Arquivo mensal: Outubro 2009

Peter Hammill – Everyone You Hold

31.10.1997
Peter Hammill
Everyone You Hold (8)
Fie, distri. Megamúsica

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O homem ou é um santo ou um louco. Chegado aos 49 anos de idade e ao 39º álbum da sua discografia (incluindo toda a discografia com os Van Der Graaf Generator), Peter Hammill continua sem ceder a nada nem ninguém, na construção de uma das mais sólidas obras musicais e poéticas deste século. “Everyone You Hold” corresponde ao grupo dos álbuns intimistas deste compositor, poeta, arranjador, produtor, guitarrista, pianista e cantor, na linha de “Fireships”, mas o que nele impressiona é a frescura de composição e, acima de tudo, a nobreza do canto e o rigor iluminado da arquitectura. Não é um álbum de gritos e revolta, mas um catálogo detalhado de subtis mutações interiores, no qual Hammill coloca como quer uma voz de cambiantes cada vez mais ricos, ao serviço de uma verdadeira iniciação, onde a vida e a música se confundem num todo. Ainda e sempre num confronto heróico contra o tempo e as suas marcas ( a série de fotografias da capa é já, toda ela, um manifesto de exposição e de entrega), numa guerra sem quartel que, há muito, os deuses apadrinham. Instrumentalmente, predominam as guitarras corais, a electrónica acetinada, sábios pormenores de estúdio e uma rítmica que prima pela discrição. “Nothing Comes” recua aos tempos doridos de “Over”, com o violino de Stuart Gordon a raiar os limites da tragédia, mas esta é apenas uma das muitas lágrimas e sorrisos que fazem de “Everyone You Hold”, afinal, uma sublime declaração de amor. Os fiéis reconhecerão cada inflexão da voz, bebendo cada sílaba dos poemas e sentindo na pele as mesmas dores do artista. Os outros ainda estão a tempo de entrar no mundo, sem igual, de Peter Hammill.

Stephan Micus – Desert Poems

09.03.2001
Stephan Micus
Desert Poems
ECM, distri. Dargil
8/10

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Imperturbável, afastado das modas e tendências, Stephan Micus vem construindo na ECM uma obra ímpar que o coloca num lugar à parte da produção contemporânea. Recolhendo elementos étnicos e religiosos das tradições do Ocidente e do Oriente, a música de Micus é uma viagem de contemplação mais do que pelas geografias do globo, pelos mapas do espírito. O modalismo de múltiplas tradições orais, o transe e os rituais do Oriente árabe e asiático cruzam-se com liturgias gregas e canto gregoriano num jardim zen. Música de silêncio, júbilo e devoção, “Desert Poems” tem a serenidade do despojamento, mas também uma complexidade quase sinfónica na harmonização das dilrubas, em “Adela” e “Shen khar venakhi”. Como de costume, Micus socorre-se de uma extensa paleta de instrumentos tradicionais, multiplicados ou a solo – além da dilruba, o sarangi, dondon, doussn’gouni, kalimba, sinding, steel drums, shakuhachi, sattar e os já habituais vasos de barro.

Robert Rich – A Troubled Resting Place

21.05.1997
Robert Rich
A Troubled Resting Place
FATHOM, DISTRI. STRAUSS

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LINK (“Robert Rich & Alio Die – 1997 – Fissures”)

Do compositor de trabalhos notáveis como “Numena”, “rainforest”, “Gaudi”, as colaborações com Steve Roach, “Strata” e “Soma”, ou o mais recente “Stalker”, em colaboração com Brian Lustmord, surge-nos agora uma colecção de temas extraídos e compilações várias no âmbito do conceito “sombient”, de que o citado “Stalker” constitui um dos manifestos primordiais: “The Throne of Drones”, “twilight Earth”, “Sworm of Drones”, “Deepnet”, “the Promises of Silence” e “night Sky Repiles”. Música das sombras cósmicas, pulsando dos recantos mais longínquos da galáxia, implodindo num buraco negro para nos devolver, do outro lado, a dimensão sobrenatural do silêncio. De audição indispensável para os psiconautas solitários. (8)