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Yes – “Não Mas Sim” (televisão)

PÚBLICO SÁBADO, 28 JULHO 1990 >> Local

RTP


Não mas sim

PARA SEREM os Yes falta Chris Squire. Foi ele quem fez birra e impediu que os outros utilizassem a designação a que moralmente têm direito. Mas legalmente o antigo baixista disse-lhes não. Assim, passaram de três para 27 letras. Anderson é Jon, o vocalista de voz angelical que se dedica a inventar mundos de fábula. “Olias of Sunhillow” conta a história de três civilizações perdidas nos confins da imaginação e de viagens por espaços distantes. Com Vangelis, cantou mitos do cinema em “The Friends of Mr. Cairo”. Wakeman é Rick, das seis mulheres de Henrique VIII, do rei Artur e da viagem ao centro da Terra. Toca teclados como se lançasse fogo de artifício. Brufford é William, Bill para os amigos. Fez parte de grandes bandas, a maior das quais os King Crimson, de Robert Fripp. De vez em quando apetece-lhe jazz. Os Earthworks são o fruto mais saboroso desse amor. Howe é Steve, o enorme guitarrista. Escutem-se os seus solos em “Relayer” e perceber-se-á porquê. Juntos gravaram um álbum que é tão bom como os melhores dos Yes. Lutam contra o tempo. Jon Anderson continua a sonhar.
Canal 1, às 13h10

Steve Hackett – “Genesis Revisited” + Yes – “Open Your Eyes”

Sons

16 de Janeiro 1998
DISCOS – POP ROCK


Steve Hackett
Genesis Revisited (7)
Reef, import. Planeta Rock

Yes
Open your Eyes (7)
Eagle, import. Planeta Rock


sh

yes

Steve Hackett, guitarrista da época de ouro dos Genesis, resolveu passar revista a algumas das canções da sua antiga banda, convocando para tal um grupo de amigos conotados com o progressivo, como John Wetton, Ian McDonald e Paul Carrack, além de Colin Blunstone, que nos anos 60 fizera parte dos Zombies. “Watcher of the skies”, “Firth of fifth”, “I know what I like”, “Fountain of Salmacis” e “For absent friends” são algumas das canções dos Genesis que a guitarra e as orquestrações de Hackett transformaram, com sucesso, em matéria de recriação. Quanto aos Yes, depois de dois duplos álbuns com material ao vivo e novos originais de estúdio, regressaram ao que sempre foram, assumindo o seu lado sinfónico, agora mais do que nunca como suporte das vocalizações, cada vez mais espirituais e ecológicas, de Jon Anderson. Com os velhos companheiros Steve Howe, Chris Squire e Alan White, e o novo teclista Billy Sherwood. O tema de abertura, “New state of mind”, sintetiza a alegria recuperada pelo grupo, cuja música pareceu ter ganho uma nova frescura e um apelo mais pop do que nunca (não faltam em “Open your Eyes” canções para assobiar…), numa altura em que deixou de ser vergonha ter colaborado nos excessos visionários dos anos 70.



Yes – “Talk”

Pop Rock

27 ABRIL 1994
ÁLBUNS POP ROCK

Yes
Talk

Victory, distri. Polygram


yes

Sim, os Yes já foram um grupo importante, por volta, deixem cá lembrar-me, de meados da década de 70. Hoje são uma caricatura do que foram, mas parecem não dar por nada. Jon Anderson, o vocalista da voz angelical, prossegue imperturbável a sua caminhada em direcção ao céu. “Higher and higher”, como ele continua a escrever nas letras das canções. Seguem com ele outros dois companheiros dos primeiros tempos, Chris Squire, no baixo, e Tony Kaye, no órgão Hammond (outro anacronismo), de regresso após a interrupção de Rick Wakeman. Os outros são Alan White, baterista também já velhote, e Trevor Rabin, um dos Buggles que se deu bem com o “rock sinfónico” e pelos Yes se ficou, na guitarra e teclados.
Não se pode dizer que “Talk” seja um mau disco. É sobretudo um disco inútil. Dá ideia que os Yes andaram a ouvir toda a anterior discografia, recolheram os elementos típicos de uma música que resultou em obras incontornáveis dos anos 70 (“Close to the Edge”, “Tales from Topographic Oceans”, “Relayer”, por acaso os das famosas capas de Roger Dean), juntaram tudo numa misturadora e despejaram o resultado no disco. Ou seja, “Talk” apresenta o som característico dos Yes, mas comos e fosse o menor múltiplo comum. Uma média matemática destituída da vida que animava aqueles álbuns. Falta-lhe o fôlego das boas canções – mesmo assim “Real love” e “Walls” são capazes de pegar nas estações FM americanas – e, no capítulo instrumental, sente-se a falta de um grande guitarrista chamado Steve Howe.
A faceta mais cósmico-lamechas de Anderson, que lhe foi incutida por Vangelis, aparece em “Where will you be”, e os quinze minutos de “Endless dream” chegam para fazer as delícias dos nostálgicos da música progressiva. Com um novo e colorido logotipo e Anderson a não dar mostras de querer parar nos tempos mais próximos, somos capazes de ter Yes para mais uns 20 anos. Yes? Não! (4)