Arquivo da Categoria: Rock

Trisquel – “Amandi”

pop rock >> quarta-feira >> 10.05.1995
curtas


TRISQUEL
Amandi
Sonifolk, distri. MC – Mundo da Canção



Galegos às voltas com duendes e fadas numa bela colecção de folk progressivo que evoluiu bastante em relação ao anterior “O Asubio do Padrino”. Boas influ~encias externas, como as dos Amazing Blondel e dos Incredible String Band e Gryphon, dissolvem-se na veracidade de três gaiteiros com os pés bem assentes na terra de Maeloc. Cumprimente-se a voz de Nancy Mourino antes de se entrar na mansão dos prodígios. (7)

The Band – “Live At The Watkins Glen”

pop rock >> quarta-feira >> 26.04.1995
curtas


THE BAND
Live At The Watkins Glen
Capitol, distri. EMI-VC



Finalmente disponível a gravação de uma das míticas aparições ao vivo dos The Band, em Nova Iorque, 1973, para uma assistência de perto de 300 mil pessoas. Na altura em que o grupo se aprestava para gravar o álbum de versões “Moondog Matinee” e alguns dos seus membros enveredavam pela má vida, o ambiente de festa ganha contornos de pura magia no solo improvisado no órgão Lowrey, debaixo de trovões e uma forte chuvada, que Garth Hudson ofereceu a uma multidão em êxtase. (5)

Arturo Stalteri – “Racconti Brevi… E Il Pavone Parlò Alla Luna”

pop rock >> quarta-feira >> 19.04.1995
reedições


As Plumas Do Pavão

ARTURO STALTERI
Racconti Brevi… E Il Pavone Parlò Alla Luna (8)
Materiali Sonori, distri. Áudeo



Quem e lembra daquelas melodias, únicas no universo, que os Faust costumavam compor em guitarras acústicas, para grande assombramento de álbuns como “So Far” ou toda a sequência final de “The Faust Tapes”? “Racconti Brevi…” – o compacto reúne dois discos diferentes, “Racconti Brevi”, um mini-LP gravado entre 1977 e 1979 e remisturado em 1993, e “… E Il Pavone…”, de 1983 – começa na mesma veia bucólico-minimalista. O que se segue, como acontecia com aquele grupo germânico, é indescritível. Stalteri, um italiano que tocou numa banda chamada Pierrot Lunaire, faz parte daquela família de iluminados que, além dos Faust, inclui nomes como Daniel Schell, Lars Hollmer, J. Lachen, Marc Hollander (quem reedita em CD o fenomenal “Onze Danses pour Combattre la Migraine”?) e os Z.N.R., de Hector Zazou (há mais, muitos mais, que a turba ignora e não poucas vezes despreza).
Stalteri é um compositor nato com tendência para utilizar as regiões menos exploradas do cérebro. As ideias que lhe jorram da cabeça assumem invariavelmente formas pouco usuais. Não são jazz, nem progressivo, nem clássico, nem é pop, mas algo mais além e escondido. Nos domínios de Alice e dos delírios surrealistas. Um órgão Farfisa em transe meditativo, ragas psicadélicas, refracções electro-acústicas inspiradas em Terry Riley, da sala de espeçhos “Poppy nogood and the phantom band”, num passeio pela Idade Média (“Goa difronte all’oceano), um “Volo noturno” que lembra “Magician’s Hat”, de Bo Hansson, nas suas vibrações de catedral esculpida num iceberg. Referências que apenas servem enquanto sinais de orientação.
Em “Mulini” Arturo Stalteri tira o máximo partido da sua experiência como pianista clássico. A música indiana cruza-se com a guitarra de Robert Fripp em “… E il pavone parlò alla luna”. “La pescatrice di perle” prenuncia os “loops” ambientais de Ingram Marshall. Num “Morceau” de 46 segundos Arturo Stalteri transforma-se me Keith Jarrett, que se transforma em Hector Zazou, que se transforma em Keith Emerson. “Raga occidentale” oscila por 17 minutos, durante os quais o espectro da dupla Slapp Happy – Henry Cow, de “Desperate Straights”, se dilui na auto-hipnose de um piano autista. Um objecto nas margens mais longínquas da normalidade.