Arquivo da Categoria: Progressivo

Tangerine Dream – “The Story Of Tangerine Dream”

Pop Rock

14 JULHO 1993
REEDIÇÕES

Tangerine Dream
The Story of Tangerine Dream

2xCD Jive, distri. BMG


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Contar em dois discos uma história que ronda os 30 capítulos, correspondentes a outros tantos álbuns, é tarefa ingrata. A solução seria seleccionar as melhores fases da banda, o que nem teria sido difícil, porque os Tangerine Dream “desapareceram” a partir do álbum “Stratosfear”. Em vez disso, a colectânea junta o impensável: discos da década de 80, como “Green Desert”, “Le Parc” e “Underwater Sunlight”, em que os Dream eram já uma sombra de si próprios, a um tema de “Atem”, “Wahn”, de 1973, e outro do álbum-estreia, “Electronic Meditation”, “Journey through a burning brain”, de 1969. Ou seja, meteu-se no mesmo saco o que não passava já de um pacote de “disco” espacial dos anos 70, um tema “Wahn”, em que o grupo alemão copiava as sonoridades de “Ummagumma”, dos Pink Floyd, e, do primeiro álbum, 18 minutos de experimentação com sons concretos que pouco tinham a ver com a estética futura seguida pelo grupo. De fora, como já vai sendo hábito, ficou o melhor: o duplo “Zeit” e os dois álbuns que arrancaram do ponto onde os Floyd tinham ficado: “Phaedra” e “Rubycon”. Uma história mal contada e outra que ficou por contar. (5)

CD1
CD2



John Mayall – “London Blues, 1964-1969”

Pop Rock

28 JULHO 1993
BLUES

“BLUES” PROGRESSIVOS

JOHN MAYALL
London Blues, 1964-1969

2xCD, Decca, distri. Polygram


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Durante os anos 60 o “rhythm ‘n’ blues” reinou na Grã-Bretanha até que a vaga “progressiva” veio ocupar o seu lugar. Os “blues” brancos atingiram igualmente o apogeu, sendo o género praticado pela maioria das bandas britânicas da época, enveredando gradualmente parte delas pela “progressive music”, na passagem para a década seguinte. John Mayall, um caso sério de fidelidade aos “blues”, ao ponto de continuar a dedicar-se a este género musical no álbum novo já deste ano, “Wake up call”, foi um dos principais cultores do movimento. Influenciado por Josh White e pelo grande Big Bill Broonzy, Mayall tocou com Alexis Korner, um dos gurus dos “bluesmen” ingleses, formando mais tarde os Blues Syndicate e posteriormente os Blues Breakers, banda que ainda hoje o acompanha.
“London blues”, abrangendo o seu melhor período, é um festival de “feeling” e de proezas guitarrísticas assinadas não só por si como pelas futuras estrelas Eric Clapton, Mick Taylor e Peter Green, este prematuramente desaparecido, membro da formação inicial dos Fleetwood Mac, ao lado de John McVie e Mick Fleetwood, também participantes no disco. Outros nomes importantes aqui presentes incluem John Almond e Jon Mark (que viriam a constituir a formação de “blues progressivo” Mark-Almond), Paul Butterfield e Dick Heckstall-Smith, da banda de jazzrock If. Na bateria figuram Aynsley Dunbar (tocou com Frank Zappa), Keef Hartley e Jon Hiseman, líderes respectivos das bandas de “blues progressivo” Aynsley Dunbar Rataliation, Keef Hartley Band e Colosseum. Chris Mercer, Alan Skidmore e Henry Lowther, nomes-chave da cena de novo jazz britânico que então também despontava, participam igualmente nestas gravações, extraídas, entre outros, dos álbuns “Bluesbreakers with Eric Clapton”, “A Hard Road”, “Raw Blues”, “The Blues Alone”, “Bare Wires” e “Blues from Laurel Canyon”, bem como lados A e B de singles. Um bom complemento para a caixa recentemente editada dos Canned Heat. (8)

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John Cale – “Fear”

Pop Rock

14 JULHO 1993
REEDIÇÕES

John Cale
Fear

CD Island, distri. BMG


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A capa mostra um “close-up” do rosto de John Cale a preto e branco. Os olhos fitam-nos de frente. Noite e gelo. O medo. “Fear” é um dos melhores álbuns de Cale, apenas alguns furos abaixo dos magistrais “Honi Soit” e “Music for A New Society”. Editado no mesmo ano que “June 1, 1974”, mítica reunião ao vivo do ex-Velvet Underground (não vamos levar muito a sério a actual reformação do grupo) com Kevin Ayers, Brian Eno e Nico, “Fear” tem de comum com aquele a sonoridade abrasiva que, em parte, resultou da presença nos dois discos da guitarra de Phil Manzanera. Eno é outra das presenças determinantes no som geral de “Fear”, nos arranjos mais ambientais de “Emily”, “The man who couldn’t afford to orgy”, e “You know more than I know”. Compositor irregular, alternando o genial com o vulgar, Cale estava nesta altura em grande forma, agressivo e incisivo na guitarra, despindo as luvas de boxe ao piano, fazendo passar da melhor maneira o habitual pendor literário dos seus textos. O “medo é o melhor amigo do homem”, cantava ele no tema de abertura. John Cale soube tirar o melhor partido de tão perigosa amizade. (8)

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