Arquivo da Categoria: Neo-Prog

Marillion – “Brave”

Pop Rock

16 FEVEREIRO 1994
NOVOS LANÇAMENTOS POP-ROCK

Marillion
Brave

EMI, distri. EMI – VC


mar

Com Fish, os Marillion passavam como uma imitação barata e exagerada dos Genesis antes de Peter Gabriel sair. Sem Fish, aconteceu aos Marillion o mesmo que aos Genesis quando Phil Collins substituiu Gabriel na banda. Perderam a sua voz de comando. Por muitos defeitos que Fish pudesse ter, não se pode negar que era um bom artista de circo. Histriónico, dava piruetas vocais sem se estatelar e as capas que desenhava eram bastante boas para entreter o cérebro e os olhos durante uma “trip” de LSD, na variante ácido nostálgico.
Agora, os Marillion gostam de mostrar que estão melhores tecnicamente – e estão, de facto, embora ajudados por uma boa produção – e que Fish não fazia falta nenhuma. Nunca venderam tanto como agora e a MTV já lhes pegou num tema, “The great escape”, salvo erro. O fantasma progressivo ainda não se esfumou e os seus lúgubres gemidos espalham-se por uma “suite” dividida em cinco partes, “Goodbye to all that” (nos anos 70, era de bom tom dividir os temas em muitos subtítulos, por causa da sua extrema complexidade). “Runaway” e “Made again” são canções engraçadas, dentro do estilo Genesis suave, na primeira com uma boa imitação do órgão electrónico de Tony Banks, por Mark Kelly. O resto é mais Supertramp e Camel (“Wave”) e, custa admiti-lo, tem uns minutos realmente belos quando as “uillean pipes” do convidado Tony Hallagan cantam por cima de um fundo de teclas aquático à maneira dos Pink Floyd de “Meddle”, no título-tema.
Darryl Way, ex-Curved Air e Wolf, assina os arranjos orquestrais de “Falling from the moon”. Não é caso para se gritar “bravo!” nem os Marillion tiveram a bravura de se aventurarem além das regiões conhecidas. Mas também não ofende. (5)

aqui



Marillion – “Holidays In Eden”

Pop Rock

 

10 JULHO 1991

 

MARILLION

Holidays in Eden

LP/MC/CD, EMI, distri. EMI-VC

marillion

Era costume dizer-se mal dos Marillion por causa da excessiva semelhança (havia quem falasse mesmo em cópia) com os Genesis. Fish, o antigo vocalista, então parecia completamente possuído, de tal maneira procurava imitar os requebros da voz, o estilo de composição, os esgares faciais e até o vestuário de Peter Gabriel. Insensível a tudo isso, a geração mais nova, que nunca ouvira falar dos Genesis, aderiu ao psicadelismo de pacotilha dos “discípulos”, transformando cada um dos seus álbuns em êxito de vendas.

Mas Fish abandonou os Marillion e a piada que tinha detectar as diferenças entre os origiais “Nursery Cryme” ou “Foxtrot” e as cópias “Script for a Jester’s Tears” ou “Fugazi” desapareceu completamente. O novo vocalista, Steve Hogarth, não imita ninguém e é uma pena. As canções também já não se parecem tanto com as dos Genesis, antes descambam perigosamente para um rock FM residualmente sinfónico. De onde se conclui ser preferível uma boa cópia a um mau original. **

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After Dinner – “Paradise Of Replica”

BLITZ

20.2.90
ESCAPARATE

AFTER DINNER

«PARADISE OF REPLICA»

afterdiner

Requinte. Delicadeza. Minúcia. Típicos requisitos da Alma japonesa presentes na música dos After Dinner mas que não chegam para completamente a caracterizar.
Depois de um primeiro álbum editado pela Recommended regressam muito depois do jantar com novo disco, desde já um clássico na minha imodesta opinião.
O som After Dinner é tecido em filigrana, em padrões milimétricos e nunca repetidos. Tudo fervilha e constantemente muda, segundo a segundo, num picotado de luz, traçando o desenho, num picotado de luz, traçando o desenho de uma catedral. Nunca, como aqui, a electricidade, os instrumentos tradicionais nipónicos e os das música de câmara europeia se tinham casado e dançado num acto de puro amor.
No centro irradia a voz de boneca de cristal de Haco, menina pintada em máscara Madame Butterfly. Em volta, como pirilampos encantados, gritam cintilantes as harpas, os oboés, as flautas, os nomes impronunciáveis e os sintetizadores como se fossem tocados por fadas. E talvez sejam.
Na complexidade e imaginação dos arranjos lembram por vezes os Gentle Giant da fase inicial. Nos ambientes que sugerem aproxima-se dos jardins em que Virginia Astley se passeia, se chovesse, se fugazes relâmpagos fixassem pequenos medos na paisagem.
«Paradise of Replica» é uma sucessão infinita de imagens, ecos, espelhos, micro-sinfonias, sinos reverberados, caixas de música, vozes infantis, fantasmas, sonhos dentro de sonhos. Pingos de sangue tombando no silêncio de lagos circulares. Nuvens e vento. Paraíso de réplicas ou réplicas do Paraíso?
Saboreia-se este disco como se fosse um gelado doce para o espírito. Subtil Obra-Prima. Beleza absoluta em mil segredos sussurrada.
Rec Rec, Framport. Contraverso, 1984.

After Dinner – “Paradise Of Replica”, aqui.