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Janita Salomé – “‘Melro’ volta A Cantar”

pop rock >> quarta-feira, 17.11.1993


“MELRO” VOLTA A CANTAR



“Melro”, estreia discográfica do cantor Janita Salomé, acaba de ser reeditado em CD pela Movieplay, selo que detém actualmente grande parte do reportório antigo de artistas importantes da música popular portuguesa. A notícia apanhou desprevenido o próprio Janita Salomé, que, espantado, afirmou ter sabido do sucedido apenas pela informação do PÚBLICO. “Não tinha conhecimento de nada”, confessou o intérprete de “Cantar ao Sol” que, para já, não se sente prejudicado: “É evidente que tenho todas as vantagens em ver esse disco reeditado”, embora deixando logo de seguida as reticências: “Não sei bem quais são as implicações jurídicas, se é que as há, disto tudo. A verdade é que este disco foi gravado para a Orfeu, a editora de Arnaldo Trindade, em 1980. Nessa altura gravavam também para essa editora o Zeca, o Adriano Correia de Oliveira, o Vitorino, pronto, e eu fui para lá pela mão do Zeca e do Vitorino, e gravei o disco. Firmei um contrato com a Orfeu, tendo-me sido pagas à cabeça ‘royalties’ no valor de 50 contos. Ficou tudo por aí.” Por enquanto, Janita Salomé não sabe se terá direito a receber mais algum dinheiro pela reedição do seu disco. Sobre este e outros pontos quentes, como seja por exemplo o de saber “se haverá o direito de publicar o disco na editora Movieplay”, afirma que se “vai informar”. Deixando de fora as implicações legais que a questão pode ter, porém, o cantor não hesita em considerar benéfica para a sua carreira a reedição súbita de “Melro”, até porque, como diz, “não grava a solo há algum tempo”. E enquanto aguarda, como dizem na televisão, por “novos desenvolvimentos”, Janita, concentrando embora toda a sua energia no próximo disco, que será duplo, dos Lua Extravagante, lá vai dizendo que “é sempre positiva a agitação do nome do indivíduo”. Quanto ao resto, logo se verá. “Antes de levantar ondas, vou falar com os responsáveis da Movieplay.”

Luís Represas – “Represas”

pop rock >> quarta-feira, 17.11.1993


Luís Represas
Represas
Edição EMI – VC



Que Luís Represas tem boa voz está fora de questão. O problema, agora que os Trovante se acabaram, é: que fazer com esta voz? Porque, por mais que Represas vá para Cuba e toque com músicos cubanos, como aconteceu nesta sua estreia discográfica a solo, o que ouvimos é sempre a voz dos Trovante e canções que poderiam pertencer aos Trovante. Represas não tem culpa. Tem a voz que tem e escolheu as canções que lhe assentam melhor. Mas, que diabo, o que poderia ser o início de uma nova aventura e o cortar de amarras definitivo com o passado fica-se por uma prestação morna e pela segurança de arranjos que não arriscam um centímetro. Está certo, Pablo Milanés canta num dos temas (“Feiticeira”) e, lá está, os escassos segundos em que tal acontece chegam para emprestar à canção uma aura de diferença e excitação. Mas o resto poderia ter sido tocado e gravado na Islândia ou na Cochichina que ninguém dava por isso. Nenhum tema se destaca dos outros o que significa que nenhum é melhor ou pior do que os outros. São na totalidade medianamente agradáveis, a produção e execução instrumentais são imaculados, Luís Represas, repete-se, canta bem com uma perna às costas. E fica-se à espera doq eu não vem. Mesmo assim, vamos lá destacar a força de “Olhos” e “Guaganco y fado”, único tema em que, na primeira parte, é visível a influência sul-americana, um “Fora de Tempo” sepulcral e “A vez mais próxima do fim” em que Luís Represas canta como Rui Veloso um tema que poderia ter sido escrito por Fausto. É caso para dizer que o excesso de represas refreou em demasia o caudal. (5)

Eugénia Melo E Castro – “Lisboa Dentro De Mim – O Sentimento De Um Ocidental”

pop rock >> quarta-feira, 17.11.1993


Eugénia Melo E Castro
Lisboa Dentro De Mim – O Sentimento De Um Ocidental
2xCD, BMG, distri. BMG



Continua a ser verdade que o verdadeiro artista é o artista que se esforça. Em “Lisboa dentro de Mim” o esforço é notório. O disco faz tudo para agradar e não deixa nada ao acaso. A capa é belíssima. Entre os autores dos textos, contam-se António Botto, Fernando Pessoa, Cesário Verde e Luís de Camões. A lista de músicos é de luxo: Wagner Tiso, piano, Yuri Daniel, baixo, Pedro Caldeira Cabral, guitarra portuguesa, Carlos Zíngaro, violino, Mário Laginha, piano, António Pinho Vargas, piano, e Márcio Montarroyos, trompete e “flügelhorn”, qualquer deles com notáveis desempenhos nos respectivos instrumentos. Depois há o “Fado Lisboa”, um excerto de “Lisboa antiga”, “Saudades, no Tejo”, suspira-se por D. Sebastião e até se explica, com profusão de detalhes, a origem etimológica da palavra “Lisboa”. Sem esquecer um segundo CD que tem por título um trocadilho giro – “O acidente de um sentimental” – com as canções, “Não sei dançar” e as muito “in”, “The laziest girl in town” e “Maldita cocaína”. Bravo! Ah, sim, as vocalizações estão a cargo de Eugénia Melo e Castro (Geninha). No Brasil, adoram-na. Passem-me o sal e a pimenta, por favor. (4)