Aquivos por Autor: admin

Rafael Toral – “Wave Field”

pop rock >> quarta-feira, 15.11.1995


Rafael Toral
Wave Field
ED. E DISTRI. MONEYLAND



“The Wave Field está situado algures numa região longínqua do território ambiental, junto à fronteira de uma área pantanosa onde vibrações abstractas de rocha líquida se dissolvem sob nuvens carregadas de ruído, ecoando alguma irradiação eléctrica”, diz o autor a propósito da sua obra. Nem mais, escrito em inglês e tudo, sem esquecer uma dedicatória (em inglês) a Alvin Lucier e outra, em letras mais pequenas, aos My Bloody Valentine, nem o indispensável aviso (em inglês) aos ouvintes de que “não foram utilizados sintetizadores, mas apenas filtros”. Bom, são três longas composições, sem sintetizador, apenas com filtros, uma do ano passado, as outras deste ano, nas quais Rafael Toral põe a guitarra a ressonar num “continuum” perpétuo. Ao pé dele, a “infinite guitar” de Michael Brook parece uma ejaculação precoce. A bíblia da guitarra demoníaca, “Evening Star”, de Robert Fripp com Brian Eno, continua a ser o ponto de referência. Ouvido com muita atenção e com dez quilos de LSD no bucho consegue-se mesmo descortinar o som de “vibrações de rocha líquida dissolvidas sob nuvens carregadas de ruído, ecoando alguma irradiação eléctrica”. Ou será o ruído do motor do leitor de compactos? (4)

Audio Active and Laraaji – “The Way Out Is The Way In”

pop rock >> quarta-feira, 15.11.1995
álbuns
poprock


Audio Active and Laraaji
The Way Out Is The Way In
ALL SAINTS, DISTRI. MVM



A filosofia “hippy” está de volta. Só que, ao contrário do que acontecia há um quarto de século, já não são os grandes “meetings” de meditação sobre o verde mas as pistas de dança o lugar de expressão deste pôr as contas em dia com a matriz cósmica. Logo de entrada uma voz convida à abertura das portas da consciência, à boa maneira dos Moody Blues, para em seguida o cenário se dispor num território mais actual, servindo de bandeja uma protecção de “ambiente dub” com tantas cores como as da capa de um disco dos Ozric Tentacles, “Music & Cosmic”, “Think cosmically”, “Space visitors for tea” são alguns dos títulos deste advento da “nova idade” apregoado em conjunto pelo grupo japonês e um dos patriarcas da “nova consciência”, tornado papa do “hypnobeat” – Laraaji. É evidente que ressalta deste caminho de ida e volta nos meandros da “cosmic mind” uma dose de humor salutar e um gozo hedonista que fazem de “The Way Out Is The Way In” um mapa celeste desenhado para consulta nas pistas de dança às horas de sonambulismo do “chill out”. Esqueçam-se os preliminares e escute-se com máximo abandono “Booper’s dance floor” para se descobrir como dançam os ébrios do espaço do século XXI”. (6)

Air Miami – “Me, Me, Me”

pop rock >> quarta-feira, 15.11.1995
álbuns
poprock


Air Miami
Me, Me, Me
4AD, DISTRI. MVM



Os primeiros disparos da guitarra acertam em cheio na memória dos Feelies. A mesma disciplina geométrica a cumprir serviço militar obrigatório de cobrir a retaguarda de melodias leves como um floco de neve. O mesmo rigor, a par de uma intuição fulgurante na composição de linha melódicas “catchy”, como os ingleses dizem quando uma canção se torna obsessivamente trauteável, fazem de “World cup fever” um “hit” evidente. Os Air Miami sofrem, todavia, de dupla personalidade. Quando, em vez de Mark Robinson, é a senhora do grupo, Bridget Cross, a cantar, a música mete os travões a fundo e adoça-se num aconchego aos Devine & Statton. Em qualquer dos casos “Me, Me, me” é um disco pop orgulhoso da sua simplicidade, com as suas caixas de ritmo pipoca, os seus sintetizadores fazendo beicinho e as suas guitarras de papel preocupadas em nunca dizer mais do que o necessário. É toda uma filosofia adolescente que passa ao lado do tempo, com a inocência de quem faz um hino de verdades eternas, como em “Neely”: “Hey, hey, hey, I’m gonna fuck you up today, hey, hey, hey, I’m gonna get fucked up today”. Um disco azul, da cor do céu. (7)