Arquivo mensal: Junho 2022

Roger Waters – “O Muro Em Espectáculo” (RTP | concerto)

PÚBLICO SÁBADO, 21 JULHO 1990 >> Local


RTP

O Muro em espetáculo


JONI MITCHELL, Sinead O’Connor, Cindy Lauper, Marianne Faithfull, Bryan Adams, The Band, Scorpions, Jerry Hall, Ute Lemper, Tim Curry, Thomas Dolby, Albert Finney, a Orquestra Sinfónica de Radiodifusão de Berlim Leste, a Banda das Forças Soviéticas na Alemanha, gigantescos bonecos insufláveis, helicópteros e holofotes sobre a multidão, são alguns dos elementos participantes na edificação de “The Wall”, hoje, em Berlim, frente às portas de Brandenburgo. Roger Waters acedeu a encenar ao vivo a sua fantasia, gravada para a posteridade dez anos antes da queda do muro da vergonha. A causa justifica os meios e o empenhamento. A ideia é do veterano de guerra Leonard Chishire – contribuir com a receita para a criação de uma bolsa permanente de auxílio às vítimas de acidentes e catástrofes. Pretende-se angariar uma quantia de 500 milhões de libras esterlinas, 130 milhões de contos em moeda portuguesa, equivalentes a 5 libras por cada vítima dos conflitos bélicos deste século, num total de óbitos estimado em cerca de 100 milhões. Recorde-se que o pai do antigo baixista e vocalista dos Pink Floyd faleceu na Segunda Grande Guerra e que a história da personagem principal de “The Wall”, interpretada no filme de Alan Parker por Bob Geldof, descreve, em tons de pesadelo, o percurso biográfico do autor dos recentes “The Pros and Cons of Hitch Hiking” e “Radio K.A.O.S.”. O grandioso concerto desta noite, que poderá ser visto via satélite por milhões de telespectadores em todo o mundo, constituirá um dos maiores jamais realizados, contando, para além das prestações musicais, com projeções animadas e a encenação teatral da sequência do julgamento, um dos “clímaxes” mais fortes e angustiantes de “The Wall”. Há 600 pessoas envolvidas na produção do espetáculo cuja assistência se espera que ronde os 200 mil. João Filipe Barbosa comenta, dos estúdios da RTP. Antes, está prevista a exibição de um documentário sobre o muro de Berlim.
Canal 1, às 21h00

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #15 – “Os concertos das nossas vidas”

#15 – “Os concertos das nossas vidas”

Fernando Magalhães
24.09.2001 170521

Lembro-me destes…

Lembro-me destes, mas há muitos mais…:

MICHEL PORTAL (Sintra) – o melhor de sempre

JEAN-LUC PONTY (Cascais)
KING CRIMSON (Est. Restelo)
EUGENIO FINARDI (Avante)
FAIRPORT CONVENTION (“)
WEATHER REPORT (FIL)
LOUNGE LIZARDS (Aula Magna)
PERE UBU (Aula Magna)
PETER HAMMILL (Terreiro do Paço; Teatro S. Luiz)
RO ROCOCO ROT (Fest. Número)
DAT POLITICS (“)

MUZSIKAS (Intercéltico)
DE DANANN (“)
FOUR MEN AND A DOG (“)
DERVISH (“)
CHIEFTAINS (“)
PERLINPINPIN FOLC (Oeiras)
LA CIAPA RUSA (Oeiras)
NIGEL EATON & PAUL JAMES (Algés)
TARAF DE HAIDOUKS (Algés)
JUNE TABOR (CCB)

saudações

FM

Vítor Junqueira
24.09.2001 170529

Re: Lembro-me destes…
quote:
________________________________________
Publicado originalmente por Fernando Magalhães

DAT POLITICS (“)
________________________________________

Hum?

(não estarás a confundir com os Tone Rec num reset! qualquer?)

Fernando Magalhães
24.09.2001 170553

Sssssssiiiiiim…no BA, há 2 ou 3 anos, no mesmo festival m que actuaram o THOMAS BRINKMANN, THE USER, FRANCISCO LOPEZ…

Eram os TONE REC eram… Eram?… Vai dar no mesmo…os DAT Politics são uma extensão dos Tone Rec.

Lembro-me dos dois casais, de frente um para o outro, com os “powerbooks”, estilo Kratftwerk dos tempos de “Ralf & Florian”…

Concerto excelente. Disciplina. Rigor. Electrónica prestes a explodir mas sob controle absoluto!

FM

Ladysmith Black Mambazo – “As Cores Do Verão – Vozes De África” (concerto | antevisão | festivais | artigo de opinião)

PÚBLICO SEXTA-FEIRA, 20 JULHO 1990 >> A Semana >> Na Capa


As cores do Verão

Estiveram no “Graceland” ao lado de Paul Simon. Participaram no vídeo “Moonwalking”, de Michael Jackson, e foram à “Rua Sésamo”. São os Ladysmith Black Mambazo e cantam “a capella”. Em Lisboa – onde atuam no Verão 90 – a voz dos anjos também será negra.



VOZES DE ÁFRICA

Fala-se em música africana e ouvem-se batuques. Afluem ao espírito imagens de selva, savana, fogueiras noturnas perturbadas por olhos na escuridão e rugidos que se desejam ao longe. Mas África é também do Sul e o “apartheid”, Nelson Mandela, grandes cidades e o tribalismo afastado para o lado, mas constantemente a gritar os seus direitos.
Os Ladysmith Black Mambazo são sul-africanos, negros e não tocam tambores. Cantam. Maravilhosamente e “a capella”, hinos religiosos e temas populares e tradicionais do seu país. O canto “a capella” é o estilo vocal em que cada cantor entoa uma linha melódica diferente, uns em voz grave, outros em voz menos grave e por aí acima até aos gorjeios soprano do topo da escala. O feito total é a harmonia perfeita – como acontece com os Manhattan Transfer, os grupos de espirituais negros ou o Coro de Santo Amaro de Oeiras.



O nome do grupo significa “enxada preta de Ladysmith” e grande parte do seu reportório inspira-se no estilo “mbube”, indissociável da cultura zulu, e na “Isicathamiya”, cantada pelos trabalhadores negros que foram levados à força para longe das casas e famílias para trabalhar nas minas exploradas pelo branco. O seu mentor, Joseph Shabalala (“Bekezizwe” em zulu, “homem líder”) trabalhou nas minas. A sua música irrompe do sofrimento e da harmonia dos sonhos, como ele gosta de afirmar. Convenceu alguns dos seus familiares a partilharem desses sonhos e a materializarem-nos na voz.
Costumam tocar um pouco por todo o lado, mas especialmente em igrejas e centros comunais. Já o fizeram também em prisões, em escolas secundárias e nas grandes catedrais. Participaram na “Rua Sésamo” e nos espetáculos “Saturday Night Live” e “The Tonight Show”, bem como no vídeo de Michael Jackson, “Moonwalker”. Além de cantarem, narram provérbios e contam histórias e anedotas da sua tradição. Trazem as raízes ancestrais para a cidade e encantam sempre.
Costumam utilizar a língua materna zulu – por isso poderá haver quem não entenda as palavras. Mas a música, todos a sentem, e a mensagem passa. Fora dos limites estreitos do Sul do continente negro, para o resto do mundo. Em discos avidamente escutados pelos ocidentais, sempre dispostos a consumir e a devorar novas e diferentes sensibilidades, que apelidam invariavelmente de “exóticas”. Que nos façam bom proveito.
Paul Simon (em zulu, “Vulindlela” – “aquele que abriu o portão”) não deixou escapar a ocasião e utilizou, com ótimos resultados, as vozes africanas no álbum “Graceland”. Mas os Ladysmith Black Mambazo têm discos só seus. Ao todo vinte e oito. Os mais recentes dão pelo nome de “Inala”, “Umthombo Wamanzi” e “Two Worlds, One Heart”, este último concedendo espaço aos instrumentos e à eletrónica, incluindo um “Zulu-Funk-Rap” ao lado de George Clinton e com honras de edição em CD.
O importante é intuir a voz da terra irmanada com os cânticos do céu. A dança tribal invadindo a selva urbana. Para os Ladysmith Black Mambazo há “Two Worlds, One Heart”: “Dois mundos – a terra e o paraíso – e um coração, poder único que se ergue acima do mundo e conduz à paz e unidade de todos os povos do planeta”, como eles explicam.
LISBOA, Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, 5ª, às 22h.