Arquivo da Categoria: Críticas 2001

Matching Mole – Matching Mole’s Little Red Record

01.06.2001
Matching Mole
Matching Mole’s Little Red Record
Columbia, import. Lojas VC do Chiado
10/10

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O melhor da “Canterbury Scene” passa pelos Matching Mole, fundados por Robert Wyatt após a sua saída dos Soft Machine, com antigos elementos dos Quiet Sun, Caravan e Delivery. Em “Matching Mole”, de 1972 (também reeditado), a pop pueril de “O Caroline” ilude com a sua simplicidade um álbum que explora alguns dos caminhos abertos por “Moon in June”, faixa vocal-ícone de “Third”, obra máxima dos Soft Machine. Jazz, surrealismo infantil, filigranas de free rock, loops psicadélicos e scat enramelado, num clássico canterburyano, irmão de “In the Land of Grey and Pink” dos Caravan. “Little Red Record” (1973), manifesto dada-maoísta, extrema as posições, partindo da canção pop para chegar à sátira religiosa (“Godsong”) e política (“Starting in the middle of the day you can drink your politics away”), num envolvimento sem retorno no mesmo tipo de complexidade, fértil e arrojada, dos Egg. Um dos discos-chave dos anos 70.

Messerchups – Miss Libido 2000

18.05.2001
Messerchups
Miss Libido 2000
Solnze, distri. Ananana
7/10

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From Russia with Fun. De novo, agora com um dos elementos dos Messer Für Frau Müller, Oleg Gitarkin, mais o seu grupo Messerchups. “Miss Libido 2000” dificilmente se distingue de “Allo, Superman!”, dos Messer. É a mesma pop electrónica travestida de “easy listening”, mesclada de referências fílmicas ou à música de comerciais dos anos 50 e 60, imagens kitsch e trechos/colagens melódicos que insistem em não serem levados a sério. O que, há 35 anos, era em Raymond Scott trabalho árduo, visionarismo e um desfasamento genuíno em relação ao seu próprio tempo, é no russo Gitarkin piada estudada e ensaiada em laboratório. Funciona na mesma, mas a surpresa perdeu-se. O que não se perdeu foi a loucura, esta sim tão natural como tudo na sua personalidade, de Felix Kubin, o mais divertido e engenhoso entertainer do momento, que em 16 minutos do seu novo single (8/10), nos faz crer que a vida pode ser jogada como um “Game Boy”.

Tri Yann – Le Pelegrin

18.05.2001
Tri Yann
Le Pelegrin
Marzelle, distri. Sony Music
8/10

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Quem diria que estes canastrões da folk bretã conseguiriam romper o ciclo de decadência que ameaçava transformar um grupo que chegou a ser instituição numa troupe de palhaços, como a que passou há um par de anos pelo Intercéltico do Porto? Mas é isso mesmo que acontece no novo “Le Pelegrin”, verdadeiro milagre (de Saint Jacques?…) que devolve estes velhos bardos ao lugar que já lhes pertenceu. Inspirado na peregrinação a Compostela, “Le Pelegrin” recupera a voitalidade dos “na dro”, “gwerz” e “laridés” da tradição, sem se perder num revivalismo autista que é a contrapartida do excessivo afastamento dessa mesma tradição. Temas como “Fransozig”, “Maiaela” (terá Gabriel Yacoub dado lições aos Tri Yann?…), “L’Ulm merveilleux” (terão os La Bottine Souriante dado lições aos Tri Yann?…), “A Matine à la télè” ou “L’arrivée À Compstelle”, chegam a ser brilhantes. E tocantes. Os velhos guerreiros estão vivos. Tire-se-lhes o chapéu.