Arquivo da Categoria: Críticas 1991

Kirsty MacColl – “Electric Landlady”

Pop-Rock Quarta-Feira, 24.07.1991


KIRSTY MACCOLL
Electric Landlady
LP/CD, Virgin, distri. Edisom



O nome da menina impõe respeito. Kirsty é nada mais nada menos que a filha de um nome lendário da folk escocesa, Ewan MacColl, casada ainda por cima com Mr. Steve Lillywhite. Kirsty procurou fazer um álbum eclético, mas espalhou-se ao comprido. Recorre a um leque alargado de músicos convidados – que inclui os Pogues (com quem já havia trabalhado em dois temas de “Red, hot and blue”), Johnny Marr (ex-Smiths, actual Electronic), Mark E. Nevin (ex-Fairground Attraction) e Terry Woods (da formação original dos Steeleye Span), entre outros – e a estilos tão diversificados como o “samba jazz” de “My affair” e “The hardest word”, o exotismo terceiro-mundista de “Children of the revolution” ou as reminiscências célticas de “The one and only”, mas “Electric Landlady” não consegue ultrapassar o estatuto de “disco engraçado de artista à procura de consagração”. Um caso típico de ausência de projecto consistente.
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Tony – Banks – “Still”

Pop-Rock Quarta-Feira, 03.07.1991


Tony Banks
Still
LP / MC / CD, Virgin, distri. Edisom


Ainda por cá, Tony? Para quem não sabe, Tony Banks é o teclista dos Genesis, banda outrora importante, transformada, a partir do momento em que Phil Collins tomou conta das operações, num placebo grotesco, destinado aos consumidores das massas viciadas no “som FM”. “Still” é o vazio, a ausência completa de ideias, de originalidade, de um estilo próprio, de música, enfim. Como quase sempre acontecve nestes casos de degenerescência avançada, procura-se tapar o buraco recorrendo à utilização maciça de massa (pouco) consistente, feita de músicos convidados, escolhidos mais ou menos ao acaso. Em “Still” calhou aos vocalistas Nik Kershaw, Andy Taylor e Fish, o homem que gostaria de ter nascido Peter Gabriel, tentarem fazer passar por canções meros arranjos de estúdio. Uma referência final, elogiosa, para a vocalista feminina Jayney Klimek, que, levando em consideração a fotografia inclusa, desde já aconselhamos vivamente a trocar a música pelo cinema ou por uma carreira de modelo. Quanto ao resto, “Still” não existe.
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Beach Boys (The) – “Collection” (reedições | compilação)

Pop-Rock, Quarta-Feira, 03.07.1991
Reedições


THE BEACH BOYS
Collection
LP duplo / CD, Capitol, ed. EMI – Valentim de Carvalho



Na prática a única diferença entre a colectânea agora editada e a do ano passado, “Summer Dreams”, é o rótulo de “anunciado na TV” que aquela ostenta, orgulhosa, na capa e o corte de algumas canções de carácter mais intimista. De resto é a lista de clássicos do costume, as notas (breves) em português e a embalagem saloia a puxar idas à Caparica, de “tijolo” às costas. Onde “Summer Dreams” procurava inserir-se num contexto nostálgico, de Verões perenes, passados ao sol de uma época e de uma Califórnia míticas, destacando a faceta de compositor genial de Brian Wilson, “Collection” vai mais pelo lado “gelado de limão”, procurando impor a imagem duns Beach Boys adeptos de uma filosofia de vida simplista, que compunham melodias facilmente trauteáveis, ideais como acompanhamento para os prazeres do “surf” ou de “flirts” de ocasião.

Não seria possível, por uma vez, trocar a jogada oportunista dos “hits” pela edição dos discos originais? Dito isto, as canções aqui colecionadas, quase todas tornadas “clássicos”, permanecem intocáveis. Daí a classificação atribuída.
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