Tommy Makem – “From The Archives”

pop rock >> quarta-feira >> 17.01.1996


Tommy Makem
From The Archives
SHANACHIE, DISTRI. MC – MUNDO DA CANÇÃO



Novo reencontro com a primeira geração de cantores irlandeses, sem os quais o aparecimento das bandas urbanas, nos anos 70, não teria sido possível. Tommy Makem é uma das vozes pioneiras do canto tradicional e um dos poucos tocadores de banjo irlandeses que permaneceram deste lado do Atlântico, deixando a sua obra gravada em discos como “Na Evening with Tommy Makem”, “Lonesome Waters”, “Rolling Home” e “Songbag”, os quais serviram de material de base para a presente colectânea. Para se apreciar em pleno estas baladas, reduzidas à sua expressão e beleza essenciais, poderá começar-se por ouvir Christy Moore e a partir daí ir recuando, até deparar com a luminosidade sobrenatural de um tema como “The bard of Armagh”. Já devem os leitores ter notado, aliás, uma certa tendência recente deste vosso servidor em chamar a atenção para alguns dos principais pilares da música folk das Ilhas Britânicas. Discos que por vezes se fazem difíceis ao ouvido, pouco dados a que lhes afaguem a pele sem lhes tocar nas entranhas. O tempo é de triagem. Entre quem procura na “folk” nada mais que o exotismo – esses já terão a sua dose e andarão a procurar sustento noutros lados – e quem nesta música encontra um rumo e uma razão de ser. Estes últimos têm à sua disposição o Infinito. Mas sosseguem os espíritos mais impacientes e “speedados”. Em breve retomaremos o fio à meada, abrindo as mandíbulas aos “jovens leões” que seguiram a Tradição como uma espada. Ou uma presa. (8)

pop rock >> quarta-feira >> 17.01.1996


Squeeze
Ridiculous
A & M, DISTRI. POLYGRAM



Há algo de nostálgico na música dos Squeeze e na persistência com que a banda de Glen Tilbrook e Chris Difford insiste em trazer o espírito da “power pop” dos idos de 80 para os dias de hoje. “Ridiculous” não é melhor nem pior que os outros discos, nomeadamente o anterior, “Some Fantastic Place”. É com prazer que reencontramos as mesmas melodias, cuja estrutura não poderia ser mais simples, embelezadas embora por uma iconografia adolescente, já algo desbotada e deslocada, inspirada nos Beatles. Precisamente, o que faz o encanto da música dos Squeeze é essa discrepância temporal entre o apego à memória e a recusa em evoluir para modelos mais actuais. Os Squeeze nunca vão mudar, nem ninguém há-de querer isso. “Walk away” é o exemplo máximo de anacronismo enquanto “This Summer” recua até aos quatro de Liverpool e à ingenuidade mágica de uma qualquer “Michèle”… Deixemos passar “Ridiculous” sem lhe fazer mal. Seria ridículo destruir uma estufa. Ou desprezar um oásis. (6)

JPP – “Devil’s Polska”

pop rock >> quarta-feira >> 17.01.1996


JPP
Devil’s Polska
GREEN LINNETT, DISTRI. MC-MUNDO DA CANÇÃO



Os Jarvellan Pikkupelimannit, ou JPP, como se autodesignaram a partir de 1988, quando alcançaram a consagração no seu país de origem, a Finlândia, com o duplo álbum “Kaustinen Rhapsody” (considerado o “melhor do ano” pelo diário “Helsingin Sanomat”) e a atribuição do prémio Tonnustus, pela Corporação de Rádio Finlandesa, dedicam-se ao reportório de violino. “Devil’s Polska” (no original “Pirun Polska”) não esconde o currículo clássico e de conservatório dos seus el, mesmo se nos seus primórdios, no início dos anos 80, o grupo se reivindicasse como descendente directo de uma linhagem de músicos populares que elementos populares que já no final do século passado animavam as aldeias de Kaustinen e Jarvela. O seu nome significa, de resto, “os pequenos músicos de folclore de Jarvela”. Por serem na altura ainda muito jovens e, quiçá, de baixa estatura. Os elementos do actual septeto já dispersaram os seus talentos pelos Niekkutallari, Koinurit, Salamakannel ou Maria Kalaniemi, entre outros. Em contrapartida ao seu passado regional, a música deste quarto álbum da banda é de iluminados. O reportório incide sobre polskas, polkas, “schottisches”, quadrilhas, valsas, marchas, um 2Tango bonito” e até um “Irish coffeee”, servido, evidentemente, com natas muito geladas. Das tradições finlandesa, mas também sueca, da região de Carélia, mais uma polka alemã e a tal polska do diabo. Experimentem começar, sem aviso prévio, pelo tema n 4, “Ellun sotiisi”, e deixem-se cair para o lado. É das melodias mais envolventes que tenho escutado nos últimos anos. Ou então, lá mais para a frente, “Kulkan kakkospolska”. E há muitas mais do estilo. Música tradicional com a complexidade, a riqueza harmónica e a sumptuosidade do Barroco. Cinco violinos, um baixo acústico e um órgão de pedais. “New finnish folk fiddling”, apregoa o subtítulo. Parece pouco? É mais do que suficiente para pôr qualquer um em órbita. Obrigatório. (9)