Arquivo da Categoria: Country

Fernando Magalhães no “Fórum Sons” – Intervenção #26 – “lista fundamental (mcpinto)”

#26 – “lista fundamental (mcpinto)”

mcpinto
20.10.2001 111130

Os CSNY fazem parte integrante da minha vida de audiófilo. “Déja vue” inclui o tema Almost cut my hair de David Crosby e só isso chega. Já agora, outras escolhas possíveis dentro do género poderiam recair nos Eagles ( album “Desperado” )ou até nos America ( “America” e “Home Coming”).

Fernando Magalhães
21.10.2001 150305

Curioso falares nos AMERICA. Foi uma banda à qual nunca prestei a devida atenção até que, recentemente, adquiri finalmente um disco deles, precisamente o “Homecoming” que é uma maravilha de rock/folk, por vezes soando a uma variante US dos Magna Carta…

Quanto aos JETHRO TULL, sempre achei o “A Passion Play” musicalmente superior ao “Thick as a Brick”. Acontece que o impacto deste foi maior, talvez por ter surgido primeiro, o que fez muita gente considerar “A Passion Play” uma espécie de remake…
Não é a minha opinião nem a do próprio Ian Anderson que, numa entrevista que lhe fiz no ano passado, referiu o “A Passion Play”, se a memória não me falha, como um dos álbuns mais “difíceis” mas também mais gratificantes da discografia dos JT.

FM

Gerry Rafferty – “Right Down the Line – The Best of Gerry Rafferty”

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 11 ABRIL 1990 >> Videodiscos >> Pop


GERRY RAFFERTY
Right Down the Line – The Best of Gerry Rafferty
LP e CD Emi, distri. Valentim de Carvalho


“Baker Street” foi um “hit” dos anos 70, para sempre recordado pela célebre entrada do saxofone. O tema não tinha nada de especial para além de ser melodicamente agradável e um slow ideal para dançar agarradinho. O seu autor é um rapaz sossegado que começou por fazer parte, juntamente com Billy Connolly, do duo Humblebums, voltado para as delicadezas acústicas da folk. Mais tarde passou pelos Stealers Wheel, antes de optar definitivamente pela carreira a solo. A coletânea agora editada passa em revista alguns dos temas mais conhecidos de Gerry, espalhados por álbuns como “City To City”, “Night Owl” ou “Snakes And Ladders”, servidas pelas famosas “Produções Melaço”. Da ficha técnica constam nomes importantes, conotados com a cena folk, como Jerry Donahue (Fotheringay), Davy Spillane, Ric Sanders (Albion Band), Richard Thompson, John Kirkpatrick e Richard Harvey (Gryphon), mas a Melaço Incorporated garante que ninguém dará por nada.

Ry Cooder – “Trespass”

pop rock >> quarta-feira, 17.11.1993


Ry Cooder
Trespass
Sire, import. Contraverso



Os caminhos de Walter Hill, cineasta especialista em filmes de acção, e Ry Cooder, o papa da “bottleneck guitar”, voltam a cruzar-se depois de anteriores colaborações em “The Long Riders”, “Southern Comfort”, “Streets of Fire” e “Crossroads”. Ao contrário das sonoridades lânguidas da guitarra que nos últimos anos fizeram a sua imagem demarca junto do grande público, muito por culpa da banda sonora que assinou para Wim Wenders em “Paris – Texas”, “Trespass” é uma deflagração de violência e de metais em colisão que remete mais para grupos como os Test. Dept. e Einstürzende Neubauten do que para as refracções vítreas da guitarra que ilustram parte da sua discografia. “Jazz”, é claro, é obra-prima à parte. No fundo é como se Ry Cooder estivesse aqui a sacudir uma imagem “clean” que apenas em ínfima medida é a sua, lembrando, a quem já o tinha esquecido, a sua colaboração no passado com um dos primeiros profetas da dissonância, Don Van Vliet, mais conhecido por Captain Beefheart. Dos quadros ambientais e corrosivos de “Orgill bros.”, “Totally boxed in” e “We’re rich” (semelhança com a música de Peter Principle) e das percussões industriais de “Trespass” (main title)”, “Goose and lucky”, “Give’em cops” e “Lucky in the trunk” às duas canções que fecham o disco, “King of the street” e “Party lights” (dedicatória nocturna à “country music”, com Van Dyke Parks, nome mítico da moderna música americana e seu amigo de longa data). “Trespass”, com o trompete de Jon Hassell sempre discreto mas determinante na criação da trama ambiental, funciona como um martelo-pilão que esmaga por completo qualquer preconceito que pudesse subsistir sobre a música de Ry Cooder. Longe ficaram desta vez a respiração dos grandes espaços e a limpidez de uma guitarra de cristal. (7)