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Peter Hammill – Sonix (conj.)

Um Gerador na Capela
Guy Evans & Peter Hammill
The Union Chapel Concert (6)
2XCD
Peter Hammill
Sonix (7)

peterhammill_sonix

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David Jackson
Fractal Bridge (7)
Todos Fie, distri. Megamúsica
Refazer a história é difícil. Ressuscitar o mito é impossível. Os Van Der Graaf Generator são, quer se queira quer não, um mito, dos poucos que, nos anos 70, elevaram, de facto, a música progressiva à categoria de grande arte. Assinaram uma obra-prima absoluta, “Pawn Hearts”, dissolveram-se, reuniram-se de novo para viver uma segunda vida que culminou noutra obra-chave, já na antecâmara da década de 80, “Still Life”. Finalmente, o gerador extinguiu-se e cada músico seguiu o seu próprio caminho, embora as ligações entre os vários lementos jamais se extinguisse. Guy Evans foi, desde o primeiro álbum do grupo, “The Aerosol Grey Machine”, o baterista dos Van Der Graaf Generator (VDGG). Anos mais tarde, gravou com Hammill um disco instrumental de música electrónica que passou despercebido. “Spur Of The Moment”. Em “The Unon Chapel Concert” retomaram ambos, ao vivo, essa colaboração, com a curiosidade de contarem com a participação de todos os músicos que, em diversas fases, passaram pelo grupo. É assim que, a par dos diversos duos e trios com Stuart Gordon e Manny Elias, chegamos ao momento culminante do disco: Peter Hammill, Guy Evans, Daviod Jackson e Hugh Banton, os quatro juntos, ou seja, a formação mítica dos VDGG, de “Pawn Hearts”, para tocarem um tema deste disco, “Lemmings”. Poderia ser um momento de magia, mas, como já dissemos, os mitos não se ressuscitam. Não são os VDGG mas apenas quatro homens a tentar puxar pela memória, buscando uma mística inalcansável. Custa ouvir Hammill entrar atrasado com a voz numa aglomerado sonoro em que os decibéis não disfarçam a pobreza de uma estrutura que reduziu a um casebre o que era uma catedral. O resto do disco, incluindo uma versão, tanbém simplificada, de “Red Shift” (do álbum de 1974 de Hammill, “The Silent Corner and the Empty Stage”), é interessante. Diálogos entre as percussões computorizadas de Evans com as “hammilltronics”, na guitarra, de Hammill, Banton a comprometer-se com um “Adagio for Strings”, de Samuel Barber (1910-1981), e Stuart Gordon perdendo-se no violino no tradicional irlandês “Women of Ireland”.
Quanto à discografia a solo de Peter Hammill, já se sabe, o homem é mais prolífero que um coelho. Também no seu caso o tempo fez estragos. O génio que marca toda a sua obra até “A Black Box”, incluindo o equivalente solitário de “Pawn Hearts”, a descida solitária aos infernos que é “In Camera”, cedeu à pura excentricidade, de alguém que, seja como for, teima em não se deixar prender nas malhas do sistema. “Sonix” não é o seu novo álbum, mas sim um capítulo semelhante a “Loops & Reels”, isto é, uma colecção de temas, quase todos instrumentais, que incluem a banda sonora de “Emmene-moi”, uma peça extensa (26 m, a única vocalizada), “Labyrinthine Dreams”, para bailado, e experiências com “loops” (Dark Matter”) ou com novas tecnologias de estúdio (“Four The Floor”). Entre os diálogos pungentes da guitarra com o violino de Stuart Gordon, a graça de programações que fazem um teclado tocar sozinho e alguns ruídos curiosos, fica, também aqui, como já referimos, não estejamos perante a sucessão “oficial” do excelente e anterior álbum da Hammill, “Xmy Heart”.
Acaba por ser o álbum do saxofonista David Jackson o mais inovador dos três. Jackson era camionista, antes de entrar para os VDGG. Com o desaparecimento destes, participou em diversos projectos, entre os quais “The Long Hello” (uma série de álbuns descomprometidos que podem levar a assinatura de qualquer dos antigos elementos do grupo), antes de se dedicar à terapia pelo som. É neste âmbito que surge “Fractal Bridge”, um trabalho de música electrónica que usa, em larga escala, o chamado “Soundbeam”, um sistema de sintetizadores interligados por MIDI cuja particularidade é poder ser accionado através de movimentos do corpo. Uma espécie de harpa de feixes electrónicos de múltiplas frequências suspensos e manipulados no ar. “The Amazing Invisible Elastic Keyboard In The Air”, como David Jackson lhe chama.
Cada faixa corresponde a uma especificidade do sistema, jogando na combinação entre um número diferente de “soundbeams” e nos diferentes comprimentos de cada um, pondo em prátic ao conceito de “ponte fractal” enunciado no título. Mas o que poderia soar como um catálogo de sons bizarros é contido dentro de uma esfera estritamente musical, funcionado o “Soundbeam” e as suas quase infinitas potencialidades como um parceiro dialogante para os saxofones e flautas de Jackson. Umas vezes próximo da serenidade “new age”, outras agitado pela fricção da interactividade com a máquina, “Fractal Bridge” (produzido e com a participação de Peter Hammill, como em “Wildman”, um concentrado louco de Urban Sax) constitui um objecto de algum fascínio, enquanto pesquisa de formas sonoras e estados psíquicos alterados.

Peter Hammill – Everyone You Hold

31.10.1997
Peter Hammill
Everyone You Hold (8)
Fie, distri. Megamúsica

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O homem ou é um santo ou um louco. Chegado aos 49 anos de idade e ao 39º álbum da sua discografia (incluindo toda a discografia com os Van Der Graaf Generator), Peter Hammill continua sem ceder a nada nem ninguém, na construção de uma das mais sólidas obras musicais e poéticas deste século. “Everyone You Hold” corresponde ao grupo dos álbuns intimistas deste compositor, poeta, arranjador, produtor, guitarrista, pianista e cantor, na linha de “Fireships”, mas o que nele impressiona é a frescura de composição e, acima de tudo, a nobreza do canto e o rigor iluminado da arquitectura. Não é um álbum de gritos e revolta, mas um catálogo detalhado de subtis mutações interiores, no qual Hammill coloca como quer uma voz de cambiantes cada vez mais ricos, ao serviço de uma verdadeira iniciação, onde a vida e a música se confundem num todo. Ainda e sempre num confronto heróico contra o tempo e as suas marcas ( a série de fotografias da capa é já, toda ela, um manifesto de exposição e de entrega), numa guerra sem quartel que, há muito, os deuses apadrinham. Instrumentalmente, predominam as guitarras corais, a electrónica acetinada, sábios pormenores de estúdio e uma rítmica que prima pela discrição. “Nothing Comes” recua aos tempos doridos de “Over”, com o violino de Stuart Gordon a raiar os limites da tragédia, mas esta é apenas uma das muitas lágrimas e sorrisos que fazem de “Everyone You Hold”, afinal, uma sublime declaração de amor. Os fiéis reconhecerão cada inflexão da voz, bebendo cada sílaba dos poemas e sentindo na pele as mesmas dores do artista. Os outros ainda estão a tempo de entrar no mundo, sem igual, de Peter Hammill.

10 Mais de 1997

26.12.1997
10 Mais de 1997

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LINK (Kreidler – “Weekend”)

Fuschimuschi Math-Ice – “Short Stories”
Negativland – “Idepsipe”
Steve Roach, Stephen Kent, Kenneth Newby – “Halcyon Days”
Peter Hammill – “Everyone You Hold”
Kreidler – “Weekend”
Legendary Pink Dots – “Hallway Of The Gods”
Art Zoyd – “Haxan”
Hans-Joachim Roedelius – “Sinfonia Contempora No. 1”
Paul Simon – “Songs from ‘The Capeman’”
La! Neu? – “Düsseldorf”