Arquivo da Categoria: Críticas 2001

Dat Politics – Sous Hit

18.05.2001
Dat Politics
Sous Hit
Digital Narcis, distri. Ananana/Matéria Prima
8/10

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O primeiro tema é um guincho digital capaz de destruir num instante o tímpano mais resistente. Dura seis segundos. O segundo, idem, em mais quatro segundos de teste auditivo. E assim por diante, até à faixa número nove, num total de 34 segundos de histeria ultra-sónica que promete o confronto com uma música ainda mais radical que a do aclamado “Villiger”, álbum de estreia deste quarteto francês especialista na manipulação do “powerbook”. Mas, porque os ouvidos se habituaram, entretanto, a tirar prazer desta música que espreme sem piedade os computadores, as restantes faixas de “Sous Hit” soam como convulsões de pop electrónica de um vírus infiltrado num sistema de inteligência artificial. É toda a tradição dos homens-máquina dos Kraftwerk que aqui se re-encena, agora também com um esgar “funny” (os Cluster, ainda e sempre presentes, no tema 16), a dar indicações de que esta poderá ser a música de baile de um futuro alarmantemente próximo.

Phantom Slasher – Puddle & Spout

11.05.2001
Phantom Slasher
Puddle & Spout
Noid, distri. Symbiose
8/10

LINK (“Key to the Tripod” – 2008)

Phantom Slasher é um colectivo inglês pouco conhecido entre nós sobre o qual se diz que fazem discos sem qualquer ligação entre si. “Puddle & Spout” começa por uma capa que parece um panfleto punk, passa pela completa ausência de informação e termina num banho de gozo. “Puddle & Spout” situa-se nos territórios da música de dança mas a sua força, sustentada por uma visceralidade que tem tanto a ver com o transe tribal dos Can como com a soul sexuada de James Brown, afasta-se dos parâmetros do Groove sintético. O efeito destas batidas entre o afrosoul, o electro e a hipnose, semelhante ao provocado pelos Soul Center, é arrasador. Mesmo se a ironia não está ausente deste exercício que começa com um tema de jazz ambiental e fecha em paródia, numa desbunda de disco sound com a máscara de gorila dos Yello, o corpo não consegue resistir ao ritmo da anedota.

Jim Avignon’s Neoangin – A Friendly Dog In Na Unfriendly World

11.05.2001
Jim Avignon’s Neoangin
A Friendly Dog In Na Unfriendly World
Wonder, distri. MVM
7/10

neoangin

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Jim Avignon é um artista multimédia residente em Berlim a quem já chamaram “o homem que pinta com um gira-discos” e “O Ticiano da tecno”. “A Friendly dog…” é o terceiro álbum do seu projecto Neoangin e o mínimo que se pode dizer dele é que consegue ser pop sem perder o fascínio e o gosto pelo risco. Pop electrónica onde as ondas de vibrafone e arquivos marados de um órgão Hammond se baralham, numa brincadeira constante com o estúdio. Umas vezes parece o ska dos Madness, noutras uns Shadows aos quais tivessem oferecido um sintetizador; há canções que lembram os Stranglers das melodias malsã, enquanto outras se caracterizam pela rítmica “Residents no jardim infantl2 dos Der Plan ou se medem pela nostalgia recente dos Dakota Oak. Ao todo, 33 canções onde a alegria, a luz e o prazer do som artesanal se confundem, tão deliciosas como as gravuras/cartoons do “booklet”.