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Aimee Man – “I’m With Stupid”

pop rock >> quarta-feira >> 17.01.1996


Aimee Man
I’m With Stupid
GEFFEN, DISTRI. BMG



“Whatever”, o álbum anterior de Aimee, passou estupidamente despercebido. Um dos discos que tornou mais brilhante o meu Verão de há dois anos. “I’m With Stupid” chega em plena época das chuvas, mas o milagre repete-se. Aimee abre a boca e o sol aparece. A antiga ninfeta dos Til’ Tuesday, admiradora de Liz Phair e admirada por Elvis Costello, está de volta com um som mais agressivo que o de “Whatever” e com ela estão de volta melodias viciantes. Quantas doses de “Long shot”, “Amateur”, “Par for the course” ou “That’s what just you are” serão precisas, antes da cura de desintoxicação? O tema do estúpido deve saborear-se com a memória gustativa nos Devine & Statton. Ou nos genuínos mestres do “cocktail”, Slapp Happy. Glenn Tilbrook e Chris Difford, dos Squeeze, produzem. Julianna Hatfield e Bernard Butler, ex-Suede, colaboram.
Da capa interior de infantário à voz de brinquedo, de entoações a fazer lembrar, por vezes Chrissie Hynde, e às canções com espessura de “chantilly”, tudo aponta no mesmo sentido: gozo. Chamem-lhe fútil ou superficial. Mas agradeçam-lhe. São discos como este, estupidamente saudáveis, que tornam a vida menos cinzenta e nos fazem acreditar que a pop é um remédio santo. Vai um rebuçado? (7)

Maria João Pires, Cesária Évora – “Maria João Pires E Cesária Évora Nos Grammies – Chopin E Cabo Verde Vão A Concurso”

cultura >> sábado >> 06.01.1996


Maria João Pires E Cesária Évora Nos Grammies
Chopin E Cabo Verde Vão A Concurso

Dois músicos de expressão lusófona são candidatos ao prémio Grammy para os melhores de 1995: Maria João Pires e Cesária Évora. A pianista portuguesa concorre na categoria de “solista instrumental com orquestra” e a cantora cabo-verdiana na de “world music”. O nome dos vencedores só será conhecido a 28 de Fevereiro.

Chopin, um piano, uma orquestra e o talento sem fronteiras de Maria João Pires chegaram ao galarim da indústria discográfica. O “Concerto para Piano e Orquestra, Nº 2 em Fá Menor, Opus 21#, de Chopin, levou a pianista portuguesa à lista de nomeações do prémio Grammy, atribuído todos os anos pela indústria discográfica norte-americana.
Cesária Évora, a cantora de mornas que Paris deslocou de Cabo-Verde para as bocas do mundo, concorre por seu lado na categoria de “world music”, com o seu álbum homónimo, ao lado dos Deep Forest, Baaba Maal, Ravi Shankar e os Splendid Master Gnawa Musicians of Morocco.
O resto é um pouco paisagem e bagatelas de milhões de discos vendidos. Estrangeirada. Uns e umas de visual mais ou menos apurado mas sempre com os olhos apontados aos Tops e À MTV, a qual, como toda a gente viciada nesta estação televisiva de 24 horas de música “non-stop” sabe, é o barómetro que decide quem é quem no sobe e desce do sucesso.
Mariah Carey, a menina de olhos doces e silhueta suculenta, a mais querida do pequeno ecrã, vai à luta com a maior fatia de argumentos, sem contar com os atrás mencionados. “Melhor disco do ano” e “melhor dueto pop”, ao lado dos Boyz II Men, ambos com “One sweet day”, “melhor álbum do ano” e “melhor álbum pop”, com “Daydream”, “melhor interpretação feminina pop”, com “Fantasy”, e “melhor interpretação feminina de rhythm & blues”, com “Always bem y baby”. Mariah, como se percebe – as nomeações não enganam – é mesmo a melhor. Mas há outra garota, Alanis Morrissette, a morder-lhe as canelas, com o mesmo número de nomeações, seis. Concorre a “melhor álbum do ano” e “melhor álbum rock”, com “Jagged Little Pill” e “melhor canção rock”, todas com “You oughta know”. Tanto o álbum de Mariah como o de Alanis estão disponíveis no mercado português.
Com cinco nomeações seguem-se Joan Osborne e Babyface. Michael Jackson (como Cavaco ou Sampaio, alguém com um passado negro – é uma piada! É uma piada!), Shania Twain e TLC têm quatro.
A responsabilidade das nomeações pertence aos sete mil membros da Academia de Artes e Ciências Discográficas, embora, em caso de protesto, não se especifique a qual deles deverá ser endereçado o requerimento.
Entre as 88 categorias do prémio “Grammy” figuram “álbum de gospel bluegrass, gospel country ou gospel do Sul”, “álbum de polka”, “álbum cómico” e “notas nos álbuns”. Na categoria Nº 82 “solista instrumental com orquestra”, Maria João Pires vai tecer armas com Itzahk Perlman, Catherine Cantin, Evgeny Kissin e Maxim Vengerov.
Os prémios serão atribuídos a 28 de Fevereiro, em Los Angeles, na Califórnia. Até lá ficamos todos a roer as unhas.

Vários (Pedro Saraiva, Dr. Sax, Guto, Black Out, Mimi, Tina & The Top Ten, Ena Pá 2000, Beto Medina, Black Company, Luís Varatojo, Despe & Siga, Manuel João Vieira, Pedro Abrunhosa, Farinha Master, Ocaso Épico, Quim Barreiros) – “Elevador Da Glória” – (dossier | fim de ano)

pop rock >> quarta-feira >> 27.12.1995


ELEVADOR DA GLÓRIA

Os miúdos. As grandes curtições e as grandes secas. As “bocas”. A dança das aulas. O universo das crianças portuguesas e os seus principais protagonistas – as crianças. Sempre na boca dos pais e dos políticos, durante as campanhas eleitorais. Este Ano Novo, porém, quisemos ser diferentes. Afastámos um pouco mais a objectiva. Pedimos licença aos filhos, assim como que um empurrão jovial – vão lá divertir-se mais um bocado e aproveitem bem as férias – e demos a palavra aos pais, aos matulões e matulonas. Pedimos-lhes para nos contarem a noite de “réveillon” das suas vidas. A festa das festas. Eles não se fizeram rogados. O Pedro Saraiva, o Guto, a Mimi, o Beto Medina, o Luís Varatojo, o Manuel João Vieira, o Pedro Abrunhosa, o Farinha Master e o Quim Barreiros, todos já crescidinhos, alguns deles já famosos, outros com esperanças de o ser, falaram das festas de passagem de ano que jamais esquecerão. E do que vão ou não fazer na próxima.
O Pedro foi apanhado em flagrante em cenas de sexo no elevador, o Guto recorda uma festa africana em grande, a Mimi ainda hoje goza quando se lembra de uma actuação dos Tina às cinco da matina na Foz do Arelho, o Beto prefere não adiantar muitos pormenores sobre uma noitada em Roterdão. O Luís tocou uma vez com um grupo de baile “hard rock” e sambinhas, para animar famílias de Sacavém. O Manuel vai a Fátima converter-se ao “islamismo fatimida”, o outro Pedro, dos Bandemónio, quer é calma e sossego, já esteve sozinho no Gerês e este ano vai estar algures entre o céu e a montanha. O Farinha está de muletas e sem grande disposição para festas, aos 21 anos tocou flauta no depósito de água do Algueirão. O Quim bebeu champanhe ouviu Rod Stewart em Copacabana.
A impressão que fica é que este ano se estão um bocado nas tintas e deixam a decisão sobre o local onde vão passar o “revillon” para a última hora.
A propósito de bandas, querem mesmo saber os seus nomes? Então lá vai: O Pedro Saraiva canta nos D. R. Sax, o Guto “rappa” nos Black Out, a Mimi canta nos Tina & The Top Tem e Ena Pá 2000, o Beto Medina compõe e toca guitarra nos Black Company, o Luís Varatojo alinha com os Despe & Siga, o Manuel João Vieira desestabiliza nos Ena Pá 2000, o Pedro Abrunhosa é o Pedro Abrunhosa, o Farina deu electrochoque nos Ocaso Épico, o Quim Barreiros é o Quim Barreiros.
Ano novo, vida nova? Boas entradas, melhores saídas? Galinha afónica afaga-se-lhe a asa? Bah! Eles é que sabem se vale a pena ou não, na manhã seguinte, cozer a bebedeira. Boas entradas e melhores ressacas!

“COISAS QUE SE CALHAR NEM DÁ PARA CONTAR…”

PEDRO SARAIVA, D. R. SAX



Passagem De Ano Memorável
“Há uma festa um bocado curiosa, que foge ao habitual. Uma vez fomos convidados para ir a casa de um amigo nosso – uma festa que começava tardíssimo. Dirigimo-nos para lá e quando chegámos fui de elevador com uma rapariga, amiga de alguém do grupo. De repente ficámos fechados no elevador. Entretanto a piada é que, quando o porteiro desengatou o elevador e abriu a porta, já estávamos numa cena sexual muito forte. Depois subimos. A festa estava uma porcaria. Saímos, de novo no elevador, e fomos a outro lado – à Indústria, talvez. Já ia completamente fora, também com a piela…”

Este Ano

“O grupo D. R. Sax decidiu que este ano seria passado em casa com as famílias. Temos tocado muito, o que é curioso, porque normalmente os grupos, nesta época, costumam estar parados. Tivemos boas propostas, mas recusámos.”

GUTO,
BLACK OUT



Passagem De Ano Memorável

“’Reveillon’ de arromba nunca tive nenhum. Também nunca tive nenhum mau. Há dois anos, estive numa festa africana que durou até às quinhentas da manhã, onde me diverti bastante e tive o prazer de conhecer novas pessoas… e novas miúdas… Foi na Zona Sul, em Vale Milhaços”.

Este Ano

“Vamos actuar na Praça do Comércio. Depois, estamos a pensar arrancar para uma festa qualquer, não interessa. Só para a diversão.”

MIMI, TINA & THE TOP TEM E ENA PÁ 2000



Passagem De Ano Memorável

“Foi precisamente na última passagem de ano, quando os Tina & The Top Tem tocaram no Dreamers Club, na Foz do Arelho. Eram três grupos, os Gasoline, os Pigs in Mud e nós. Diverti-me imenso, fomos a última banda a tocar, começámos já quase às cinco da manhã. Uma noite muito ‘cool’. Todas as pessoas estavam lá, muita gente conhecida, os concertos foram bons.”

Este Ano

“Ainda não sei o que vou fazer. Não temos nenhuns concertos marcados, por isso, em princípio, não iremos tocar em lado nenhum. Se calhar vou passar o ano naquela festa do Frágil e dos Três Pastorinhos, no Convento do Beato”.

BETO MEDINA, BLACK COMPANY



Passagem De Ano Memorável

“Lembro-me de duas ocasiões. Uma delas, em Angola, ainda na altura do recolher obrigatório, quando as festas começavam às dez e as pessoas só se podiam ir embora a partir das quatro da madrugada. Mas a melhor noite foi mesmo uma, há tr~es anos, na Holanda. Começou na casa dos meus tios, um jantar. Já sabíamos que depois iríamos para outro lado qualquer dançar. No jantar, estava muita gente, incluindo familiares que ainda não conhecia. Havia alguém que sabia fazer foguetes e bombinhas.
A partir daí, porém, é que as coisas começaram a melhorar. Saímos dali e fomos para uma discoteca, a Night Town, em Roterdão. Eu e uns primos mais chegados. Champanhe a noite toda, ficámos um bocado alegres demais. No decorrer da festa, como é que hei-de dizer, houve coisas que se calhar nem dá para contar… Coisas que uma pessoa já nem sequer se lembra muito bem… Não convém contar muitos pormenores… Foi óptimo. A minha namorada é que faz alguns comentários sobre as loiras e tal, fala sempre nisso… Mas não foi nada disso: pelo contrário, na festa em si, estavam para aí umas 2000 pessoas, a discoteca tinha sido modificada, estava cheia de luzes, cheira de cores, uma coisa extraordinária.
Conheceu-se muita gente, sabe-se como é, vêm pessoas cumprimentar-nos que nem sequer conhecemos. Estão todos vidrados, cheios de ‘ecstasy’, sem saber bem aquilo que fazem. Foi uma coisa desse género. Uma festa um bocado… não muito maluca, mas um bocado diferente das que tinha passado nos últimos anos.
Muitas vezes, quando conto isto à minha namorada, a Quica, ela faz um bicho-de-sete-cabeças: ‘Ah, e tal, contas da Holanda mas não contas os fins-de-ano passados comigo.’ Mas não é isso: passei fins de ano com ela que foram óptimos, só que este foi diferente. Nunca tinha estado na Holanda, era para aí o terceiro mês que lá estava e estava a gostar. Estive mesmo para ficar lá a viver.”

Este Ano

“Não sei, não tenho nada preparado. Sei que, na banda, não vamos passar juntos. Não vamos actuar em nenhuma festa. Pessoalmente, não gostaria. É diferente estar em cima de um palco, numa passagem de ano… Se calhar, gostaria mais de ver uma banda a actuar que ser eu a actuar. Mas, claro, vou passar o ano com a Quica. Como já não faltam muitos dias, é possível que vá ao Convento do Beato.”

LUÍS VARATOJO.
DESPE & SIGA



Passagem De Ano Memorável

“Lembro-me da primeira vez em que toquei numa passagem de ano, em 1983. Na altura, tinha um grupo de baile, mais ou menos, e tocámos na Academia Recreativa de Sacavém. Foi aí que arranjei a namorada que ainda tenho hoje. Foi giro, porque tocávamos para a chamada ‘malta da pesada’, mas a audiência era assim um bocado mista, com pais à mistura. Conseguimos animar tudo, sem qualquer problema. Tivemos que tocar ‘hard rock’ e ao mesmo tempo misturar uns sambinhas…”

Este Ano

Vamos actuar ali na Praça do Comércio. Fazemos um grupo, nós, os técnicos que trabalham connosco e um grupo de miúdas, bailarinas, que costumam também aparecer no nosso espectáculo. Ao todo, somos para aí umas 40 pessoas. Como nos damos bem e estamos o maior tempo possível juntos, vamos passar o ano juntos. Não temos é ainda sítio. Se houver alguém com uma proposta, para onde der para ir com toda a malta… Embora o programa seja agradável, lá na Praça do Comércio, apesar de ser Inverno. Deverá ser bastante animado.”

MANUEL JOÃO VIEIRA,
ENA PÁ 2000



Passagem De Ano Memorável

“Em 1962. Não aconteceu nada de especial.”

Este Ano
“Vamos em peregrinação a Fátima, passar lá o fim do ano. Porque nos vamos converter ao islamismo fatimida, com o resto dos iranianos.”

PEDRO ABRUNHOSA



Passagem De Ano Memorável

“Pensando bem, as melhores foram aquelas passadas com mais calma. As piores foram as que passei a trabalhar. As melhores foram todas as que passei no Gerês, sozinho, entre o frio e a natureza, no topo da montanha.”

Este Ano

“O que desejo para mim mesmo é exactamente o mesmo, a paz e sossego. Em concreto, estou a pensar passar o ano algures, entre o céu e a montanha.”

FARINHA MASTER,
OCASO ÉPICO



Passagem De Ano Memorável

“Devia ter uns 21 anos e fui sozinho para o depósito de água do Algueirão, um edifício circular com uma calote esférica no cimo e que fica num ponto alto, de onde se vê todo o Algueirão. Lá dentro, há uma sala cilíndrica que faz uma reverberação muito grande. Levei a minha flauta, tocava e via a menifestação da passagem de ano no exterior, os foguetes, as pessoas a passarem lá em baixo. Foi giro, não levei quaisquer produtos químicos, nem sequer champanhe ou passas. Estive ali umas duas, três horas.

Este Ano

“Não façoplanos. Na maioria das vezes as passagens de ano são convites de última hora. Neste momento, houve uma proposta de a fazer aqui em minha casa com uns amigos meus, que deixei um bocado no ar. Não estou com muita energia, uma vez que estou de muletas, devido a um acidente de motorizada..”

QUIM BARREIROS



Passagem De Ano Memorável

“Em todos os ‘reveillons’ que me lembro, desde os nove anos, trabalhei sempre, quer como músico de conjuntos musicais, quer como artista. Agora, o ano passado não trabalhei e gostei, foi bom para mim. Estava em Copacaban, estava lá o Rod Stewart a actuar. Foi uma festa muito bonita, com os amigos, a abrir champanhe francês na praia de Copacabana.”

Este Ano

“Vou trabalhar, para a discoteca Antonius, em Vila do Conde. Antes, sou capaz de pegar na família e ir jantar à estalagem Zende, em Ofir, Esposende”.