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Peter Hammill – Typical

11.06.1999
Peter Hammill
Typical (7)
2XCD Cooking Vinyl, distri. Megamúsica

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É o 1473º álbum a solo do antigo líder dos Van Der Graaf Generator, gravado ao vivo em várias cidades holandesas, alemãs e austríacas no ano de 1992. Em “Typical”, Hammill faz a demonstração prática do que mais se aproxima de uma apresentação padrão, mesmo se, como ele próprio explica, isso não exista de facto. Mas embora as canções mudem de espectáculo para espectáculo, permanece um fio invisível no modo como se vão desenrolando no palco os vários estados anímicos do cantor. Hammill escolheu este material a partir da audição de horas e horas de concertos seus, até chegar a um alinhamento que se poderá considerar arquetípico do seu ritual de catarse, ou seja, a sequência de canções deste duplo álbum, embora tiradas de ocasiões diferentes, obedece a uma lógica emocional que é a dos primeiros espectáculos. Ao piano e nas guitarras acústica e eléctrica, Hammill percorre toda a gama de estados emocionais, em canções que os seus admiradores incondicionais já devem conhecer de cor, como “My Room”, “Just Good Friends”, “Ophelia”, “Modern”, “Time for a Change”, “Stranger Still” ou “The Future Now”, ou uma curiosidade como “The Comet, The Course, The Tail”, da obra-prima de 1974, “In Camera”. A par da intensidade habitual que Hammill Empresta a cada uma das interpretações, “Typical” vale ainda pelo seu livrete, onde o cantor, num trabalho de auto-análise em todo idêntico ao de Fernando Pessoa, descreve detalhadamente as menores inflexões psíquicas e anímicas pelas quais vai passando ao longo de um concerto. Uma espécie de guia da sua alma.

Peter Hammill – None of the Above

09.06.2000
Peter Hammill
None of the Above (9/10)
Fie!, distri. Ananana

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Como convencer os mais novos ou os mais incrédulos da importância crucial de Peter Hammill na música popular produzida nos últimos 30 anos? Sua é uma história longa em que cada novo disco, do álbum de estreia dos Van Der Graaaf Generator, “The Aerosol Grey Machine”, de 1968, até este “None of the Above”, surge como um novo capítulo para acrescentar aos anteriores. História interminável, contada ao longo de uma discografia de várias dezenas de álbuns, praticamente sem pontos baixos, permanece disponível para que nela entremos desarmados de preconceitos e atentos ao que Hammill tem para dizer. Através da música e das palavras. “None of the Above” insere-se na linha dos álbuns intimistas como “Over” e “Fireships” mas através do discurso introspectivo – aqui alargado a uma dimensão cósmica – de sempre passa um gosto pela construção musical que atinge momentos de brilhantismo em temas como “Somebody bad enough”, “Like Veronica” e, sobretudo, no sinfonismo estelar de “In a bottle”. No interior do livrete, sucedem-se fotos de escadas, invariavelmente vistas de baixo, anunciando uma ascenção sempre incompleta. Mas do lado de fora, na contracapa, o cosmos abre-se sem fronteiras. Com as emoções à flor da pela, cada canção de “None of the Above” voa em liberdade ao encontro das constelações mais longínquas. Baladas da alma galáctica, chamem o que quiserem a mais esta folha sem mácula de um livro sem fim. “Life’s just got started when you find you can’t begin again”, canta Peter Hammill no tema final, “Astart”: “Every action, every passion / Forms a little chain reaction, every breath astart / Every moment, lost or stolen / Form’s the story, base or golden, every breath astart.” Para ouvir na solidão.