesse interessado em saber a que é que soaria. Entretanto alguém já me alertara para a excelência da sua música.

A banda é holandesa e chama-se SUPERSISTER. Os dois álbuns que ouvi, estão compactados (e remasterizados) numa versão “dois em um” da Polydor, com uma capa desgraçada, mas a música…meu Deus!….

São eles: “Letter from Nancy”, de 1970, e “To the Highest Bidder”, de 1971.

Pelas datas já adivinharam: trata-se de uma banda do período áureo do… Progressivo. Mas atenção: é um daqueles discos (na verdade, dois discos) de exceção. Magnificamente tocado, junta experimentação, eletrónica, jazz, humor e acima de tudo uma imaginação e um equilíbrio notáveis.
Coloco os dois discos entre os clássicos dos anos 70.

Imaginem um cruzamento de “Third”, dos SOFT MACHINE, com (outra obra-prima) “The Polite Force”, dos EGG e uma atitude e imaginação aparentadas às dos GENTLE GIANT, com vocalizações tão suaves e viciantes como as de uns CARAVAN…

Ao pé dos SUPERSISTER, outras bandas holandesas da época, como os FOCUS, SOLUTION ou FINCH, parecem-me quase vulgares.

Esta mensagem, estou ciente disso, não chegará provavelmente para convencer alguém a desatar à procura deste CD mas, garanto-vos, quem se dispuser a tal e ouvir esta música, sentir-se-á recompensado!

FM
Prog

Roberto Musci / Giovanni Venosta – “Water Messages On Desert Sand” + Lights In A Fat City – “Somewhere”

IBÉRICO INVERNO 1988 >> Discos


ROBERTO MUSCI/GIOVANNI VENOSTA
Water Messages On Desert Sand LP
RECOMMENDED RECORDS-87

LIGHTS IN A FAT CITY
Somewhere LP
THESE-88


Primeira constatação: a audição destes dois discos proporciona ao auditor um prazer intenso, não o prazer meramente intelectual que experimentamos ao escutar certas obras geralmente traduzido por reconhecimentos do tipo: “Está extremamente bem feito”, “a ideia é bastante interessante”, etc. Não, este é um prazer feito de emoções, a música que nos é dada a escutar toca-nos por dentro de uma forma imediata e intuitiva.
O ponto de partida de ambos é semelhante, os processos e objetivos distintos. No caso dos Italianos o ponto de partida é a música ou músicas étnicas, recolhidas em cassete, do folclore das mais diversas regiões do globo (Irão, Argélia, Afeganistão, Etiópia, etc). A partir destes sons iniciais (na sua forma primitiva ou passados para samplers) é efetuada toda uma série de tratamentos e manipulações sonoras cujo resultado é algo que poderemos definir, utilizando um termo já algo vulgarizado, mas aqui perfeitamente justificado, como uma música universal, aliando as sonoridades tradicionais à eletrónica mais sofisticada.
A sensação é a de que todas estas músicas nasceram para se juntarem numa única, abarcando em si todos os sons, todas as culturas, todas as tradições. Não se trata de uma colagem, antes uma síntese perfeita de todos estes elementos. O exemplo paradigmático é o tema “Empty Boulevard”, no caso efetuado com uma extraordinária economia de meios: uma harmonização de Roberto Musci, em guitarra acústica sobre a gravação de um canto de uma rapariga pigmeu – encontro perfeito de duas músicas, para além do espaço e do tempo.
Com este disco estamos já muito à frente das obras pioneiras de Holger Czukay (“Cannaxis 5”, “Movies”); não podemos já falar da justaposição de várias músicas mas de uma só MÚSICA, feita de muitas.
Quanto aos Lights In A Fat City, a proposta é outra: a recuperação das sonoridades étnicas Australianas e nomeadamente de um instrumento musical característico da cultura Aborígena desta região, o Didjeridoo. Também aqui as sonoridades eletrónicas são determinantes, embora os sons base sejam os do já referido instrumento e de percussões variadas, tocados realmente pelos músicos do grupo. É este som “real”, se assim o quisermos chamar, que é finalmente tratado por meios eletrónicos. A sonoridade final situa-se num campo muito próximo ao de Jon Hassell e à sua Fourth World Music.
A diferença entre estes dois discos está em que um, o dos Lights In A Fat City, pretende essencialmente devolver-nos a tradição sob novas formas, o de Roberto Musci e Giovani Vennosta, parte dessa mesma tradição para uma música inteiramente nova. Tradição, afinal, o grande elo entre Passado e Futuro. Ambas as propostas são irrecusáveis e fascinantes.