Arquivo da Categoria: Críticas 2001

Sergej Auto – Achtung Auto

15.06.2001
Sergej Auto
Achtung Auto
Saas Fee, distri. Ananana
8/10

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Capa kitsch? Rosto de galã com olhos de carneiro mal morto? Não há que enganar. É mais um agente russo infiltrado no mundo, até há pouco tempo bem comportado, da electrónica. Melhor dizendo, é um agente checo, cartoonista de profissão, que se vem juntar às hostes circenses de Felix Kubin, Oleg Kostrow, Oleg Gitarkin e Messer Fur Frau Muller. O som é idêntico, um arranjo de pop electrónica temperada por easy listening, música de spots televisivos dos anos 50 e 60 e todo o imaginário retro-futurista que Raymond Scott antecipou como coisa séria. Mas Sergej Auto ousa introduzir o mau humor no seio da brincadeira, conferindo-lhe um lado sombrio e mais conceptual. Sob o postal ilustrado esconde-se uma sensibilidade aberta ao minimalismo, à house mais dark e à sujidade electrónica como foi esguichada pelos Suicide.

Soft Machine – 4th/5

15.06.2001
Soft Machine
4th/5
Columbia, import. Lojas VC do Chiado
8/10

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Como já tinha acontecido com “Six”, mais dois álbuns dos Soft Machine tiveram honras de remasterização, agora num pacote “dois-em-um” que junta “4th” e “5”, de 1971 e 1927, correspondentes à fase mais jazzística deste grupo que nos anos 60 inventou o som de Canterbury. Mas “Third” afastara já para longe da sua formação os gnomos Daevid Allen e Kevin Ayers, mantendo-se apenas Robert Wyatt como último representante de uma sensibilidade pop no grupo. Wyatt apenas participa em metade de “4th”, álbum de jazz rock dominado pela “suite” “Virtually”, composta por Hugh Hopper, e pela álgebra do órgão electrónico de Mike “fuzz” Ratledge. Uma música simultaneamente difícil e quente que explorava terrenos paralelos aos dos Weather Report de “I Sing the Body Electric” e que no álbum seguinte, “5”, se embrenharia num esquematismo onde alguns veriam apenas frieza.

Luar Na Lubre – XV Aniversario – Lo Mejor De Luar Na Lubre

01.06.2001
Luar Na Lubre
XV Aniversario – Lo Mejor De Luar Na Lubre
WEA, distri. Warner Music
7/10

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Poucos serão os grupos na Galiza que se podem orgulhar de um estatuto de popularidade equivalentes aos dos Milladoiro. Os Luar na Lubre conseguiram-no, rivalizando com aquela banda na procura, bem sucedida, de novas formas e soluções para a folk galega. O disco de comemoração dos 15 anos de carreira não apresenta grandes novidades para quem tem vindo a acompanhar a banda folk, responsável por álbuns como “Arasolis”, “Beira-Atlântica”, “Plenilunio” e “Cabo do Mundo”. Para esses, a colectânea de festejos reservou três inéditos, um deles com a participação dos irmãos Hevia (ele e ela) e uma nova versão, com Pablo Milanés, de “Tu gitana”, de José Afonso. Para os que agora se iniciam nos mistérios da “muineira”, polida e bem tratada, é um bom cartão-de-visita, ilustrativo do requinte instrumental de Bieto Romero, bem como da beleza vocal de Rosa Cédron.