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Teardrop Explodes – “A Grande Explosão” (artigo de opinião)

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 11 ABRIL 1990 >> Videodiscos >> Pop


A GRANDE EXPLOSÃO

Os Teardrop Explodes gostariam de ter tocado no clube UFO, nos tempos áureos da Londres psicadélica. Julian Cope, o líder carismático da banda, compensa a falta, invertendo o processo, transportando a visão psicadélica para a atualidade e moldando-a a seu bel-prazer.
Resultado da associação de diversos músicos, provenientes de bandas obscuras e entroncando numa genealogia cujos antepassados próximos davam pelo nome de Crucial Three, The Mystery Girls, The Nova Mob e A Shallow Madness, os Teardrop nascem finalmente em Liverpool em 1978, em plena época de revivalismo psicadélico. A par dos Echo and the Bunnymen, erigiram-se como um dos pilares mais sólidos do movimento, construindo para si próprios um nicho à parte, no meio da voragem das modas e dos estilos. Com uma discografia reduzida – apenas três álbuns, sendo o mais recente já deste ano –, Julian Cope soube, de forma bem hábil, criar a imagem e o mito do mártir e lunático iluminado, que de vez em quando, e por desfastio grava a obra-prima da ordem.



Novos Psicadélicos

Depois de uma série de discos em formato pequeno, como o EP “Sleeping Gas” e os “singles” “Bouncing Babies” e “Treason (It’s Just a Story)”, gravam em 1980 o primeiro álbum de genérico, “Kilimanjaro”. O álbum alcança um êxito relativo nas tabelas de vendas, evidenciando todas as características e originalidade que viriam a explodir feericamente na obra seguinte, “Wilder” (1981), em que Cope faz jus ao epíteto de “génio”.
“Wilder” fica para a história da música popular como um manual de “Como recuperar um estilo antigo, captar a sua essência e apresentá-lo num contexto contemporâneo”. É evidente que tal tarefa só é possível se o autor tiver a capacidade extra de saber compor boas canções. Julian Cope não escreve boas mas, sim, ótimas canções. “Passionate Friend”, editada em “single”, é apenas uma das mais conhecidas, tendo em conta que o álbum fervilha de inspiração, sem um único ponto fraco. “Colours Fly Away”, “Seven Views of Jerusalem”, “Tiny Children”, “And the Fighting Takes Over…” ou “The Great Dominions” são exemplos brilhantes de um músico em estado de graça. O psicadelismo dos anos 80 encontrava em Julian Cope um papa à altura.
Um pouco à semelhança do que aconteceu com Syd Barrett e os Pink Floyd, Cope entra em avançado estado de paranoia, a que já não é estranho o consumo desregrado de drogas, já que as alucinações e o estatuto de visionário nem sempre se alcançam por obra e graça de uma vida saudável e equilibrada. Os Teardrop Explodes sofriam por tabela e encerravam para balanço.

Para Além da Santidade

Já melhorzito, Cope decide gravar discos a solo. “World Shut Your Mouth” (1984) inicia a série e manifesta os primeiros sintomas de uma megalomania entretanto declarada. O passo seguinte é “Fried”, gravado no mesmo ano e que marca o final das ligações contratuais com a Mercury, que suportara até então todas as atividades da banda.
“Saint Julian”, gravado em 1987 para a Island é o terceiro capítulo da ascensão de Cope à santidade. Ninguém acredita quando Julian diz que o título se refere apenas a uma conhecida marca de tabaco. Seja como for, pelo menos uma coisa Julian Cope não perdeu: o sentido de humor.
O golpe de teatro dá-se este ano, com a edição de um novo álbum dos Teardrop, por ironia intitulado “Everybody Wants to Shag the Teardrop Explodes”; contém material antigo, espalhado por outros discos, acrescentado de cinco originais. Cope envereda abertamente por uma via “funky”, já encetada aliás, embora de forma discreta, em obras anteriores. A peça-chave de “Everybody Wants to Shag…” é “The Terrorist”, mais experimental e ao nível das melhores ousadias da banda. No ar fica a questão de saber o que existe para além da santidade.

Vários – “A Rapariga Com Olhos De Caleidoscópio” (lsd / destaque | dossier)

cultura >> sexta-feira >> 16.04.1993
DESTAQUE


A Rapariga Com Olhos De Caleidoscópio

“Imagine-se no interior de um barco, num rio, entre árvores de tangerina e céus de marmelada.” É assim que começa a canção dos Beatles, “Lucy in the sky with diamonds”, LSD, se a reduzirmos às iniciais do título. É do lado solar, caleidoscópico, do psicadelismo e da experiência com o ácido que marcaram os sonhos da geração de 60. A “trip” chegou ao fim em 1969. Na espiral de violência desencadeada pelos anjos do inferno, em Altmont. A viagem do submarino amarelo terminava em tragédia. Os Rolling Stones tinham-se apropriado dos comandos.



“Lucy in the sky with diamonds” do monumento “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” fazia a apologia subliminar do ácido lisérgico, mais conhecido pela designação cabalística de LSD-25. Um filme de desenhos animados deu a conhecer, de forma bem mais explícita, a estrutura e lógica internas da viagem proporcionada pelo ácido – “Yellow Submarine”. O submarino amarelo, (o comprimido ou a minúscula “fita” que se engolia) veículo por excelência da viagem através das profundezas aquáticas, da água, que por sua vez é a imagem metafórica do Inconsciente. O filme de Richard Lester, protagonizado pelos bonecos animados dos “fabulous four” de Liverpool é a descrição ilustrada de uma (boa) viagem de LSD. Como o era, de resto, outra canção de “Sgt. Peppers”, “A Day in the life”, que remete para um “flashback” da mesma substância.
Mas se os Beatles personalizaram a “trip” em classe turística, os Rolling Stones não hesitaram em assumir o outro lado da viagem, a “bad trip”, descida aos infernos da mente, no álbum “Their Satanic Majesties Request”, reverso, não menos colorido, de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”.

A Grande Alucinação

Tudo começou na margem ocidental do Atlântico, na Califórnia, sob a jurisdição do guru e teórico do LSD, Timothy Leary e a influência das leituras do argonauta do Inconsciente colectivo (ultraconsciente, durante o “passeio”…), Carl Jung, e dos papas da antipsiquiatria, Ronald Young e David Cooper, ou dos poetas da “beat generation”, Jack Kerouac e Allen Ginsberg.
Grupos que então despontavam na área de São Francisco – Grateful Dead, Jefferson Airplane, Quicksilver Messenger Service, Youngbloods -, embarcaram na viagem do psicadelismo e inventaram um nome novo para o Rock, o “acid rock”. Movimento que, entre outras facetas, se caracterizava por uma concepção alargada do tempo. A regra dos três minutos que era quanto bastava a Presley para derreter os corações dos adolescentes de uma América ainda combalida do pós-guerra, foi trocada por longas “jam sessions” de trinta e tal minutos com solos intermináveis que exploravam ao máximo a panóplia de efeitos electrónicos que, em paralelo, foram sendo deenvolvidos pela indústria. Viajava-se por dentro do cérebro e pelo interior dos sons. Os longos solos carregados de “feedback”, “wah-wah”, “fuzz” e reverberações eram insuportáveis para os “straight” e o paraíso para os “freaks” que se deixavam ficar pela relva, entre flores, incenso e odor a “patchouli”, num dos muitos “free festivals” de “acid rock” que então se realizavam. Eram os “hippies”, tão coloridos quanto inofensivos.
Se a viagem implicava os seus perigos para quem ousasse empreendê-la, o poder – após o assassinato de Kennedy, nas mãos da administração de Lyndon Johnson – via nela um perigo de outra ordem, a subversão. A ameaça vinha de jovens malditos que tibveram a ousadia de trazer a experiência alucinogénica para um contexto político. Os verdadeiros arautos da revolução, fruto da nova tomada de consciência. Jim Morrison, Jimi Hendrix e Janis Joplin, enquanto não sobreveio a “overdose”, puseram com ferocidade o dedo nas chagas de uma nação mal sarada do pesadelo chamado Coreia e nessa época de novo perdida nas selvas asiáticas, desta feita no Vietname.
Durante o mítico festival de Woodstock, Country Joe McDonald perguntava a uma multidão de centenas de milhar de jovens “porque é que estamos a combater? Estou-me nas tintas, vamos parar com o Vietname” e Jimi Hendrix despedaçava o hino americano nas notas torturadas da sua Fender Stratocaster, em “Star spangled banner”. Jim Morrison tomava-se por um xamã portador de uma mensagem sobrenatural. Em “The End” proclamava o assassinato parental e o incesto. Janis Joplin gritava como um anjo possesso e deixava-se morrer. Ainda por cima, a esquizofrenia, dissera-o Laing, deixara de ser considerada uma doença, passando a ser sinónimo de diferença. O LSD-25 abria as portas, todas as portas, da percepção, mostrando de igual modo o rosto luminoso, nirvânico, e a máscara sombria, luciferina, da mente humana. No mesmo ano de Woodstock, no tristemente célebre Festival de Altamont, um grupo de “hell’s angels” assassinou uma rapariga durante a actuação dos Rollng Stones. O sonho “hippie” caiu por terra nesse momento.
A experiência do LSD foi sem dúvida importante na descoberta de novas estéticas e formas de enunciação da música “rock”. À pesquisa interior correspondeu a procura de sonoridades e exotismos de várias proveniências. O Oriente, como não podia deixar de ser, invadiu as cabeças abertas pelo ácido, trazendo consigo as suas “drones” indutoras de estados hipnóticos ou de transe e as suas escalas micro-tonais, mais facilmente perceptíveis debaixo do efeito das drogas alucinogénicas. Não havia um álbum de música psicadélica digna desse nome que não ostentasse na ficha técnica a referência a uma “sitar” indiana. O próprio Ravi Shankar dava lições aos Beatles e assinava em Woodstock uma actuação memorável. Fenómeno de universalização que, em paralelo, permitiu a emerg~encia, nos moldes da época, da corrente “folk” que de algum modo fez figura de acessório naturalista do psicadelismo. Os Byrds voavam “8 miles high”, a 8 milhas de altura.

Um Ácido No Chá

A resposta dos ingleses às visões lisérgicas foi dada de forma civilizada. Tomaram a pastilha de LSD mas, de preferência, à hora do chá. Fizeram-no com mais método e cuidado do que os seus vizinhos americanos. Por este motivo dispensaram-se de afixar uma lista de mártires e conseguiram melhores aplicações da substância, no campo musical.
O psicadelismo em Inglaterra foi liderado por duas bandas principais: Pink Floyd e Soft Machine. Nos segundos militou um “freak”, que por acaso era australiano, Daevid Allen, ao qual se deve, já no seio de outro grupo (os Gong) a criação da mitologia, menos acídula e mais alimentada a erva, dos “por head pixies”, onde se misturavam bules voadores, a filosofia oriental, retretes públicas e a cidade do centro do mundo, Shamballah.
Quanto aos Pink Floyd podem orgulhar-se de ter dado guarida ao maior consumidor de ácido de todos os tempos, Syd Barrett. Nos escassos anos em que conseguiu manter a cabeça à tona de água, Barrett assinou uma das obras-primas da música psicadélica, “The Piper at the Gates of Dawn”. Depois passou-se, começou a ver insectos, fez o circuito dos hospitais psiquiátricos e finalmente correu para debaixo das saias da mãe. O ácido tem destes efeitos secundários… Nunca há a certeza de se ter adquirido o bilhete de ida e volta.
Houve outra gente armada em viajante. Mais para se dar ares, sem arriscar a descida às profundidades, do que para forçar as portas da percepção de que falava Aldous Huxley. A descoberta do sintetizador, por Robert Moog, permitia todo o tipo de explorações musicais sem o recurso aos químicos. Os Moody Blues eram mais LSO (London Symphony Orchestra) que LSD. Os Hawkwind, influenciados pelo autor de ficção científica Micahel Moorcock, rabiscaram a “trip” electro-cósmica em “In Search of Space”, levada às últimas consequências no início da década de 70 pelos alemães planantes do “Cosmic Rock”: Tangerine Dream, Klaus Schulze, Ash Ra Tempel.
David Bowie, entre o retoque da maquilhagem e uma troca de bestido, homenageava Timothy Leary na faixa do mesmo nome incluída em “Hunky Dory”. Tina Turner encarnava uma “acid queen” na mixórdia “Tommy”, realizada por Ken Russell (mais tarde o mesmo realizador apresentaria a sua “trip” de pacotilha: “Altered States”). Há também quem veja na estrutura de “The Lamb Lies Down On Broadway”, dos Genesis, uma bem camuflada viagem de ácido (como o era, sem subterfúgios, o tema “Supper’s ready”, de Foxtrot”). Os Incredible String Band misturavam culturas e instrumentos do mundo numa síntese particular de psicadelismo “folk” de ressonâncias célticas.

Os Diamantes Não São Eternos

Os anos 70 assistiram a uma tentativa fugaz de recuperação da atitude e das sonoridades psicadélicas mas o movimento teve o sabor de revivalismo. Aproveitaram-se a boa música dos Echo & The Bunnymen e sobretudo a loucura, um pouco passadista, dos Teardrop Explodes e do seu líder Julian Cope que até hoje tem aguentado estoicamente e com bons resultados musicais uma dieta bem fornecida de ácidos.
O resto da Europa apanhou as vibrações remanescentes da contra-cultura “hippie” do LSD. Os franceses, bem ao seu estilo, intelectualizaram o que por essência pertencia ao domínio das pulsões. Cyrille Verdeaux escreveu em 1975 uma “Clearlight Symphony”, (Clearlight designa uma variante do LSD, como Purple haze ou Endopan…), de colaboração com alguns foragidos dos Gong. Pierre Henry trouxe a experiência psicadélica electro-acústica, ligando os eléctrodos de um aparelho concebido para o efeito à sua própria cabeça, de modo a traduzir directamente para som os impulsos nervosos do cérebro, em “Cortical Art III”. O resultado sonoro fez, na altura, temer pela sua sanidade mental. Em Portugal, os heroicos cultores da alucinação lisérgica contam-se pelos dedos. Tivemos os desatinos de Frodo, aliás Manuel Cardoso, nos exercícios Tantra de “Mistérios e Maravilhas” e Jorge Palma com “Uma Viagem na Palma da Mão”.
Mas a última palavra sobre os efeitos do LSD na criação artística talvez tenha sido proferida pelo músico e poeta inglês que ao longo de três décadas mais profundamente viajou pelos círculos concêntricos da individualidade – Peter Hammill. No tema “Chemical world”, do álbum “The Quiet Zone, the Pleasure Dome” cantava: “Procuras o Santo Graal, mas não o vais encontrar no mundo químico. Desde o momento em que os acolhes, os diamantes transformam-se em imitações. Há-de explodir tudo na tua cara. É só o tempo, tão lento a passar. É só a droga, não vai durar.” Os mesmos diamantes de Lucy, “a rapariga com os olhos de caleidoscópio”.

Vários – “Tendências 1992 – Novos Progressivos” (artigo de opinião)

Pop Rock >> Quarta-Feira, 30.12.1992


TENDÊNCIAS 1992
NOVOS PROGRESSIVOS


Sobretudo na música popular, nada se perde e tudo se transforma. A pop não evolui de forma linear. Olha para trás, tenta aprender, modificar ou contrariar as lições do passado, mas o ciclo é vivioso e a moda dos revivalismos uma constante. Os anos 70 e a música progressiva voltaram à ribalta e novos nomes recuperam uma tradição que muitos davam por perdida. A pop, na idade adulta.



É um problema de idade. Cultura juvenil por excelência, a indústria cuida em primeiro lugar de fornecer alimento ao gosto adolescente que, não ofende dizê-lo, nem sempre é o mais sofisticado. Nunca há tempo para uma evolução genuína. Os músicos, passados alguns anos, são geralmente considerados “velhos” pelos “media” obcecados com o estigma “é jovem, é bom” e acusados de traírem o ideal “rebelde” do primeiro álbum.
Resta-lhes passar à clandestinidade, repetir fórmulas gastas até à senilidade ou, o que é mais comum, abandonarem o circo. Claro, os que não abdicam da evolução marimbam-se para a pop. Passam a integrar o lote dos “esquisitos”. A crítica e as grandes companhias de discos condescendem ou não com o “desvio”, consoante as simpatias, as flutuações das modas e os índices de vendas.
Em suma, a música pop não pode crescer. Faz parte da sua natureza a eterna juventude. A renovação das camadas de público mais jovem garante o funcionamento da engrenagem. Trem sido assim até agora. Mas uma série de factores recentes parecem querer alterar o rumo dos acontecimentos. À média etária da população mundial que não para de aumentar junta-se a implantação de novos formatos digitais, cuja principal consequência é o reajustamento da indústria, que passa a ater nos consumidores mais velhos os interlocutores privilegiados.
Vem toda esta teoria a propósito da explosão e renovado interesse pelos anos 70 e pela música “progressiva” em geral, liberta dos anátemas que sobre ela foram lançados num passado recente, só perdoáveis pela ignorância e tenra idade de quem nunca ouvira falar e aó agora começa a descobrir grupos como Faust, Henry Cow, Hatfield and the North, Magma, Van Der Graaf Generator, Gentle Giant, Univers Zero, Gong, Gilgamesh, Can, Soft Machine, Caravan, Matching Mole, Ashra, Richard Pinhas, Residents, National Health, Incredible String Band e tantos outros, dezenas de outros que a tal juventude e a falta de curiosidade (e de gosto. Havia jovens adolescentes que já então se preocupavam em investigar para além dos “tops”…) impediam de apreciar.
Hoje Julian Cope exibe “T-shirts” dos Faust e faz a apologia deste grupo germânico, pioneiro de quase tudo o que de mais inovador se faz na actualidade. Descobre-se o “cosmic rock”, o “kraut rock”, mistura-se tudo, o deslumbramento é total. Descobrem-se pérolas escondidas que a vaga de reedições em compacto de nomes importantes da década de 70 permite desfrutar sem os inconvenientes do ruído.
Discografias inteiras surgem recuperadas nos escaparates: Henry Cow, Magma, Faust, Residents. Editoras e distribuidoras saídas do ventre fértil da Recommended saem do anonimato e rivalizam no desenterramento de raridades – Cunneiform, Rec Rec, Auf Dem Nil, Review, No Man’s Land, Ayaa. Grupos da nova geração e diversas latitudes planetárias recuperam o legado da “progressiva” (pondo de lado a famigerada tendência do “rock sinfónico” que tantos equívocos provocou) e permitem acreditar que a música popular pode crescer e evoluir para além do rock e da facilidade: No Secrets in the Family, Daniel Schell & Karo, Double-X-Project, Expander des Fortscritts, Legendary Pink Dots, J. Lachen, Lars Hollmer, Lars Pedersen, Luciano Margorani, Miriodor, Motor Totemist Guild, Nimal, Non Credo, Nurse With Wound, Thinking Plague, 5 Uu’s, Der Plan, Wondeur Brass, Die Vogel Europas, Zero Pop… A crise de crescimento parece superada.

Discografia
Birdsongs of the Mesozoic “Pyroclastics”
Julian Cope “Jeovahkill”
Legendary Pink Dots “Shadow Weaver”
No Secrets in the Family “Kleinzeit”
Die Vügel Europas “Best Before”