Arquivo mensal: Abril 2016

Peter Blegvad & John Greaves – “Unearthed”

Pop Rock

5 de Julho de 1995
álbuns poprock
curtas

PETER BLEGVAD & JOHN GREAVES
Unearthed

Sub-Rosa, distri. Megamúsica


pb

Textos de Peter Blegvad, excêntricos à boa maneira britânica, declamados pelo próprio, com a ajuda do seu antigo companheiro nos Slapp Happy e Henry Cow, John Greaves. Quem estiver a pensar na anterior colaboração da dupla, o magnífico “Kew. Rhone”, pode tirar os cavalinhos da chuva. É tudo falado, sobre um fundo sonoro que acompanha a estranheza das palavras. Pelo meio, uma canção, “The only song”, pois claro, a meio caminho entre os Beatles e os Faust. (6)



Biosphere – “Patashnik”

Pop Rock

5 de Julho de 1995
álbuns poprock
curtas

BIOSPHERE
Patashnik

Apollo, distri. Megamúsica


bio

A “ambient” tem à partida uma finalidade que é descontrair. Os Biosphere escondem algo na manga e infiltram o género com factores de perturbação. “Phantasm” é um pesadelo que está longe de ser só infantil e as interferências extraterrestres nem sempre têm efeitos benéficos. A sessão de “valium techno” termina com “En-trance”, guitarra acústica em estado de hipnose sobre uma cortina de sonhos electrónicos capazes de pôr a cabeça acima das nuvens. (7)



Pink Floyd – “Pulse”

POP ROCK
28 de Junho de 1995

álbuns poprock

Nenhuma luz ao fundo do túnel

PINK FLOYD
Pulse

2XCD Emi, distri. Emi-VC


pf

Os Pink Floyd são um grupo de comerciantes cujo stock de música há muito se esgotou. Hoje contentam-se em oferecer aos seus milhões de clientes espalhados por todo o mundo objectos de fancaria que não pretendem mais que apelar ao instinto de Pavlov que existe um pouco em cada um de nós. A nova mercadoria que lançaram, testada na digressão mundial do ano passado, “The Division Bell”, apresenta duas particularidades: a versão ao vivo, na íntegra, de “Dark Side of the Moon”, o álbum do grupo mais vendido de sempre, e, na lombada da embalagem (de luxo, claro, com um livrete profusamente ilustrado), uma luzinha “led” vermelha, a acender e a apagar, cujas pilhas, garantem os fornecedores, têm força para manter a coisa a piscar durante pelo menos seis meses. A ideia é, depois de feita a arrumação na estante, chamar a atenção para o disco, ali, sempre a piscar, a piscar, a procurar hipnotizar-nos com a sua presença. Quanto à versão do dito longo tema, está praticamente igual ao original de 1973, com os efeitos todos no sítio, o que significa enjoo garantido até ao próximo disco. A reciclagem parece ser dirigida aos putos que na altura em que o original foi editado ainda nem sequer tinham nascido. Ou então oferecer uma compensação aos fãs que não conseguiram bilhete para os concertos, o que também não é uma grande justificação porque a versão ao vivo pouco ou nada adianta à versão original de estúdio. Ainda para mais, o dito original, para quem realmente não o dispensa, acabou, juntamente com outras obras do grupo, de ser reeditado com nova remasterização, o que significa um som pouco menos que perfeito. Outra explicação para o facto de “Pulse” existir é a de mostrar que, afinal, os Pink Floyd não mudaram nada nestes anos todos e continuam a ser a mesma banda psicadélica e íntegra do início, o que, além de manifestamente ridículo, não é verdade. Tudo o que foi dito aplica-se a clássicos como “Shine on you crazy diamond”, “Astronomy domine” ou “Another brick in the wall”, incluídos no primeiro compacto. Apenas as vocalizações mudaram, é claro, para pior. Em relação à luzinha, dá vontade de esborrachá-la com um martelo, com um martelo não, com um malho, já que não se pode fazer o mesmo aos Pink Floyd. (3, essencialmente pelo prazer que dá esborrachar a luzinha)