Arquivo da Categoria: Rock Psicadélico

The Lothars – “Meet the Lothars”

Sons

10 de Setembro 1999
POP ROCK


The Lothars
Meet the Lothars (6)
Camera Obscura, distri. Matéria Prima/Ananana


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Os Lothars representam o lado mais artesanal e, por vezes, fascinante, do pós-rock. Armados os três de “theremins” (aparelho electrónico anterior aos sintetizadores, popularizado por “Good vibrations”, dos Beach Boys, e actualmente de novo em voga), Kris Thompson, Jon Bernhardt e Brendan Quinn, juntamente com a guitarra de Ramona Herboldsheimer, desenham um “space-rock” “kitsch”, algures entre os Laika e a mecânica sem rodas dentadas dos Stars of the Lid. A fórmula repete-se de faixa para faixa: uma guitarra eléctrica dormente e sem grandes pretensões melódicas arrasta-se sobre a massa de efeitos criados pelo conjunto de “theremins”, sem dúvida, as estrelas da companhia que, na maior parte do tempo, se entretém a fazer o tipo de glissandos cósmicos que os Hawkwind produziam com os seus osciladores, há quase 30 anos, em álbuns como “In Search of Space”. Mas há um lado apelativo nesta música instrumental que parece derreter-se no próprio instante em que nasce, sugada pelo buraco negro da obsessão pelo arcaísmo dos “theremins”: uma estranheza que, num tema como “The cat & the mean old man”, lembra as disformidades pop dos Pere Ubu, para em “Trem, as well” se perder definitivamente nas trevas do espaço exterior, enquanto o violino de Brendan Quinn empresta a “The coronation of king Lothar” um tom velvetiano. Mas faltam astros à galáxia inóspita dos Lothars. Mesmo assim, os interessados podem encomendar, via Internet, “t-shirts” e miniaturas em barro de “theremins” confeccionados pelo grupo.



The Red Krayola – “Fingerpainting”

Sons

24 de Setembro 1999
DISCOS – POP ROCK


The Red Krayola
Fingerpainting (8)
Drag City, distri. MVM


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No início, nos anos 60, em pleno Psicadelismo, os então The Red Crayola, com “c”, desde sempre o projecto do guitarrista Mayo Thompson, eram uma das muitas bandas de “freak out” (leia-se desbunda induzida pelo ácido) que então proliferavam. Data dessa altura o álbum de estreia, “The Parable of Arable Land”, ilustrativo dessa estética, digamos, “free”. Na primeira de muitas reciclagens, já no final dos anos 70, uma episódica junção com os Pere Ubu resultou no álbum “Soldier Talk”, equivalente “garage” do som da banda de David Thomas. Após uma série de álbuns que poderíamos designar por “restos podres do psicadelismo”, os The Red Krayola emergiram nos anos 90 com a máscara do pós-rock, em “Hazel”, um álbum celebratório que reunia um número razoável de luminárias do movimento, de Jim O’Rourke a John McEntire. Mas Mayo Thompson não é homem para facilitar e “Fingerpainting” atira de novo os Red Krayola para o caixote das inanidades, através da repescagem de temas compostos na época de “The Parable of Arable Land”, mas agora filtrados pela electrónica e pelos mandamentos do pós-rock, sem que tal signifique, porém, qualquer tipo de reconhecimento, a não ser o das semelhanças evidentes entre as vozes de Thompson e David Thomas. “Fingerpainting” soa, assim, como uma colagem anárquica de sons sintetizados, “tapes” saturadas de todo o tipo de ruídos e uma rudeza que em “Hazel” parecia ter retrocedido. Durante parte dos 15 m do tema final, Thompson passa o tempo a balir como um carneiro antes de ir para o matadouro – Faust mais cacofonia mais romantismo perdido – e torna-se perigoso demorarmo-nos por lá.



Fred Frith Guitar Quartet – “Upbeat”

Sons

15 de Outubro 1999
DISCOS – POP ROCK


Fred Frith Guitar Quartet
Upbeat (7)
Ambiances Magnétiques, distri. AudEO


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Um pouco como fez Robert Fripp com a sua League of Gentlemen, também Fred Frith reuniu o seu próprio “ensemble” de guitarras, com a diferença de que, enquanto o guitarrista dos King Crimson distribuiu tarefas por alguns dos seus alunos, o antigo guitarrista dos Henry Cow chamou para seu lado três instrumentistas de créditos firmados: René Lussier (ex-Conventum), Nick Didkovsky (Doctor Nerve) e Mark Stewart. “Upbeat” é uma demonstração feliz do que pode ser feito com uma guitarra eléctrica, a solo – cada um dos músicos teve uma faixa à disposição – ou em trabalho colectivo. Experiências com “drones”, fragmentações harmónicas e tímbricas, desmultiplicações rítmicas, exploração de sonoridades e técnicas de execução pouco ortodoxas, ao estilo da série “Guitar Solos” organizada há anos pelo próprio Frith, criam momentos de interesse e intensidade variada, no que constitui um objecto prioritariamente dirigido aos adeptos da guitarra. Para Fred Frith, pólo aglutinado deste “ensemble” de virtuosos nada académicos, “Upbeat” serve ainda como pretexto para o humor que sempre o caracterizou (dos Henry Cow a álbuns deliciosos como “Cheap at Half the Price” ou “Live, Love, Larf and Loaf”), mas que tem andado algo arredado da sua discografia “de câmara” mais recente. Rock ‘n’ roll, ragtime e outros anacronismos contrastam com momentos mais duros numa arrumação por títulos na prateleira dos advérbios: “stinky”, “spitty”, “squinty”, “speedy”, “feety”, “slinky”, “skinny”, “sinky”…