Arquivo da Categoria: Colectânea

Producers For Bob – “Bob’s Media Ecology” + Vários – “Bob’s Media Ecology 2”

pop rock >> quarta-feira, 20.10.1993


Producers For Bob
Bob’s Media Ecology (8)
Vários
Bob’s Media Ecology 2 (7)
DOV, import. Contraverso

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Ecologia mediática, nem mais nem menos, é o tema que ao longo dos últimos anos Bob Dobbs, um discípulo de Marshall McLuhan, vem dissecando, num daqueles estranhos programas radiofónicos independentes que abundam nos Estados Unidos. Mas também pode muito bem ser uma daquelas treats do estilo das que os Negativland gostam de inventar. A nova ecologia, segundo Dobbs, tem por objectivo orientar e alertasr o indivíduo numa relação, já não com a Natureza, mas com o mundo mediático da informação e respectiva manipulação. Os canadianos Producers for Bob pegaram em extractos de emissões, manipulando por sua vez o discurso e acrescentando-lhe toneldas de tecnologia e montagem sonoras, seguindo uma estratégia em tudo idêntica à dos Negativland. Criaram 30 pequenas peças electrónicas e conceptuais e chamaram-lhes “Hand signals for the blind” ou um “souvenir from a ritual-in-progress”.
“Bob’s Media Ecology 2” é um conjunto de remisturas de temas do primeiro volume, bastante mais dançáveis, assinadas pelso Negativland, precisamente, Steinski, Coldcut e os próprios Producers for Bob, intercaladas por excertos de diálogos e monólogos de Bob Dobbs, dos quais se destaca o longo manifesto “Four levels of exegesis”. Irresistíveis são as duas versões de “Discarnate mix”: uma “bass mix” de rebentar as tripas e a versão de 11 minutos “out-of-body” pelos Coldcut, em que, pelo contrário, reinam a fantasmagoria e as truncagens astrais, entre a “techno” e o mundo do eco de Arthur Russell.

King Crimson – “Sleepless – The Concise King Crimson”

pop rock >> quarta-feira, 06.10.1993
REEDIÇÕES


King Crimson
Sleepless – The Concise King Crimson
Virgin, distri. EMI VC



Nova colectânea do rei carmesim, numa linha de intermináveis registos com que Robert Fripp se propõe eternizar a memória dos King Crimson, uma das bandas seminais dos anos 70, que teve segunda vida, revista e adaptada, nos anos 80. “Sleepless”, como diz o subtítulo, serve de catálogo para a obra monumental que está guardada na caixa quádrupla “The Essential King Crimson”, editada há dois anos em Portugal (há outra edição quádrupla, “The Great Deceiver”, reunindo registos ao vivo), e inclui temas recolhidos de todos os álbuns da banda, à excepção de “Lizard”, que, pessoalmente, consideramos ser o seu melhor, mas que Fripp parece menosprezar, talvez com verginha da sua faceta mais sinfónica ou da presença, neste disco, de um convidado que se move em planos opostos aos seus, Jon Anderson.
Seja como for, aqui aparecem, em “re-masters” que Fripp considera como sendo as “edições definitivas”, temas como “21st century schizoid man”, “Epitaph”, “In the court of the crimson king”, “Cat food”, um excerto de “Starless”, “Red”, “Fallen angel” e os mais recentes “Elephant talk”, “Frame by frame”, “Three of a perfect pair” e “Sleepless”, entre outros. Uma boa amostra da estética de uma banda que avançou contra as correntes dominantes da música progressiva. (8)

Police (The) – “Message In A Box: The Complete Recordings” 4xCD box

pop rock >> quarta-feira, 06.10.1993
REEDIÇÕES


PODER DE ENCAIXE

POLICE
Message In A Box: The Complete Recordings
4xCD A&M, distri. Polygram



A saga das caixas parece não ter fim. É o “ai Jesus” actual das editoras, que descobriram a melhor maneira de reciclar produto antigo. Trata-se, neste caso, de encaixar, variando oo formato e a decoração da caixa e metendo lá dentro mais ou menos palha, embrulhada em livrets luxuosos onde vem contada a “história toda” do(s) artista(s) em caixa, quer dizer, em causa. “Message in a box”, contudo, vem com tudo. Nada de palha, só o essencial dos Police, o grupo de sabidos que na explosão de 76 se fez passar por “punk”. E o essencial é neste caixo – apre! – caso, toda, mas mesmo toda, a discografia da banda, mais alguns trocados. O que significa que a mensagem inclui a totalidade dos álbuns “Outlands d’Amour” (1978), “Regatta de Blanc” (1979, que elegemos como o expoente mais alto da banda), Zenyatta Mondatta” (1980), “Ghost in the Machine” (1981) e “Synchronicity” (1983). O material adicional consta de vários lados “B” de “singles”, como “Dead end job”, “Visions of the night” e “Flexible strategies”, temas ao vivo como “Tea in the Sahara”, “Landlord” e “Next to you”, e ainda os instrumentais “How stupid Mr. Bates” e “A kind of loving”, extraídos da banda sonora de Sting. “Brimstone and Treacle”. O formato da caixa é atraente: um livro encadernado ilustrado na capa com o emblema da esquadra de polícia onde trabalharam, à paisana, os três rapazes: Sting, Andy Summers e Stewart Copleand. Depois, sabe-se o que aconteceu quando abriram o livro: deram uma cabazada a concorrência que ainda andava às voltas para aprender a afinar uma guitarra, enquanto eles traziam já na bagagem anos de treino com Zoot Sims, Eric Burdon, Soft Machine, Kevin Ayers (Andy Summers), Curved Air (Stewart Copeland) e Last Exit (Sting) e ideias firmes quanto ao caminho a seguir. Se formos nós a abrir o livro, temos literatura de sobra com que nos entreter, em 65 páginas de texto assinadas por Phil Sutcliffe, com cheirinho a novo, e muitas fotografias, cronologia, capas de discos, postais, cartazes, bilhetes e toda a espécie de quinquilharia que ajuda a encher este género de embalagens e que os fãs indefectíveis vão ler de ponta a ponta. Quanto a nós contentámo-nos com a audição da música: uma síntese explosiva de pop minimal, jazz e reggae traficado, servidos por três excelentes intérpretes e que produziu alguns dos grandes temas da música popular dos últimos anos, do género dos que todos trauteiam: Message in a bottle”, “Can’t stand losing you”, “Bring on the night”, “Walking on the moon” (trauteia-se menos), “Don’t stand so close to me”, “Spirits in the material world”, “Every little thing she does is magic”, “Invisible sun” (trauteiem lá!) e “Every breath you take”, só para citar os mais conhecidos. “Message in a box” satisfaz toda a gente. Para uns é dinheiro em caixa. Para muitos a caixa-forte da melhor polícia do mundo. Tudo por uma boa causa. Por uma boa caixa. (8)