Arquivo mensal: Outubro 2015

Balanescu Quartet – “Luminitza”

Pop Rock

9 MARÇO 1994
ÁLBUNS POP-ROCK

Balanescu Quartet
Luminitza

Mute, distri. BMG port.


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Com “Luminitza”, os Balanescu Quartet deixaram de ser um simples quarteto de cordas (se é que se pode chamar simples a um quarteto de cordas que já tocou a música dos Kraftwerk…) para se transformar em algo mais, por enquanto ainda não muito definido. Para já, parece haver da parte dos seus membros a necessidade de variar a gama sonora disponível, o que na prática se traduziu neste disco na inclusão de teclados e programações electrónicas. O som saiu enriquecido, mas o discurso ainda não possui coerência suficiente que permita definir o quarteto como algo mais do que um colectivo de intérpretes de composições alheias. Em “Luminitza”, as composições assinadas pelos próprios elementos do grupo, deixam perceber até que ponto estes foram influenciados pela música dos germânicos robóticos que lhes serviu de matéria de estudo no álbum “Possessed”. A electrónica não domina por enquanto a música, pertencendo ainda às cordas discorrer sobre teorias sólidas como o minimalismo ou o classicismo de feira de Michael Nyman. Mas os germes de uma nova linguagem estão presentes em “Luminitza”. E sobre o ombro dos Balanescu Quartet sente-se a respiração pesada do clamor industrial. Não admiraria que os Balanescu viessem a engrossar as fileiras da chamada “grey zone” da Mute. (7)

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Tuxedomoon – “Solve et Coagula”

Pop Rock

16 FEVEREIRO 1994
REEDIÇÕES

Tuxedomoon
Solve et Coagula

Crammed, distri. Megamúsica


tux

O título, decalcado da simbologia alquímica, promete transmutações obscuras e diabólicas fantasias. Mas não, não há nem uma coisa nem outra. Transmutações, népia, já que se trata de uma compilação de temas antigos, vulgo colectânea, ou seja, um “best of…”, com versões iguais às dos álbuns originais de onde foram extraídas – “Half Mute”, “Desire”, “Holy Wars”, “Ship of Fools”, “You”. De diabólico, só se for o tema “Trinotus (Musica diablo)”, sobre o acorde maldito da Idade Média. Ou seja, quem gosta dos Tuxedomoon já tem, com certeza, os álbuns referidos e passará decerto ao lado desta manta de retalhos. Para quem desconhece a banda e as proezas dos seus músicos, de Winston Tong a Steven Bown, de Blaine Reininger a Peter Principle, encontrará aqui material e motivos de sobra para se espantar e desatar a correr à procura das fontes. E talvez seja até uma maneira de os conhecedores, mas preguiçosos, não precisarem de tirar os outros discos da prateleira para poderem ouvir a música dos Tuxedomoon, a mais europeia das bandas norte-americanas. Que começou por alinhar ao lado dos Residents e dos Yello, e acabou a tocar sonatas e música clássica à chuva debaixo das arcadas da CEE. (7)

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Michel Jonasz – “Où est la Source”

Pop Rock

16 FEVEREIRO 1994
NOVOS LANÇAMENTOS POP-ROCK

Michel Jonasz
Où est la Source

WEA, distri. Warner Music


mj

Os franceses têm aquela qualidade preciosa de conseguirem ser chatos como a potassa mas dando a entender que é coisa fina e elegante. Com “charme”, dizem eles. Michel Jonasz anda na “chanson” há muitos anos, mas não é por isso que “Où est la Source” deixa de ser chato. Ele é um autor, melhor dizendo um poeta. Vê-se pelas letras que ele tem o cuidado de cantar devagarinho, não se vá perder alguma sílaba. Às primeiras notas do disco, ou num tema como “Vivement l’avenir”, poderia passar por um Momus cloroformizado. Mas depois a coisa arrasta-se com uma lentidão exasperante, com Jonasz a não ser capaz, ou a não querer, sair dum estilo semideclamado que se deixa anestesiar em baladas intoxicadas pelo fumo de casino. Aliás é tudo semi, neste álbum. Semi-jazz em “Triste et bleu”, semi-romântico, em “Le piano et le pianiste”, semibonito, em “Tombent les feuilles”. Steve Gadd e Paulinho da Costa, entre outros músicos convidados, adormecem com Jonasz ao som das estrelas. É tudo azul. “Blues” de lágrima fácil? Nem o Vitinho conseguia fazer-nos adormecer com um sorriso de tanta beatitude nos lábios. (4)

A partir daqui