Arquivo mensal: Outubro 2025

Martin Simpson – “A Closer Wailk With Thee”

pop rock >> quarta-feira >> 29.03.1995
world


Martin Simpson
A Closer Wailk With Thee
FLEDG LING, DISTRI. MC-MUNDO DA CANÇÃO



São frequentes as viagens e o intercâmbio musical entre as Ilhas Britâncias e os Estados Unidos da América. Os irlandeses, por sinal, até costumam funcionar bastante bem quando estão do lado de lá do oceano. Menos frequente é um inglês fazer um disco exclusivamente de versões de canções “gospel” americanas. É o que acontece no novo disco deste guitarrista – incluindo na guitarra barítono – e bandolinista, de técnica irrepreensível, parceiro de June Tabor em “A Cut Above” e da sua mulher Jesica num interessante “True dare and Promise”, autor ainda de uma discografia a solo algo irregular. “A Closer Walk With Thee” surpreende pela posiyiva, talvez porque Simpson se tivesse convertido aos sermões dos evangelistas negros e encontrado a luz numa capela erguida à entrada do paraíso, idêntica àquela que vem desenahada na capa. Não que o guitarrista levasse a devoção ao ponto de imitar Al Johnson e pintar a cara de escuro, mas não é por isso que desta música de desprende menos autenticidade. Por vezes a calmaria é excessiva e não cairiam mal umas diabruras. É, mesmo assim, um dos mais curiosos Simpson de sempre. Virtudes do paramento. (6)

Máirtin O’Connor – “Chatterbox”

pop rock >> quarta-feira >> 29.03.1995
world


Máirtin O’Connor
Chatterbox
DARA, DISTRI. MC-MUNDO DA CANÇÃO



Máitin O’Connor representa para o acordeão – “squeeze box”, ou simplesmente “box”, como os irlandeses dizem – o mesmo que Arty McGlynn para a guitarra. O que significa que estamos de novo na presença de um professor que, por acaso, também pertenceu aos De Danann, como McGlynn. Há porém enormes diferenças entre a postura de ambos. Ao contrário do guitarrista, apóstolo da seriedade, Máirtin tem uma mentalidade mais permissiva, bonacheirona mesmo. Diverte-se com a música que toca, sem grandes preocupações em se manter fiel à música irlandesa, como de resto já acontecia no anterior “Perpetual Motion”. Dos “horpipes” ao baile musette e à valsa italiana, do chorinho ao folclore de uma ilha desconhecida do mar do Norte, não há problema, o que interessa é a leitura descontraída e sem preconceitos. Ao seu lado estão nomes famosos, como Nollaig Casey, Jimmy Faulkner, Tommy Hayes, Sean Keane (o violinista dos Chieftains, não o irmão de Dolores…), Matt Molloy, Garry O’Brian e Micheál ‘O Suilleabháin. Todos se integram no esquema, como se “Chatterbox” fosse um pátio de recreio. Por vezes pode soar demasiado ligeiro (“Chatterbox” poderá ser traduzido como “acordeão tagarela”…), mas vael como uma viagem, descomprometida, por alguns dos palcos de dança da Europa. (7)

Tony Wakeford – “LUZ NEGRA TONY WAKEFORD”

pop rock >> quarta-feira >> 29.03.1995


LUZ NEGRA
TONY WAKEFORD
Gartejo – Abril – Domingo – 2 – 22h30


Tony Wakeford, mentor dos Sol Invictus e representante da corrente obscura / pagã / ritualista que vai escurecendo o mundo com a sua “luz negra”, actua na Gartejo. Antes dos Sol Invictus, Tony Wakeford integrou os Death In June, “folkies” do demónio, banda de culto em Portugal, ao lado de outras como os Current 93 ou os Sixth Comm, adeptas de Crowley, do anticristo e de um misticismo de sinal invertido. Sol Invictus, ou Tony Wakeford, é um projecto que alia a música e filosofia, técnica e religiosidade, beleza e disformidade. Para alguns, esta música poderá ser elevatória. Para outros, uma armadilha. É de certeza ambígua, resultado de uma atitude expressa desde o início no título do primeiro álbum do “grupo”, “Against The Modern World”. Tony Wakeford virá acompanhado de um músico-mistério, sabendo-se apenas que já colaborou com os Sol Invictus.